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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Muito além da Consciência Negra


Ezequiel Sena

.Naturalmente que a etnia africana tem em Zumbi dos Palmares o seu representante maior e o mais nobre símbolo de liberdade entre os seres humanos. Zumbi não morreu e Palmares continua vivíssimo. A segregação racial denominada apartheid caiu. Nelson Mandela é o verdadeiro mentor da queda. Barak Obama, o homem mais importante do planeta também é afrodescendente. Agora não se compreende como na Bahia, sendo a capital da beleza negra e fonte maior do sincretismo religioso brasileiro, em pleno século 21, ainda existam pessoas com mentes tão rançosas capazes de cultuar a segregação racial, e, desta maneira, contribuir para elevar o grau de desigualdade social tão nocivo a humanidade, a ponto de indignar a juíza baiana Luislinda Valois ao declarar: “Se você quiser saber o que é ser preto na Bahia, fique negro por 48 horas”.

Digite aqui o resto do postAlém disso, é triste reconhecer que muitos brasileiros não têm a mínima consciência das marcas criminosas deixadas pela escravidão em nossa sociedade. Neste dia 20 de novembro, dedicado ao Dia da Consciência Negra, homenageando o lendário Zumbi dos Palmares, não vão faltar elogios, discursos, citações de méritos, contextualização da história e também uma grande fartura de ideias. No entanto, não haverá linha de raciocínio capaz de traduzir ou explicar porque ainda persiste em nosso País esse odioso e irracional preconceito racial cravado no coração de tanta gente. Contudo serve também como alerta para todos os cidadãos brasileiros, em particular os afrodescendentes, para que reflitam com melhor acuidade sobre a importância dessa mistura étnica que formou o nosso povo.
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Vale registrar que a formação cultural do Brasil, dentre outras influências, teve basicamente mais solidez nas origens africanas e a importância desse legado biográfico tem na raça negra contornos bem definidos e consistentes. Uma extensão que aproveitou muito bem as virtudes e o silêncio da cor fazendo surgir grandes talentos para o enriquecimento da nossa história, como as referências deixadas por Henrique de Lima Barreto (1881-1922), Antônio Francisco Lisboa – O Aleijadinho (1730-1814), João Cândido Felisberto (1880-1969), líder que deu inspiração e referência ao Dia da Consciência Negra; Mario de Andrade (1893-1945), Alfredo da Rocha Vianna Filho - O Pixinguinha (1897-1973), Luiz Gama (1830-1882), o poeta João Cruz e Sousa (1861-1898), Escolástica Maria da Conceição Nazaré – Mãe Menininha do Gantois (1894-1986) – a ialorixá mais famosa do país; além do nosso mais ilustre escritor Antonio Maria Machado de Assis, e muitos outros que personificam e elevam culturalmente esta nação para o mundo.
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Mas, mesmo com a igualdade racial prevista na Constituição Federal, percebe-se que ainda existe resistência de grande parte da sociedade em aceitar a igualdade de direitos entre brancos e negros. Até nas escolas há resistência de alguns educadores em levar o conhecimento afro aos alunos, ainda assim, não se pode negar que os avanços alcançados nos últimos anos são vistos como de caráter prático, afirmativo e necessário.
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Chegamos praticamente ao final da primeira década do século XXI e com isso contabilizamos aproximadamente 250 mil jovens afrodescendentes e outras minorias estudando em mais de 70 universidades, com o apoio do Ministério da Educação. A bem da verdade alguns programas são importantes como Pró-Une, Cotas, Pró-Jovem, Quilombolas etc..., e o dia 20 DE NOVEMBRO não pode ser apagado da memória de nós brasileiros como vem acontecendo com outras datas importantes; como aconteceu no último domingo quando o jornal A TARDE saiu a campo e entrevistou engenheiros, aposentados, funcionários públicos, profissionais liberais e ninguém soube precisar corretamente o que significa o dia 15 de novembro para o Brasil. Lamentável. Entretanto, historiadores explicam que o desconhecimento vai além de um 2º grau mal feito. Vergonhoso!

Ezequiel Sena
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sábado, 31 de outubro de 2009

Trânsito – Eterno caos

Por Ezequiel Sena

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Por tradição, o brasileiro sempre anda com pressa e muito acima do limite, alguns além de imprudentes são também agressivos. A correria, a insensatez, a desobediência, o excesso de confiança e a embriaguez são as verdadeiras consequencias que têm causado a dor de muitas famílias. Afinal, o que leva o indivíduo que a princípio é esclarecido e conhece bem as regras de trânsito a agir de maneira tão irresponsável? Será que não tem consciência dos riscos e da vulnerabilidade ao volante? Perguntas estas que não vamos encontrar respostas. Para se ter uma ideia, os acidentes no trânsito já se tornaram a segunda maior causa de mortes no País. Os números de óbitos nas estradas são estarrecedores e equivalem à estatística de uma guerra. Pesquisa realizada pela Polícia Rodoviária Federal chegou-se à conclusão de que a causa da maioria dos acidentes é por falha humana. E é nas rodovias que essa constatação fica mais evidente.

Na Olívia Flores, semana passada, eu observei pelo retrovisor um carro buzinando para que eu saísse da frente, como sou de paz, pacientemente encostei para a direita e o agoniado passou: – um saveiro com as rodas rebaixadas e em alta velocidade. Mais adiante, nas imediações do BNH, o veículo parou e saltaram dois jovens que por impulso julgo que adoram dirigir em alta velocidade. Logo em seguida, ao retornar, deparei-me com o mesmo veículo envolvido numa batida frente ao Supermercado Rondelli. No sentido Centro/UESB trafegava uma perua van que se chocou na lateral do saveiro. Logo conclui que não poderiam ser outros senão os meninos da caminhonete os causadores do acidente. O que é pior: o bafafá formado houve até ameaças de briga de ambas as partes. Mas a turma do “deixa disso” apareceu e apaziguou os ânimos. Nesta véspera de feriado, fato este me motivou a escrever este texto.
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Depois de 12 anos, o Código Nacional de Trânsito tem muitos dispositivos que ainda são considerados letras mortas. Os infratores só sentem as penalidades quando doer no bolso; analisam com isso, os estudiosos, meios de endurecer as leis. São aproximadamente mais de 200 mortes por dia - bem acima das estatísticas oficiais –, visto que não são computados os que falecem depois de 30 e 90 dias após o acidente nas vias federais, estaduais e municipais e, segundo estatística publicada no Jornal A Folha de São Paulo, a modificação proposta evidentemente chamará mais atenção ao que mata mais: moto, álcool e cansaço na direção, seguido de má conservação das estradas, imprudência, excesso de velocidade, descaso com a própria vida e a vida dos outros.
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Os motoqueiros acham que demora muito ficar atrás dos carros, porque a moto é um veículo rápido e ágil que pode trafegar normalmente entre o corredor dos veículos. “Andar atrás dos carros só se o tráfego estiver lento”, argumenta Fabio Dias Santos, entregador de pizza; embora reconheça o perigo ao qual se submete diariamente. “Os motoqueiros deveriam respeitar mais o corredor porque não obedecem às regras, passam atropelando tudo pela frente, quebram o retrovisor dos carros, não estão nem aí pra ninguém e isso é muito ruim”, diz Emanuel Soares Costa, taxista. É flagrante o despreparo e a falta de consciência tanto dos motoqueiros quanto dos motoristas. Parece até que a pressa é o objetivo maior das pessoas, esquecem que estão pilotando um meio de transporte que pode se transformar numa arma poderosa. “A falta de consciência entre eles é visível. Infelizmente não temos motoristas, temos máquinas em movimento e sem controle o tempo todo”, aponta o tenente da PM Wagner Bittencourt Dias.
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Outro agravante no trânsito das cidades, e Conquista não é diferente, é o desrespeito à clara imposição da parada obrigatória antes da faixa de pedestres no sinal vermelho. De acordo com o Artigo 208 do Código de Transito, avançar o sinal vermelho ou o de parada obrigatória: Infração gravíssima e a penalidade é multa. Competência: município – 7 pontos na CNH. Mesmo assim, aqui mesmo em nossa cidade, devido à onda de violência e insegurança, depois das 20 horas, nem mesmo o sinal vermelho é obedecido – a desculpa dos motoristas é se tornarem presa fácil de assaltantes, já que o Estado é incapaz de garantir a segurança em horário avançado.
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Mas, vale lembrar que a lei não abre exceção quanto ao horário, pois obriga a parada diante do sinal vermelho, ou o de parada obrigatória em qualquer horário, mesmo que seja madrugada. Contudo, para salvaguardar a vida, torna-se prudente recomendar a tolerância quando a invasão do sinal ocorrer em horário que não traga prejuízo à segurança viária. Mesmo assim, com todos os rigores da lei e as fracas campanhas educativas para não ingerir álcool quando dirigir, quem se recusar a fazer o teste do bafômetro e tiver sinais claros de embriaguez é passível de ser levado para a delegacia. Esta é uma das mudanças na lei de trânsito que está em discussão na Câmara. Antes o motorista tinha o direito de se negar a passar pelo bafômetro, apenas a sua carteira era apreendida, todavia ele poderia seguir normalmente. A Lei Seca permite. Só que isso pode mudar.
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Acredito que os investimentos em educação de trânsito são insuficientes e deveriam ser bem mais questionados e debatidos, especialmente na questão educativa e com campanhas permanentes, haja vista que a lei por si só é praticamente ineficaz levando o motorista à indiferença e a agir de forma irresponsável e hipócrita. Não há necessidade de ir longe, pois é um fato corriqueiro e facilmente observado nas principais ruas da nossa cidade. Entretanto, não compreendo a atuação dos agentes orientadores de trânsito. Nem imagino como são pautados, pois o que verificamos é que ficam nas esquinas com o único objetivo de multar quem passa despercebidamente sem o cinto de segurança, ou exposto a alguma eventual infração. No entanto, fazem eles vistas grossas ao amontoado de carros que param impedindo o fluxo normal dos veículos, especificamente na Rua Siqueira Campos e na saída para Barra do Choça, que, a meu ver, são alguns dos gargalos que mais necessitam de atenção de nossas autoridades.

Ezequiel Sena

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sábado, 10 de outubro de 2009

Um dia de sonhos é muito pouco

Por Ezequiel Sena

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Criança na sua essência vem ao mundo transformar a mulher em mãe, o homem em pai e fazer com que a vida humana perpetue. Por isso, de acordo com a “Declaração dos Direitos da Criança” toda criança deve ser protegida pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possa se desenvolver física e intelectualmente, tendo os mesmos direitos, não importa sua cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade. São alguns dos princípios básicos consagrados a elas. E neste ‘12 de outubro’, deixando o marketing atribuído a data, mesmo reconhecendo como uma maneira bastante criativa de seduzir os pais a satisfazerem os desejos dos filhos; acho que não existe momento mais apropriado para refletirmos sobre tópicos importantes e que têm perturbado a harmonia de muitas famílias, como - falta de limites e falta de controle.

Hoje em dia, não há como negar, as crianças estão mais informadas, bem mais conhecedoras das contradições e dos conflitos disciplinares do que antigamente. Ainda que inocentes, são firmes, decididas e até autoritárias, se afrouxarmos as rédeas os limites fragilizam e, certamente, perderemos a batalha para elas. Há pouco menos de 40 anos os costumes eram diferentes – o chefe da casa dava as ordens e toda família obedecia. Época em que o professor, além de ser uma referência, era muito mais respeitado. Mas os tempos evoluíram e aquele velho modelo não se adota mais, ficou ultrapassado. Agora, vivemos na era do virtual, do digital, da internet, da liberdade total, do consumo fácil (...), a lição da moda é que criança educada e gentil está doente ou é careta; o que satisfaz mais é deixá-la livre ou à vontade.
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Chega parecer ridículo – e é – aceitar algumas mães dizerem que estão estressadas, neuróticas e desesperadas por não serem capazes suficientemente de conter o calundu de seus filhos. Mais cômico ainda é vê-las gritando e se lamentado “não sei mais o que fazer. Já bati, já briguei, deixei de castigo...”. O que é pior: a fera a ser domada tem apenas três ou quatro anos. Será que nós, os pais, ficamos mais tolerantes ou mais inseguros? Como alguém com tão pouca idade pode dominar desta forma uma pessoa adulta? A escritora, conferencista e psicóloga Olga Inês Tessari, certa vez disse: “Espancamento físico não é a solução é violência, mas umas palmadinhas de vez em quando não vai fazer mal algum, pelo contrário”. Concordo plenamente com ela.
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Obviamente que existem exceções nas relações familiares, as manifestações de afetividades podem se multiplicar tanto para o bem como para o mal. Mas a consciência crítica está em nossas mãos enquanto genitores. De sorte que, por via de regra, cabe-nos a maior parcela de responsabilidade na formação deles; uma vez que, de jeito algum, podemos transferir para a escola a educação doméstica. No entanto, penso que se não nos prepararmos para ser verdadeiros educadores o desafio vai se tornar inútil.
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Então, apesar de existir uma retrospectiva assustadora de mais de 75 milhões de crianças no mundo sem direito a educação, conforme dados recentes divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), – muitas delas obrigadas a trabalhar logo cedo para ajudar a trazer o sustento para dentro de casa –; um dia de sonhos é muito pouco para se comemorar uma data tão particular como o ‘Dia das Crianças’. Até porque a infância é o começo da formação intelectual da pessoa humana e as ingênuas brincadeiras retratam o esplendor da inocência.
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Concluindo, nada tão admirável como este texto que eu imagino se encaixar perfeitamente no lado lúdico da festa “(...) Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito. Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis, num homem com minha carga de vivências. Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu, tais a entrega e a total confiança no mistério e na proteção de Deus. Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se impõe alguma expectativa. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda”. (Artur da Távola)

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um filho ilustre na cidade

Por Ezequiel Sena

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Uma tarde de sábado memorável, 26/09, especialmente para os que apreciam a verdadeira história da música popular brasileira. Desta vez no espaço do Viela Sebo Café. Simples, educado, olhar sereno, fala suave e jeitão paciente são algumas caracteríscas marcantes que percebemos ao conversar com nosso conterrâneo, o historiador, jornalista e mestre em memória social, Paulo César de Araújo, conhecido nacionalmente ao escrever o polêmico livro “Roberto Carlos em Detalhes”. Um trabalho de mais de 15 anos de pesquisas reunindo depoimentos de cerca de duzentas ou mais pessoas. A obra foi publicada em dezembro de 2006, pela editora Planeta, e, segundo o autor, chegou a vender aproximadamente 50 mil exemplares, no entanto, um mês após o lançamento, a venda foi proibida por determinação da Justiça do Estado de São Paulo.

Paulo Cesar de Araújo também é autor da obra literária “Eu Não Sou Cachorro, Não”, que se transformou numa referência historiográfica, traçando um perfil musical paralelo entre a ditadura militar e os cantores populares considerados “bregas”, como Odair José, Nelson Ned, Waldick Soriano, Agnaldo Timóteo, Dom e Ravel, Evaldo Braga, Paulo Sérgio, Lindomar Castilho e tantos outros. Para nós que tivemos a felicidade de comparecer ao evento, um encontro dos mais honrosos.
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Num bate papo informal, contou em detalhes fatos da sua infância aqui em Vitória da Conquista. Filho de pais evangélicos, estudou na Escola Anísio Teixeira, situada nas proximidades da BR-116, logo ali no final da Avenida Régis Pacheco. Da sua obsessão por livros, lembrou da biblioteca que ficava na praça do antigo Jardim das Borboletas. Recordou ainda da história de um parente que veio morar em sua casa e trouxe uma caixa de livros, guardava-os a sete chaves, mas nas escapadas desse tio, retirava às escondidas um e lia, depois retornava-o cuidadosamente ao local, de maneira que terminou lendo a caixa inteirinha – todos de auto-ajuda. Por isso, em tom de brincadeira, disse ter se tornado o maior expert em obras desse gênero, o que arrancou gargalhadas da platéia. E, assim, falou sobre o primeiro romance que que teve a oportunidade de ler “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro Vasconcelos. Contou da sua ida para São Paulo, muito jovem tinha apenas 16 anos. Agradece muito aos professores daqui por exigirem dele a leitura de livros. Fez referência a alguns clássicos, inclusive, afirmou ter uma fila esperando, dentre eles, Machado de Assis, já que não teve condições de saborear a obra em sua totalidade.
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No decorrer da conversa, passou a palavra a sua advogada Deborah Sztajnberg que igualmente está no meio musical há mais de 20 anos, além de professora de cursos de pós-graduação relacionados à cultura e entretenimento, tem atuado como jurada em diversos festivais. Autora do livro O Show Não Pode Parar: Direito de Entrenimento no Brasil. A rigor, ela deixou bem claro que as chances de Araújo em relação a batalha judicial travada com Roberto Carlos é como se fosse uma briga entre Davi versus Golias.
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Mas voltando ao palestrante, um fato que despertou a curiosidade dos presentes, Paulo Cesar ao chegar na Praça Barão do Rio Branco, perguntou: Cadê o Cine Riviera? O Bar Lindóia? O Riachuello? Quando viu um hotel no lugar do antigo cinema entrou na garagem e começo a vislumbrar o local do palco que marcou a sua adolescência. O garajista indagou: O senhor é hóspede ou procura por algo? Em estado contemplativo “estou no ano de 1971, não estou atrás do novo, busco o velho, aquilo que foi preservado”, respondeu.
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Por último, discorreu sobre os festivais do passado em comparação com os do presente. Reservadamente falou do seu futuro projeto que é escrever um livro sobre a sétima arte e futebol, inclusive, vai começar a colher material para o novo trabalho. “Seria de bom grado encontrar fotografias dos Cine Riviera, Cine Ritz, Cine Glória, Cine Madrigal ou Cine Eldorado, bem como documentos que marcaram a história dos cinemas de nossa terra, até porque aqui também é o berço do grande cineasta Glauber Rocha”. Concluiu.
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Particularmente tenho minhas dúvidas com relação a chamada “liberdade de expressão” neste País, principalmente de pessoas públicas e famosas. Sem querer fazer juízo de valor a qualquer tribunal, mas confesso que não consigo entender como Roberto Carlos obteve êxito em uma ação dessa natureza. Daqui a pouco a gente estará assistindo a volta da censura. Depois que li o livro não percebi nada que viesse denegrir ou macular a imagem do rei. Torço para que o desfecho desse episódio seja favorável ao Paulo, pois, a meu modo de ver, a pessoa pública não tem que se melindrar, mesmo porque esta é uma biografia que foi criteriosamente elaborada e dentro da mais perfeita ordem e zelo.
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Ezequiel Sena

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Na crista da onda ice

Por Ezequiel Sena
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A Veja do dia 09/09/09 traz uma matéria especial sobre alcoolismo. Um problema que frustra por ser maléfico a sociedade. Segundo a revista, as mulheres se igualam aos homens nos índices de consumo de álcool e acrescenta que as bebidas ‘ices’ deveriam virar caso de saúde pública. Com teor alcoólico semelhante ao da cerveja, a ice casa com o paladar feminino e com a prerrogativa de não causar mau hálito, além de outra vantagem adicional, apenas murmurada, é que as filas para o toalete ficam bem menores em comparação com as das baladas regadas a cerveja. O contraponto insalubre: de tão suaves e deliciosas, acabam favorecendo os excessos – ninguém fica na primeira garrafinha. Para surpresa dos fabricantes, o entusiasmo das mulheres em aderir ao produto, sobretudo as jovens, é inacreditável. E o Brasil oferece as condições ideais para esse tipo de coquetel, ou seja: hábito de consumo de bebida gelada, clima favorável e vida noturna agitada.

Pois bem. Só não enxerga quem não quer. Basta circular por locais onde as meninas costumam se reunirem para perceber a gravidade da situação. O charme de hoje em dia é beber ice e a mania é exibir-se com uma marca internacional nas mãos – na crista da onda do gargalo como manda o figurino. Um drinque que tem como foco jovens de 18 a 25 anos, assíduos frequentadores de bares e que gostam de sair para dançar; a bebida ice transformou-se no glamour da meninada da faixa etária entre 14 e 16 anos. Tem sabores pra ninguém botar defeito: limão, morango, melancia ou abacaxi são os mais apreciados. Embora seja proibida a venda de bebidas alcoólica a menores de 18 anos, as meninas bebem quando querem, e nos mais variados locais como bares, boates, clubes, postos de gasolina e nas festinhas de adolescentes.
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Nós, marmanjos, sequer conhecemos o efeito devastador de uma garrafinha de ice. A ilusão é as pessoas acharem que é apenas um suco de frutas ou uma limonada. Tolo engano! É bebida alcoólica sim, e bem mais potente que as cervejas e disfarçada sob um gostinho adocicado. Não podemos fechar os olhos para esta gravidade, um assunto que carece de atenção de todos, especialmente nós que somos pais.
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Queiram ou não, a onda ice pegou e é preocupante. Até música de incitação ao consumo algumas bandas de forro estilizado esbanjam apologias, e as melodias de duplo sentido, com ênfase ao erotismo, fazem a garotada ir ao delírio. Os versos esnobam a inteligência de qualquer vivente. Respeito os amantes desse tipo de canção, mas a “obra prima” da letra é de dar inveja aos mais ilustres compositores: “GATINHA CÊ GOSTA MAIS DE RED LABEL OU ICE/PRA MIM TANTO FAZ, ICE, ICE/PRA MIM TANTO FAZ, ICE, ICE, ICE, ICE...”
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De sorte que o sinal de alerta foi acionado, e se as bandas continuarem a estimular a garotada a abrir uma ice, seguramente penso que o caso necessita de muito mais atenção da sociedade em relação a esses adolescentes que só sabem divertir se estiverem consumindo álcool. Do contrário não creio que haja tempo para que as rupturas sejam suprimidas antes que atinjam as nossas famílias. Vejo ainda que vale a pena acreditar no bem comum, principalmente quando é possível resgatar a dignidade humana.

Ezequiel Sena

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Fé e incertezas

Por Ezequiel Sena

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“Eu não creio em Deus, mas sei que Ele crê em mim”, disse certa vez o escritor, jornalista, desenhista e dramaturgo Millôr Fernandes, um dos intelectuais vivos mais notáveis da atualidade. Mas ele não está sozinho ao parodiar com o tema. Roberto Carlos no início da carreira disse: ‘E que tudo mais vá para o inferno’, posteriormente: “Minha fé me leva até Você”. Já Gilberto Gil proferiu que a fé está em todo lugar: ‘Andar com fé eu vou/A fé não costuma faiá/Tá na luz e na escuridão/num pedaço de pão; na mulher’...
Enquanto John Lennon pegou pesado: vaidosamente achou que o grupo “The Beatles” era mais popular que Jesus Cristo e, ainda, escreveu uma música revelando não acreditar em nada, apenas nele mesmo. De fato, hoje em dia, a fé se tornou um assunto que tem gerado controvérsias, dividindo a opinião pública. Nesse sentido o nosso País passa por um momento delicado em meio a um turbilhão de escândalos de toda ordem e que nos deixam chocados. A rigor, a incerteza vai tomando fôlego, a natureza agonizando, a amabilidade e o respeito entre as pessoas vão ficando cada vez mais distante.
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Além do descrédito na classe política, algumas doutrinas evangélicas têm ocupado espaço de muita repercussão nos horários nobres dos noticiários de forma assustadora. Tempos atrás foi com a Igreja Renascer, do jogador de futebol Kaká, agora as denúncias batem de frente com os mentores da Igreja Universal do Reino de Deus, feitas pelo Ministério Público (SP), ação criminal por transferência ilegal de recursos para o exterior; desvirtuamento da atividade e enriquecimento ilícito de seus bispos. E novamente trazendo-nos à reflexão pela gravidade e com isso deixando grande parte da opinião pública abalada com os escândalos. De forma que dá a entender que por trás da pregação algo de sombrio e podre existe distorcendo a fé e pondo no mesmo nível princípios e valores básicos, gerando questionamentos e dúvidas em nossas vidas. Há também indivíduos que acreditam que tudo não passa de uma boa sacada de marketing entre as emissoras de televisão – no caso a Rede Globo versus Rede Record.
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Segundo o professor e teólogo Leonardo Boff, a incerteza da fé não é um fim em si, mas apenas um meio de se colocar em contato com a verdade. É partir de uma incerteza para outra mais pró¬xima da verdade que se progride no caminho da fé em Jesus Cristo. Quem não quer se defrontar com a incerteza nem ser atormentado pela dúvida, não deve aventurar-se a navegar por este oceano sem limites nem fronteiras que é a vida de fé em Cristo. Mais adiante ele diz: “Não há religião que não atribua a seus fiéis uma fé incondicional. E em seus tratados de teologia não há lugar para uma fé que forneça aos seus seguidores menos do que certezas absolutas”. Para ele, o objeto tanto da fé como dos seus estudos é o dogma (expressão legítima e necessária de sua fé), composta de uma cole¬tânea de verdades irrefutáveis. “É completamente estranho incutir na cabeça das pessoas a ideia de que a verdade possa ser um conjunto de probabilidades, ou até mes¬mo de possibilidades”.
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Desde cedo aprendemos que verdadeiramente certo e previsível em nossas vidas é a morte. Talvez seja a única certeza devidamente comprovada. Mas quando, onde e como ela vai chegar? Isso ninguém sabe. Os ensinamentos de Jesus Cristo quando aqui esteve, fornece-nos algumas certezas, também nos municiam de um sem número de pistas, capazes de nos conduzir até a fé de verdade. Mas esta permanecerá sempre distante e inaces¬sível quando o homem se escraviza e se nutre da mesquinhez. A verdade é como a vida, quem quer ‘possuí-la acabará por perdê-la’, como ensinou Jesus (Lc 17,33).
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Tenho consciência que escrever sobre um assunto tão rico, auspicioso e controverso é registrar um nada em poucos parágrafos; de modo que tomo a liberdade de dizer que o coração humano é sofismável por ser cheio de ambiguidades, capaz de generosidade sem limites, mas também de baixeza e leviandades. “De todas as coisas que Deus fez, o coração humano é o que traz mais luz e também mais trevas”. Assim escreveu Vitor Hugo. A meu ver, a pura verdade! Ninguém está obrigado a nada, porém, eu acredito piamente no livre arbítrio e na fé de um único Salvador que faz milagres sem nos cobrar nada e só espera da gente justiça, amor e paz!

Ezequiel Sena

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A televisão fascina ou aliena?

Por Ezequiel Sena

Com o avanço da tecnologia nas últimas décadas, notadamente no campo cibernético, podemos assegurar que os ganhos foram inimagináveis em todos os sentidos da vida humana. Tanto no aspecto da ciência, como da informação, tornando as coisas mais instantâneas, e a mídia de modo especial abocanhou essas descobertas para o seu próprio soerguimento – há muito considerada o quarto poder. Os sinais de força são tão visíveis que, respeitadas as devidas proporções, ela interfere nas principais decisões da maioria das nações – noticiando, opinando, denunciando e até sentenciando o que acontece em qualquer parte do mundo. E a televisão conduz tudo isso como sendo o carro chefe por ter em seu repertório o fácil acesso e maior credibilidade.

É impressionante como a televisão influencia o nosso quotidiano, principalmente do ponto de vista comportamental. Não é novidade pra ninguém dizer que a televisão uniformiza a conduta de grande parte da sociedade. A programação que é exibida prende as pessoas de tal forma que se torna a responsável direta por uma pseudo-socialização. Na verdade, a TV é um meio de comunicação ditador de regras, modas e estilos que norteia os nossos hábitos e atitudes, enquanto a capacidade de persuasão dos programas informativos interfere até mesmo em nossas decisões. E o curioso é que nos tornamos indolentes frente a um arsenal publicitário que vai determinando tudo na vida das pessoas; qual o melhor, o conveniente, o ideal e mais proveitoso bem a se consumir.
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Na década de 60, um dos grandes estudiosos ‘mass media’ de destaque do século XX, o escritor e professor canadense Herbert Marshall McLuhan (1911-1980), considerado o profeta da eletrônica, criador do paradigma “aldeia global” elegendo a televisão como um meio de comunicação de massa; já alertava sobre uma compreensão que fugia a realidade de seu tempo, disse ele: “Esse fluido elétrico e onipresente que é a mídia levará a espécie humana a um estado de espírito mais compassivo e coletivo, ou nos transformaremos em criaturas indiferentes e mecanizadas”.
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Pois bem, a teoria visionária de Mcluhan para toda a área da comunicação, embora os críticos considerem contemplativas e utópicas, e por ser muito polêmico e irônico, sustenta em “o meio é a mensagem” uma lógica sintetizada em dois tempos – o da história e o do presente. Já que o progresso tecnológico fez reduzir o planeta à mesma situação de se intercomunicar diretamente com qualquer pessoa que nele vive como uma aldeia. E a TV como arte nobre se tornou fascinante. Para exemplificar, observe o comercial de uma determinada marca de cerveja, por excelência genial –, a narrativa de uma história que demoraria meia hora ou mais para ser contada, em questão de vinte ou trinta segundo é mostrada e compreendida de forma concisa, sintética e brilhantemente direcionada ao público alvo objetivado; de uma criatividade quase insuperável e a televisão tem o poder de apresentar isso de uma maneira sensacional!
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Por outro lado, mesmo reconhecendo que a TV foi uma descoberta extraordinária e que trouxe valiosos benefícios para a humanidade, é preciso ter logicamente, no mínimo, uma consciência crítica para encontrar caminhos que possibilitem a inibição dos reflexos causadores de repulsa e discórdia que ela pode causar. Pois, seria muita ingenuidade admitir que todo o conteúdo veiculado pelas emissoras televisivas traz somente a verdade absoluta.
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Naturalmente que com o tempo aprendemos a lidar com isso de forma mais amadurecida e menos alienante, mas nem sempre estamos conscientes desse absolutismo. Até porque, o que é ofertado pela televisão provoca o fascínio e isso tanto pode esclarecer como fragmentar a nossa opinião. O mais interessante é que, além da diversão, faz a gente pensar e analisar que nem tudo é como se avista ou se apresenta.
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Como diz aquele velho ditado popular ‘cada cabeça é um mundo’ e, em razão dessa complexidade, é quase impossível compreender as escolhas de cada indivíduo, principalmente quando seus múltiplos conceitos e ideais fogem ao controle. Contudo, eu acho que não nos restam alternativas, se não tivermos a sensibilidade e uma boa dose de ceticismo para saber separar o que é falso e/ou o que é verdadeiro de uma notícia manipulada, voltada unicamente para os interesses pessoais de quem detém esse quarto poder.
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Ezequiel Sena

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pensar o hoje, ou o amanhã?

Por Ezequiel Sena
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A ciência tem proporcionado grandes proezas e amplia o nosso tempo aqui na terra. Coloca à nossa disposição modernas tecnologias para uma existência mais longa e saudável. Mas quem vai saber ao certo o que vai ser no futuro? A única coisa segura é que a vida é breve e tem um fim. Só não sabemos quando. Então é procurar viver mais um dia pelo tempo que for possível e atentar para o depois. É aí que entra a prudência das negociações para fazer do tempo um aliado, e não um inimigo. Como bem enfatiza o economista e filósofo Eduardo Giannetti Fonseca em seu livro “O Valor do Amanhã”. Por quantos anos vamos viver? E como será o amanhã? O que é mais vantajoso: desfrutar o momento ou cuidar do futuro? Isso agora ou aquilo depois? Dilemas assim brotam a todo instante no nosso dia-a-dia. O que comer? Como cuidar da nossa saúde, do nosso dinheiro? Qual a melhor carreira a seguir? De um lado, estão os nossos sonhos e desejos. De outro, as nossas possibilidades e fronteiras.

Em verdade, vislumbra-se à nossa frente à existência de um amanhã com inúmeras possibilidades. A vida ganhou em qualidade, prorrogando a juventude, sem com isso perder os benefícios da longevidade. Somos forçados a tomar ilimitadas decisões, algumas se encaixam no problema de escolhermos entre desfrutar o hoje ou esperar para experimentar no amanhã. Este estigma é essencial no percurso da nossa história e é explorado com profundidade pelo economista. A obra aborda os juros, mas de uma maneira superficial. O assunto é muito mais amplo que possa parecer onde os valores presentes e futuros medem forças de forma interligadas e se aplicam à alma de nossas preferências. Mais adiante ele resume: "os tempos mudaram e a vida é um intervalo finito de duração indefinida”.
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Tem razão Giannetti. E é verdade, os tempos são outros até porque hoje a longevidade tornou-se uma realidade. No século XIX e principio do século XX envelhecer era um milagre, um sonho e talvez uma sentença cruel. Para se ter uma ideia, se não fosse a genialidade precoce de seus autores, a maior parte da nossa poesia romântica não existiria. O nosso poeta condoreiro Castro Alves deu seu último suspiro aos 24 anos; Álvares de Azevedo, com 20, Casimiro de Abreu, 21, e Junqueira Freire, 22. Contrariando o espírito da época, Fagundes Varela partiu aos 33 e Gonçalves Dias, considerado um ancião, aos 41.
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De fato, a gente se entusiasma muito quando ler escritores dizerem de suas experiências e sucessos, embora reconheça que ninguém fala dos fracassos. Retardar o consumo atual para poupar e investir na produtividade pode render uma aposentadoria tranquila no futuro. Os recursos não caem do céu, e faz-se necessário uma escolha intertemporal entre o menos agora e o mais posteriormente. Hoje, mais do que nunca, a preocupação com o amanhã deve ser grande, como bem argumenta Gianneti; o mundo necessita mais da racionalidade da formiga que da impulsividade da cigarra. Sem nenhuma dúvida a poupança de hoje permite o consumo maior e melhor no amanhã. Talvez as pessoas não consigam internalizar isso: – pois o conforto do amanhã exige algum sacrifício do hoje.
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O amanhã, apesar de ilusório, instiga a imaginação de poetas, escritores, compositores, bem como de toda gama de intelectuais. Para não fugir a regra vejam que preciosidade é esta composição de Guilherme Arantes: “Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria/Que se possa imaginar/Amanhã está toda a esperança, por menor que pareça/O que existe é pra festejar/Amanhã apesar de hoje/Ser a estrada que surge, pra se trilhar/Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam...” Pela essência e graciosidade da melodia e dos versos – o autor estava iluminado – é inclusive cantada em vários shows por distintos artistas, também gravada por Caetano Veloso e já serviu de tema de campanhas eleitorais de políticos, principalmente baianos.
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Mas voltando ao tema, creio que não se pode ignorar tanto o passado quanto o futuro, pois são contemplativos e povoam a nossa memória, já que o hoje é o limite entre eles. Nessa linha de raciocínio, conclui-se que o esforço para qualquer indivíduo é incondicional, intemporal e imperativo. Pensar diferente no mundo atual não deve ser o caminho mais apropriado. O imediatismo é produzido em série e vem de máquinas, já a produção artesanal é bem mais lenta, mas em contrapartida o artesão produz arte e as máquinas apenas o descartável. Contrariar isso ou é imaturidade ou querer remar

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

O lado bom do progresso em Conquista


Por Ezequiel Sena
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Incrível como a nossa querida Vitória da Conquista parece passar por uma séria variação de identidade, a veloz transformação que a envolve materializa-se como se fosse uma ajustada metamorfose urbanística. Uma realidade que surge, um formato novo se configura, uma nova era “do virtual e da eletrônica, da beleza e da riqueza”, mas também da atroz inimiga do tempo moderno ‘a incontrolável violência’. O gigantismo atingiu a metrópole da pecuária e do café; o mundo do comércio invadiu becos e ruelas, antes ocupados por casarios antigos, hoje dão lugar às lojas, bares, lanchonetes, restaurantes e magazines. Os bairros periféricos viraram cidades e ficaram independentes. De tudo se vende e se acha, e quem mora na Urbis VI, ou nas Vilas Serranas sabe bem do que estou falando; vários supermercados, farmácias, açougues e padarias, tão bem abastecidos que sequer dependem do centro comercial para sobreviverem, sem falar das barracas e quitandas que comercializam frutas e verduras. Isso tudo nos dá a sensação de estar vivendo em um ambiente concentrador de população e que enche de orgulho a quem nele reside.

Pois é. Aquela agitada província dos ‘Peduros e Meletes’, lideradas pelos coronéis e pelas famílias tradicionais “Gusmão, Ferraz, Flores, Gugé, Leite, Correia e ....,” – como preferiram dizer os historiadores Rui Medeiros e Aníbal Viana –, não existe mais, agora faz parte apenas dos nossos antepassados e da narrativa histórica. O rápido crescimento do município recomendou novos caminhos, novos hábitos e novas atitudes. Também pudera Conquista desfruta de uma situação geográfica privilegiada, quem vai para o sul ou para o norte tem que passar por aqui e nesse trajeto alguns terminam ficando e engrossando as fileiras de sua população. Assim nesse contexto o que se vê são construções e mais construções, bem como respeitáveis reformas. O bairro Candeias, por exemplo, troca de plumagem frequentemente. Saí o matagal entra edifícios e condomínios de luxo, cada mansão mais bela que outra e a indumentária dos prédios nem se fala. Nasce uma nova urbe induzida pela utopia inevitável do desenvolvimento. Para os futuristas, logo, logo será uma capital; já dispõem de shoppings, centros de cultura, Núcleos Universitários, Parque Industrial, Comércio forte e em contínua expansão; um competitivo Setor Financeiro, uma Rede Hoteleira pujante e outras beldades do mundo moderno.
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Óbvio que a evolução é a natural consequência do desenvolvimento, uma continuação do tempo que é enriquecido com as modificações provocadas pelo homem. Dizem os especialistas que a vida nas cidades é uma eterna sequência de mudanças, o mesmo que as páginas de um livro que vão sendo escritas diariamente, contudo, requer de todo habitante o zelo por cada lauda que vai se construindo, cujo resultado é uma edição biográfica de admirável conteúdo.
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A história nos revela que no passado as mega-cidades marcavam eras e valia muito ser grande e populosa. Como aconteceu na Roma Antiga, na medieval Bagdá, e na Londres nos meados dos séculos XIX e XX. Demograficamente, Londres foi a dona do pedaço entre 1850 e 1950, depois ultrapassada por Nova York. O efeito dominó a fez cair na década de 80, quando Tóquio a suplantou com as proezas industriais. Mas uma lista das grandes áreas metropolitanas do mundo atualmente incluiria além de Tóquio e Nova York, também, São Paulo, Cidade do México e Xangai. Estas referências servem de modelo para que as gerações futuras, notadamente os urbanistas, reflitam e não caiam na mesmice do ‘inchaço’, causado por escolhas eivadas que trouxeram consequências desastrosas para os moradores dessas grandes metrópoles.
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Agora estamos praticamente no final da primeira década do século 21, e Vitória da Conquista vive um momento muito diferente. Uma trajetória de perspectiva, limites e esperança. Aliás, presencia-se a emergência de uma nova estratificação social e um processo de formação de mais uma afinidade que insurge e rodopia em si mesma, como toda cidade de grande porte. E seus filhos, quotidianamente vão se adaptando a esta realidade que aprenderam a chamar de progresso.


Ezequiel Sena

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sábado, 4 de julho de 2009

Vítimas do medo


Por Ezequiel Sena
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Violência. Palavra forte, banalizada e trágica, muito em moda atualmente. A violência no passado se limitava aos campos de batalhas, as guerras civis e o confronto militar entre nações, mas nos dias atuais define quase tudo que ameaça a raça humana e a vida do nosso planeta. Hoje viver nas grandes cidades é se expor continuamente à violência; e morar na província é fugir dela. Ledo engano. Para muitos, esse sempre foi o sonho dos que buscam a paz que perdeu e não existe mais nas capitais. Mas, infelizmente, a vida no campo ou no interior deixou de ser sinônimo de tranquilidade. As mazelas, hábitos e costumes, péssimos, a bem dizer, chegaram com a globalização, e foram se incorporando ao nosso cotidiano de forma tão irreversível que inconscientemente mal percebemos, ou melhor, imaginamos que faz parte do desenvolvimento e o aceitamos como “progresso”.

A vida saudável, boa alimentação, uma melhor proximidade com a natureza; enfim, era o que se buscava encontrar na vida bucólica do campo, mas vejo que tudo faz parte, cada vez mais, de um saudoso, romântico e distante passado. O que é lastimável. Com a ordem inversa do êxodo rural, que antes fazia com que os campos ficassem despovoados, as cidades de médio e grande porte inchando, sem planejamento e com isso transferindo os mesmos problemas adquiridos no inicio de muitas dessas metrópoles.
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Hoje estamos bem informados e observamos que o interior compartilha dos mesmos erros e pecados dos grandes centros urbanos; a liberdade nunca esteve tão monitorada quanto agora. Nem de perto se compara com os tempos de repressão política, e nem nos piores momentos em que o mundo esteve privado de suas crenças e valores (como no comunismo), devido a guerras e incursões ideológicas e ditatoriais. A realidade é que estamos vivendo isolados, dentro de nossas casas que mais se assemelham a fortalezas, muros altíssimos, onde a sala tem uma câmera, em cima da televisão outra, e no quintal fios esticados e circuitos internos para denunciar o inimigo social invisível e ameaçador –; sempre filmando a hora que saímos e retornamos. E o que é pior, a vigilância nunca esteve tão presente em nossas vidas, e nem sempre conseguimos compreender o porquê de tanta segurança e exposição de intimidade. Paranóia deve ser a explicação.
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O fato é que devido aos índices alarmantes de violência, atualmente não podemos mais viver sem sermos monitorados, principalmente nos locais de trabalho, onde as câmeras registram os passos dos empregados e dos visitantes. Tudo é gravado 24 horas por dia. Começa quando se entra no prédio, passa, quase que obrigatoriamente, pelo momento em que são abertas e fechadas as portas até a hora que, finalmente, o trabalhador senta em sua mesa e começa a executar suas tarefas. A realidade, apesar de dura, é essa. Por mais que se evite o constrangimento, a nossa privacidade está sendo invadida, fazendo com que todos se tornem e sintam-se reféns participantes de verdadeiros realitys shows televisivos.
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Em verdade as pessoas costumam seguir padrões predeterminados pelo mundo moderno onde a novidade amedronta e incomoda. A indiferença, a desconfiança ou até o descaso virou rotina na vida das pessoas. Quantas vezes observamos um olhar vindo de alguém em sua direção e você não corresponde? Certamente que é pelos exemplos que estamos acostumados a testemunhar através dos telejornais e o instinto de defesa faz com que nos tornemos mais arredios, frios, desconfiados e a cada vez mais isolados. Poucos são os que abrem um sorriso, nos reconhecem e cumprimentam como igual. De acordo Sigmund Freud, “o homem evolui através dos seus próprios medos”. Contrariando o seu pensamento, creio ser necessário aprender a controlar o medo para evitar que ele se apodere da nossa razão. O lado bom do medo é que ele nos guia e aponta as situações de perigo, nos tornando mais precavidos e não vítimas do medo, apenas isso.
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Caminhar pelas ruas, mesmo nas pequenas cidades do interior, já não é mais seguro, apesar de centenas de câmeras acompanhado seus passos, a violência não é contida. O mais curioso é quando acontece um crime ou um acidente, na maioria das vezes, ninguém sabe ou viu, pois ninguém quer se comprometer. Prevalecendo portanto a lei do silêncio. A vigilância sistemática previne, mas ainda está longe de inibir a criminalidade. Basta dizer que segundo estatística publicada no Jornal A Tarde, de 30/03/2009, nos primeiros 85 dias deste ano aqui na Bahia foram registrados 452 assassinatos, ou seja, praticamente 150 homicídios por mês. Uma realidade que assusta e nos deixa perplexos – um verdadeiro massacre! Imaginem esta mesma estatística a nível Nacional. Pasmem, um genocídio!
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Para os cristãos que ainda acreditam em dias melhores, como eu, noto que a esperança se esvai e os ensinamentos Daquele que aqui esteve com a pregação de paz e irmandade, ao retornar se sentirá entristecido quando presenciar que seus seguidores estão fazendo o contrário. Nós, humanos, ainda estamos em tempo de reconstruir a vida ou fazermos o nosso apocalipse.

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Resgatando a tradição do autêntico forró


Por Ezequiel Sena

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Há décadas o filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno (1903-1969), membro da Escola de Frankfurt, uma das maiores figuras pensantes do século XX, crítico severo dos modernos meios de comunicação de massa já alertava sobre a produção da cultura de consumo, cujo objetivo seria unicamente o lucro financeiro, a amortização da consciência e da verdadeira tradição popular – o fim da arte. De acordo com o seu pensamento, os pseudo-artistas estilizados industrialmente nada criam de belo, reproduzem apenas algo que vende, mas pobre em conteúdo. Por isso, não podem ser considerados legítimos artistas. A música tradicional não deve morrer ou cair no esquecimento em favor da ascensão do resquício que, em primeira mão, é valorizado pelos contratos, em detrimento da memória do próprio povo. Enquanto as cidades assistirem caladas a intensa proliferação desse tipo de cultura de massa a arte tende a desvanecer.

Trazendo para os dias de hoje e analisando as antevisões do pensador, ninguém melhor que os pernambucanos para começarem ditando as regras do que é melhor e mais correto para se preservar as tradições culturais do povo nordestino. Segundo eles, as comemorações do São João deste ano tentarão resgatar as raízes da música que mais entusiasma e alegra o norte e o nordeste do Brasil – o forró. Caruaru, a chamada capital forrozeira, região do Agreste, saiu na frente com regulamentação oficial e tudo mais que é de direito. A Fundação de Cultura do Município anunciou que os festejos juninos vão estar voltados para as tradições, com maior ênfase para o genuíno forró pé-de-serra. O forró estilizado está banido das apresentações. As contestações e a polêmica geradas em torno da medida dividiram opiniões. Enquanto isso, o clima de animosidade ferveu mais ainda quando os representantes da Cultura anunciaram que as “bandas apelativas” estavam fora da programação. “O São João daqui nasceu, se fortaleceu e cresceu através do forró autêntico, das bandas e dos verdadeiros artistas forrozeiros. Queremos resgatar essa tradição” explica o presidente da Fundação, José Pereira. “Não podemos repetir a vergonha do ano passado: uma integrante de uma banda chegou a tirar o sutiã. Em outra ocasião, um cantor mostrou as nádegas, além dos gestos obscenos exibidos durante as falas nos microfones” completou.
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O forró é o estilo musical mais popular e típico das festas nordestinas, principalmente nas comemorações juninas. Embora o nome forró é tido como palavra proveniente da língua inglesa “for all”, que quer dizer ‘para todos’, o folclorista Câmara Cascudo assegura que tem raiz afro-indígena e deriva da palavra ‘forrobodó’; outros garantem que tem forte influência européia, de maneira especial dos portugueses e holandeses, que é interpretado sob vários ritmos, como o baião, o xote, o xaxado, o coco e etc. Enquanto o baião é o preferido da maioria. Os mestres do assunto embelezam e filtram o tema jurando que o forró é a melodia e o baião é a coreografia. Apesar de ter se afastado bastante da sua real autenticidade, usufrui ainda de grandioso destaque na mídia de todos os cantos do norte e nordeste e alcança espaço no sul e sudeste, bem como internacionalmente.
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A essência da música do puro forró leva a chancela do seu principal representante – Luiz Gonzaga, conhecido e imortalizado Rei do Baião, insuperável na criação de ritmos – parceiro do grande compositor Humberto Teixeira, pai da atriz Denise Dumont, sua extensa obra enaltece a cultura brasileira em todos os sentidos. O carisma das músicas do Gonzagão, associado à rica poesia de Catulo da Paixão Cearense, Patativa do Assaré, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Lourival Batista, Job Patriota, Zé Limeira da Paraíba, Flávio José, Trio Nordestino e tantos outros contemporâneos... fizeram e fazem eternizar o ritmo da arte popular no nosso País e no mundo. Aquele forrozinho gostoso de ouvir, de se alegrar e de dançar onde a cadência da sanfona, da zabumba, do pandeiro e do triângulo é insubstituível. A melodia mais tocada nas rádios do Norte e Nordeste no período de abril a julho. E há algum tempo vem ganhando adeptos nas grandes capitais como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde vários clubes e boites trazem como atração principal bandas forrozeiras.
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Atualmente a festa do tão venerado santo se transformou num espetáculo à parte para as tradições religiosas. Porém, ainda com a notoriedade do lado profano, o rumo das comemorações é bem atípico em muitas localidades, contudo, as comemorações de São João é um convite para que cada cristão se torne como João Batista, luz que abre os olhos alheios à presença de Jesus entre nós.
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Quer saber, até com as hostilidades que vem sendo despejadas por alguns conservadores mais exaltados contra as parafernálias das bandas, creio que essa briga é muito desigual e divide muito os conceitos. Combater o desenvolvimento da música industrializada julgo eu ser o mesmo que dar murros em ponta de faca; como não sou o dono da verdade, prefiro ficar com a frase do velho Lula – “há espaço pra todo mundo, basta somente disciplina”.

Ezequiel Sena

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sábado, 13 de junho de 2009

Uma persistência milionária


De vez em quando acontece um caso que surpreende, estimula a imaginação, chama a atenção e o assunto fica um tempão sendo comentado, deixando com isso muita gente cheia de inveja, mas com o passar dos dias os excessos serenam e a rotina faz tudo voltar à normalidade. Um fato que tomou conta do noticiário esta semana foi com um metalúrgico da cidade de Taubaté, a 140 km da Capital de São Paulo – ficou 20 anos repetindo os mesmos números na Mega-Sena – e em razão disso se tornou o mais novo milionário da persistência no Brasil. Neste caso, a persistência conferiu-lhe a maior de todas as vitórias – a vitória pessoal. Além do dinheiro, o sentimento de realização por ter conseguido aquilo que sempre almejou e sonhou.

Ayrton Senna era o sinônimo da persistência, perfeccionista nato, metódico, determinado e até individualista quando focava seus objetivos. Dizem que era o maior carrasco de si mesmo. Desse jeito se tornou um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1 e um dos grandes ídolos que o Brasil conheceu. Dizia ele: “quando estou dentro do carro, não busco a melhor volta, eu faço a melhor volta da minha vida, e a cada nova volta, o objetivo se renova”. Outros como Oscar Schmidt, Ronaldo fenômeno, Irmã Dulce... Presidente Lula. E por que não!? O Presidente Luis Inácio Lula da Silva foi derrotado por Fernando Collor; perdeu duas vezes seguida para Fernando Henrique Cardoso e não desistiu. Hoje, embora ele descarte a idéia, alguns de seus aliados já murmuram um terceiro mandato. A meu ver uma insinuação antidemocrática.
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Mas voltando ao milionário da persistência, o felizardo disse para a assessoria de imprensa da Caixa que sempre jogou os números sorteados no concurso 1055, realizado em 11 de março último. Não tinha conferido o bilhete até segunda-feira (08), mas ao assistir a reportagem do telejornal da TV Vanguarda, dando destaque que existia uma aposta premiada de Taubaté prestes a prescrever pelo não comparecimento do ganhador. “Aquilo me tomou de curiosidade e fez com que eu recorresse ao computador para conferir. E o mais temeroso de tudo é que faltavam poucas horas para expirar o prazo de apresentar o bilhete premiado”, e disse ainda, “passei a noite inteira sem dormir, pois minha esposa fez uma faxina na casa semanas atrás e retirou o bilhete que eu sempre colocava debaixo da imagem de Nossa Senhora Aparecida, e botado em um copo de chope que fica na estante” – concluiu o metalúrgico.
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Depois de encontrado o bilhete da aposta de R$ 1,75 e aliviado do susto, falou “conferi e vi que eu era o ganhador de R$ 5.273.833,35. Quase tive uma parada cardíaca. E quando contei para minha mulher, ela e eu conferimos várias vezes sem acreditar no que estava acontecendo”. “Eu e minha esposa não conseguimos dormir e só sossegamos quando a agência da Caixa abriu. Sei que foi muita sorte a minha. Se eu não estivesse assistindo ao jornal na segunda à noite, hoje eu não estaria rico”.
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Segundo a assessoria da Caixa, o ganhador é metalúrgico e torcedor doente do Corinthians e deixou um recado para as esposas: “As mulheres que resolvem fazer faxina e tirar as coisas do marido do devido lugar, sempre causam problema. A sorte é que a minha guardou o bilhete em outro local fácil”.
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Eu, particularmente, compreendo perfeitamente que muitas vezes a persistência está atrelada ao esforço, à vontade e até a dor. Talvez um teste de resistência consigo mesmo, mas há de se considerar que a persistência nunca deve estar ligada à teimosia. Percebe-se o quanto a persistência é importante na nossa vida, ela pode ser o combustível para a auto-estima, uma energia para o que é positivo. Os obstáculos são comuns e necessários e render-se a eles simboliza fraqueza. A genialidade do pensador Charles Chaplin resume tudo isso em poucas palavras: “A PERSISTÊNCIA É O CAMINHO DO ÊXITO”.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Época de ouro dos cinemas conquistenses


Por Ezequiel Sena
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Dizem que recordar é despertar o imaginário da alma. Talvez seja isso que leva as pessoas a gostarem tanto de relembrar as histórias do passado. Para muitos, principalmente os escritores, o passado funciona como fonte inspiradora de suas obras. Com todo o respeito a quem pensa diferente, desde que não se torne refém dele (o passado), imagino que é horrível você não ter nada de sua existência para contar. A sabedoria popular afiança que “recordar é viver”.

As reminiscências, além de transportar a pessoa para os lugares mais recônditos do seu inconsciente, fazem bem ao espírito e amenizam as asperezas ilusórias do cotidiano. Está provado que as crianças são mais felizes porque se iludem com mais facilidade; enquanto, nós adultos, julgamos ser mais espertos do que elas, tornamo-nos mais amargos, frios e calculistas. Queiram ou não é a realidade. Não existe nada que deprime mais o ser humano do que a realidade. A realidade chega a ser cruel – exibe a vida como ela é cheia de aberrações, obrigações, compromissos e responsabilidades. É muito perversa a realidade. Mas por falar em perversa realidade, ontem ao passar pelo centro, esbarrei-me com o ex-colega e amigo Edilno Macedo, o Ferreira do Cine Madrigal, o papo não poderia ser outro senão sobre cinemas e o seu desapontamento com o fechamento das salas, muitas delas vendidas para templos religiosos, ou dando lugar a prédios comerciais – imposição normal de um mundo em transformação.


Pois é, iniciamos o papo discorrendo sobre os grandes palcos que tivemos. Bons tempos aqueles – finalzinho da década de 60 até meados dos anos 80 –, quando desfrutávamos do Cine Conquista e do Cine Ritz, na Praça Barão do Rio Branco, do Cine Glória na Francisco Santos, e, do outro lado da cidade o Cine Eldorado que era o bambambã na exibição de filmes históricos e épicos. Não nos foi possível conversarmos a respeito dos shows de calouros, que de qualquer forma abstenho-me, já muito relembrados por cronistas amigos. Chegamos a ter seis bons cinemas com o cine Trianon. Época de ouro aquela quando as pessoas davam muito mais importância à sétima arte. A leitura também fazia parte do passatempo dos jovens; gibis e livros de bolso de agentes fictícios do FBI, CIA, aventuras de Brigitte Montfort (a espiã Baby), os faroestes, as histórias de amor, e as italianíssimas revistas Sétimo Céu, Capricho, Grande Hotel etc., era a rotina da maioria dos estudantes, e quando a aula era vaga desciam em grupo para assistir a sessão da matinée e namorar no escurinho do cinema. Na saída saborear os picolés do Bar Lindóia e da Confeitaria Araci. Naturalmente os tempos são outros. Agora passamos a “ler” mais televisão, vídeo, celular, DVD e a Internet. Os avanços tecnológicos impuseram uma revolução muito rápida e, consequentemente nos costumes, isso fez com que as pessoas ficassem mais arredias, individualistas e reclusas.
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Cine Madrigal inaugurado em 1968, o maior templo do cinema conquistense, está fechado, mas na nossa memória ficou gravado uma sala que tinha por tradição tocar músicas orquestradas até a hora o filme começar. O fundo musical “Je T’aime” sinalizava a redução das luzes para dar início ao espetáculo. Muitos romances e paqueras foram fortemente influenciados por essa canção de bela melodia. Já outro que traz muita saudade é o telejornal CANAL 100, a coqueluche dos amantes do futebol. Os jogadores em câmara lenta deixavam a plateia bem próxima do jogo e encantada com a beleza das imagens, sem contar a trilha sonora “Na cadência do samba" que era muito mais que um hino do futebol brasileiro. Hoje só comparado à música que reverenciava o saudoso Ayrton Senna nas manhãs de domingo.
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Com os olhos úmidos, Edilno relembra: “o apoio que recebi da imprensa foi muito importante, senão teria fechado há mais tempo – as rádios, a TV Sudoeste, o Jornal a Tarde e todos periódicos locais fizeram de tudo para me ajudar, porém compreendi que não havia outro jeito, o fenômeno não era específico das cidades do interior, isso estava acontecendo também em todas as capitais do país. Digo mais, Titanic foi o último filme de repercussão e o maior campeão de bilheteria de todos os tempos, chegando a permanecer em cartaz 66 dias e de casa lotada. O sucesso foi tanto que, inclusive, vinham caravanas de outras cidades assistirem, notadamente do norte de Minas”, conclui Ferreira. Como consolo, e se adequando a rápida mudança de comportamento do público, agora nos resta, no Shopping Conquista Sul, uma sala de cinema que mesmo pouco frequentada vai se mantendo, e só Deus sabe até quando!
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Agora, justiça seja feita, o Ferreira lutou contra todas as adversidades para que não fechasse o "último dos moicanos” ¬– o Cine Madrigal – mas foi vencido. Aquele ambiente que tivemos a felicidade de curtir grandes clássicos como “E o Vento Levou”, “Os Dez Mandamentos”, “Bem Hur”, “Sansão e Dalila”, “Doutor Jivago”, “O Poderoso Chefão”, outros e outros. Longas-metragens que impressionavam pela riqueza dos figurinos e ainda os western com John Wayne, Clint Eastwood, os espaguetes italianos com Giuliano Gema, Terence Hill e seu irmão inseparável Bud Spencer; D’Jango, Bill the Kid, Fernando Sancho (o vilão-herói), Lee Van Cleef o “El Condor” além, é claro, das películas nacionais de grande repercussão estreladas por Mazaroppi, Grande Otelo, Oscarito, Zé Trindade e o Ronald Golias que empolgavam a meninada. Outros grandes sucessos de bilheteria como ‘Dio como ti amo’, no final dos anos 60 que, segundo Ferreira, o cinema conquistense foi o pioneiro a rodar a fita no Brasil. E tantos outros como Non son degno di te (Gianni Morandi), Love Store, Romeu e Julieta, o Exorcista, anos 70... fizeram a história do cinema na cidade.
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Hoje, o salão do Madrigal permanece lacrado. Não se sabe qual o fim será dado a esse gigante e suas instalações. As lojas que ficam no térreo estão em pleno funcionamento, os comerciantes do quarteirão entre as ruas Ernesto Dantas e 7 de Setembro lamentam a situação, e principalmente pelo desgaste natural do tempo. Preocupam também com a perda de valor da área e desconhecem a realidade dos proprietários, mas avistam como sendo um ponto ideal para que as autoridades pensem em utilizá-lo como museu, ou, quem sabe, um local recreativo com fins culturais. Bem, aqui vai a sugestão de um saudosista de carteirinha.

Ezequiel Sena


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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Compra de livro didático gera polêmica


Por Ezequiel Sena
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Um erro inaceitável. Os telejornais da última terça-feira (19) divulgaram que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo comprou livros didáticos com conteúdo de obscenidade. O material que faz parte do programa “Ler e Escrever” foi enviado às escolas para servir de apoio aos alunos da 3ª série do ensino fundamental, com idade média de nove anos. ‘Dez na área, um na banheira e ninguém no gol’ é uma coletânea elaborada por diferentes autores composta de 11 histórias em quadrinhos, que aborda temas relacionados ao futebol. Além do preceito sexual, é recheada com desenhos de agressões físicas, mulheres seminuas, palavrões e piadas de duplo sentido. Contém ainda diálogos chulos e inadequados para criança; dentre os quais, um personagem diz: “Eu vi as coxas da mina do Tchan.” O outro retruca: “Eu chupava elas todinhas.” A polêmica gerada causou um clima de indignação e constrangimento muito desagradável entre os educadores, chegando, inclusive, aos ouvidos do Palácio do Governo.

Não parou por aí o desconforto. Dos 1.700 exemplares comprados, 1.216 foram distribuídos nas escolas e isso aumentou ainda mais a aflição entre as autoridades da Secretaria de Educação, até o governador José Serra reconheceu o erro e em entrevista ao SPTV disse: “Eu, aliás, achei de muito mau gosto. Nós abrimos uma sindicância para apurar a responsabilidade. Está sendo investigado e as pessoas que deixaram o livro passar despercebido vão ser punidas”. Rechaçou Serra.

Para Ângela Soligo, coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, o livro reforça a banalização do sexo e tem papel inverso. “Se esse material transmite preconceito, caricatura, palavrão, uma visão deturpada da sexualidade, então o lugar dele não é na escola. Isso evidencia claramente uma falta de zelo com a escolha do material que vai para a escola. Quem escolheu, não leu. Ou quem escolheu leu, mas não tem a formação e o conhecimento necessário para perceber que aquele não é um livro para crianças.”

Enquanto o especialista Vitor Paro da Faculdade de Educação da USP entende que a indicação desse livro para um programa de incentivo à alfabetização é de causar perplexidade. "Uma coisa é ouvir o palavrão na rua. Outra é a escola endossar o palavrão. Oferecer um livro assim é dar a chancela de que isso é certo." Uma criança de nove anos não tem personalidade formada para essas informações. "É pornografia."

Por outro lado, a Associação dos Cartunistas do Brasil manifestou repúdio à forma como a imprensa vem tratando o livro publicado pela editora Via Leterra, prefaciado pelo ex-atleta Tostão: "O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular". Já no site Universo HQ, o jornalista Eduardo Nasi acrescenta o seguinte: "O problema não é o álbum. Óbvio que não. O problema, claro, é que alguma besta do governo indicou o livro para compra porque deve ter considerado que era uma boa recomendação. Para se proteger, Serra jogou a culpa no lado mais fraco: a HQ. É uma atitude covarde. Mas recorrente em políticos acuados pelas barbaridades que fazem”.

Pois é, imagino que aquilo que deveria servir de apoio aos alunos da 3ª série do ensino fundamental virou pesadelo e o resultado é mais dinheiro público jogado pelo ralo. Não ganhou maiores proporções porque chegou ao conhecimento da mídia – cada exemplar, segundo a Folha de São Paulo, custou aos cofres públicos R$ 21,86. Agora que é muito estranho um livro com esses “atributos” passar pela alta cúpula do governo sem que ninguém perceba, isto é.

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um homem de fé e serenidade


Por Ezequiel Sena

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“Estou me sentindo bem. Eu não tenho nada. Eu não tenho nenhum sintoma. Eu não tenho dor nenhuma, isso não é nada. Os exames de sangue estão perfeitos, todos”, disse José Alencar. Seguramente o que para muita gente seria o maior desespero; para outros o fundo do poço, mas para ele que demonstra, acima de qualquer coisa, a fé e a lucidez perseverando na sua vida, apenas mais uma preocupação que não é motivo para deixar a tristeza tomar conta do seu dia-a-dia. Isto é o que se percebe no semblante do vice-presidente da República, depois da notícia de agravamento da sua doença. Segundo os médicos, os exames revelaram novos focos do tumor maligno se espalhando pelo seu intestino chegando ao total de 18 lesões.

Contudo, uma notícia que ninguém queria ouvir virou fato concreto – justamente após 03 meses da cirurgia, o sarcoma, ou seja, tumor canceroso que ele luta desde 2006, voltou. Para a equipe médica, seria temerosa uma nova cirurgia neste momento, entretanto, avalia qual o tipo de quimioterapia poderá ser ideal e bem mais eficaz neste instante. Não é nada confortável para mim, voltar a comentar algo tão doloroso assim, mas a consistência e a lição de vida que se tira dessa situação é algo de muita persistência.
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O episódio por si só traduz o lado nobre da sensibilidade humana. Já o que mais impressiona na personalidade do José de Alencar é a sua resignação; mesmo com os seus 77 anos de idade e em circunstância tão adversa não se abala. O otimismo de suas palavras chega a ser contagiante e carregada de grande emoção. Sorridente disse, na ultima terça-feira (12) na televisão, que não se surpreende com o diagnóstico e vai continuar lutando. Reforçou ainda: “A vida tem obstáculos. A gente tem que ter serenidade e lutar sem desespero para enfrentar a situação da melhor maneira possível. A minha vida, assim como a de todos, está nas mãos de Deus. Não adianta pensar diferente. A morte é um fenômeno natural da vida. Todos nascem e vão morrer um dia e eu também. Quando, eu não sei” concluiu.
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Muita gente, frente a problemas bem menores, até insignificantes, se abala a ponto de chegar ao desespero e perder a motivação de viver. Porém, quando o testemunho de alguém como este do vice (Alencar), é que se toma consciência do quanto a nossa vida é frágil e efêmera. No Brasil existe uma carência muito grande de boas referências, no entanto, elas surgem e, às vezes, de onde menos se espera – como é o caso do vice-presidente, mesmo pertencendo à classe mais desgastada e desacreditada pela sociedade é um exemplo de pudor e dignidade.
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Espelho de gente assim leva-nos à reflexão que é inútil perder tempo com presunções; a vida está aí, plena, ofertando a cada um de nós inúmeras possibilidades de aprendizagem e a perseverança é a maior virtude. Agora se ficarmos imaginando no que pode advir, veremos que as condições e as possibilidades surgirão, no entanto, nenhuma certeza. Como a tragédia pode chegar a qualquer um, deixe-me então viver na ignorância! Consciente do hoje, não sofrendo pelas incertezas do amanhã. De que adianta a ofensa, o rancor, a desonra, a maldade e a difamação?... isso são apenas futilidades que nos tornam mais ásperos e carrascos de nós mesmos. A sabedoria nos ensina que o tempo é o senhor da razão e pensar de maneira diferente é querer ser o dono da verdade. É pensar pequeno!

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domingo, 10 de maio de 2009

Dia das Mães é muito mais que presentes


Por Ezequiel Sena
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Não me entusiasma muito o apelo comercial do Dia das Mães, aliás, reconheço que é uma maneira bastante criativa para se comemorar uma data singular e importante para as nossas mães. Óbvio, sem aquela preocupação com presentes, mas com o carinho que se deve ter por esta pessoa tão especial nas nossas vidas. Para os poetas, mãe é como um oceano de emoções que deságua nas variantes do sentimento e se transborda na eloquência da poesia. É tema do amor intemporal. Mãe de verdade não é necessariamente a que teve a dádiva de dar à luz, mas, sobretudo, a que carrega a luz no coração e no espírito. Aquela que pela generosidade, ou por razões sublimes e abnegadas, cria e ama o filho de outra como se no próprio ventre tivesse gerado. Já dizia Carlos Drummond de Andrade, (1902-1987): “Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e a chuva desaba; veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento... Mãe, na sua graça, é eternidade...”

Ao pé da letra não há propriamente uma narrativa que não seja romântica para o segundo domingo de maio. A história nos conta que a mais antiga comemoração do Dia das Mães é mitológica. Porém, a data só foi normatizada em 1914, pelo então presidente dos Estados Unidos, Thomas Woodrow Wilson (1913-1921), unificando a celebração para que fosse comemorado sempre no segundo domingo de maio. Já no Brasil o primeiro Dia das Mães foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918, contudo, somente em 1932, o presidente Getúlio Vargas oficializou a data.
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Hoje muitas choram inconsolavelmente pelas dores e desconfortos causados pelas “perdas” quando veem seus filhos submergirem na agonia da violência que arruína a sociedade. É verdade que há filhos que sequer conhecem bem suas mães, e o que é pior, não sabem o que escolher neste dia para agradar a mulher que fez o possível e o impossível para criá-los e educá-los. Cresceu e quando se deu conta do tempo que passou, percebe que nem conversaram direito, porque ela precisou trabalhar fora para ajudar no sustento da família. Evidente que a maioria das mães não vai ser agradada com apenas um eletrodoméstico, certamente um gesto de bondade e amor seja mais significativo e bem melhor recebido do que um presente que a faça lembrar-se das tarefas domésticas.
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Mas falar de mãe nunca podemos nos esquecer das mães ainda meninas que contra ventos e marés têm a valentia de assumirem sozinhas uma gravidez – na maioria das vezes inoportunas e indesejadas – e para dar prioridade à maternidade, enfrentam preconceitos e problemas de toda a ordem, pois se tornam vítimas de companheiros ou namorados que, além de ignorá-las e abandoná-las, sequer admitem que naquela barriga existe um ser que também lhe pertence.
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Quantas precocemente envelhecidas, até esquecidas de si mesmas, tornam-se amarguradas, tristes e desconsoladas, por não ter o reconhecimento dos próprios filhos. Sentem-se solitárias, estagnadas, não amadas e ao mesmo tempo indesejadas. Apesar de todas as dores, dos cansaços e dos desencantos são grandes guerreiras e voluntariosas, amam sorriem e brincam felizes com seus filhos da forma que Deus lhes presenteou – sadios ou portadores de necessidades, pobres ou ricos, feios ou bonitos, isso pouco importa já que para elas o amor entre filhos não se distingue ou faz qualquer diferença.
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Com a reflexão do poeta: “mãe não tem limite, é tempo sem hora e luz que não se apaga.” Parabéns para todas por mais este dia.




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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Explicações que não convencem


A coisa quando começa a ficar cingida, a apreensão substitui a razão, aumenta-se a incerteza, invade o sentido do razoável e o impraticável passa a ser a palavra-chave. O que vale mesmo é o que está escrito e pouco importa a suscitação da dúvida. Agora que tem alguma coisa merecendo explicação, isso tem. Até hoje não se consegue entender o porquê que não se reduz o valor dos combustíveis, principalmente da gasolina e do óleo diesel – uma vez que o barril do petróleo tinha beirado a casa dos 150 dólares e os efeitos da crise global fizeram cair para algo em torno de 50; e, ainda assim, o preço para o consumidor brasileiro permanece o mesmo. As explicações dos especialistas não conseguem convencer a ninguém e parece até que estamos anestesiados, já que a descrença é tanta que nenhuma pessoa sequer reclama.

Já no Fórum Empresarial de Comandatuba (BA) – na famosa Ilha da Fantasia, ali bem depois de Olivença, em Ilhéus, quando estiveram reunidos muitos governadores, empresários, membros do governo e o presidente Lula; o ministro de Minas e Energia Édison Lobão, nesta segunda-feira, 20, foi interrogado a respeito dos murmúrios que rondaram Brasília, semana passada, sobre a possibilidade de a Casa Civil interferir nos preços dos combustíveis. O ministro reagiu e afirmou ser possível baixar os preços da gasolina e do diesel nos próximos 120 dias. Um discurso que ao meu modo de entender faz pouco sentido prático, pois o descaso é tanto que é preciso quatro meses para a tomada de decisão. Isso, além de deixar a população indignada, demonstra como a morosidade e o combalido é vivenciado na gestão pública. Por conveniência, vão precisar de quatro meses ou mais para se tomar uma decisão sobre o preço de um produto que somente o Governo tem poder para tal. Se fosse o contrário, não restariam dúvidas que na virada da noite os postos seriam avisados e a população arcaria com o ônus e o quer é pior, sem direito a crítica.
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Tentando justificar-se, Lobão disse que a redução no preço dos combustíveis encontra resistências em muitas esferas, principalmente entre a maioria dos governadores. Falou também que se for feita de forma abrupta, além do prejuízo que a Petrobrás terá que arcar, os estados não abrem mão de perder arrecadação de ICMS, em função de uma possível queda no faturamento. "É natural que eles não gostem, porque estamos num momento em que todos estão perdendo receita. Mas nós vamos fazer mesmo assim", garantiu o ministro. De outra forma, a Petrobrás insiste no discurso de que não vai alterar um milímetro na política de preços, argumenta que quando o barril do petróleo estava em alta não houve qualquer aumento na bomba. Esquece ela, porém, que em novembro passado foi divulgado o seu balanço com um lucro recorde superando o período anterior em torno de 61%. Na verdade, o que se observa é a ganância das instituições e é óbvio que ninguém está disposto a ceder, ainda mais em situação de crise.
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Mesmo não sendo especialista no assunto, mas vejo que o Governo está diante de uma excelente oportunidade com a diminuição dos preços dos combustíveis, até porque o impacto sobre as demais etapas da produção pode incentivar a demanda de vários outros produtos, fazendo com que a ciranda da economia passe a girar com mais firmeza e proporcionar a geração de empregos, uma vez que a construção civil, a indústria automotiva e mais recente os fabricantes de eletrodomésticos obtiveram benefícios para estimular as suas respectivas cadeias produtivas, por consequência favorecendo o crescimento do PIB.
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Contudo, enquanto o foco da grande mídia estiver voltado para a farra das passagens aéreas do Congresso Nacional e para as asperezas dos ministros do Supremo Tribunal Federal – Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa; vamos ficar aguardando e torcendo para que a promessa do ministro de Minas e Energia se transforme em realidade, pois dentro de um raciocínio lógico e levando-se em conta o estado de orfandade em que está submetida a população brasileira não resta outro consolo senão esperar.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nível superior. Difícil com ele, pior sem ele!


Quando o exemplo está dentro da sua própria família é que se pode dimensionar o problema. No passado os pais interferiam, mesmo a contragosto dos filhos, na sua formação superior, e consequentemente profissional – quando não determinavam que seguissem o mesmo ofício deles – com isso interferindo nos sonhos e na realização pessoal dos seus descendentes; essencialmente os homens. Os pais sempre veem nos filhos a continuidade do que são ou o que eles não conseguiram realizar. Os filhos são portanto para eles uma fonte de retribuição para antigos desejos não consumados, mesmo ao custo de tolhê-los das suas aspirações. Atualmente isso é mais raro. A maioria das famílias sabe a importância de deixar que os adolescentes façam as escolhas por si mesmos. Porém, devido à imaturidade e falta de orientação, eles criam ilusões sobre determinadas carreiras, o que têm lhes proporcionado frustrações quando descobrem a verdadeira realidade.

Muito antes da crise mundial já era dramática a quantidade de pessoas com curso superior que estavam sem emprego em nosso país. A situação a cada dia se agrava, assim sendo, torna-se objeto de análise e preocupação para toda a sociedade e governantes em busca de alternativas para afastar a ameaça de descolocados que ronda o ensino superior no Brasil, uma vez que os estudiosos asseguram que a criação indiscriminada de faculdades também contribui para elevar a taxa de desempregados; e para piorar a situação, os vários cursos de terceiro grau existentes não param aleatoriamente de pôr gente no mercado de trabalho, a maioria jovem que terão enormes dificuldades na hora de procurar emprego em suas respectivas áreas.
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O problema ganha contornos mais carregados quando se examina o papel da faculdade na expectativa profissional. De acordo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, na década de 1960, somente 1% da população possuía curso superior, entretanto com o avanço da industrialização no país, esse perfil modificou. Atualmente, 8% dos brasileiros possuem diploma universitário. Para as famílias que se equilibram com dificuldade entre a prestação da casa e a possibilidade de trocar de carro no final do ano; a faculdade dos filhos é o maior patrimônio que se pode deixar como herança, já que o diploma, além de ser uma questão de orgulho, é uma das poucas esperanças de ascensão e estabilidade na vida dos filhos.
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Para o Ministro do Trabalho Carlos Lupi, as perdas com a falta de oferta de vagas nas empresas para a colocação de empregados com formação universitária possuem conotações distintas, ou seja: “a primeira é o prejuízo para o setor público, que investe pesado na oferta de cursos universitários gratuitos e, no entanto, os alunos se formam mas não têm onde trabalhar. A segunda é o detrimento para o próprio profissional, que, mesmo formado, se vê obrigado a aceitar qualquer tipo de ocupação dada a urgência da subsistência. Com o desemprego em níveis alarmantes, os trabalhadores com formação superior têm migrado para qualquer tipo de ocupação,” conclui o ministro.
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Já o novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Milton de Moura França, que tomou posse no último dia 02 de março, acrescentou que entende ser um dado verdadeiro quando se afirma que o que mais colabora com a oferta de vagas para pessoas com nível superior é o serviço público, onde ainda existem carreiras que exigem determinadas especialidades adquiridas somente por meio da realização de um curso superior, e o concurso público tem sido a saída para a maioria dos jovens brasileiros.
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Muitas famílias brasileiras sentem na pele este momento constrangedor e frustrante. O filho se forma e se vê obrigado aceitar uma colocação no mercado fora da sua formação acadêmica, principalmente a quem se habilita ao primeiro emprego. Muitos permanecem e encerram ali mesmo o sonho de se realizarem como advogados, administradores de empresas, economista, farmacêutico, fisioterapeuta, enfermeiro, etc... nas suas respectivas áreas, que com tanto sacrifício e dedicação se vê forçosamente excluído ou marginalizado de sua profissão. Faz-se necessário que as empresas facilitem e deem oportunidades para que estagiem, até porque a falta de experiência faz com que o jovem não consiga se colocar no mercado de trabalho.
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Para quem não consegue, realmente não é fácil! A decepção deixa indeléveis marcas para quem se preparou com este o objetivo: o de exercer a profissão escolhida. E tão sonhada! Infelizmente eu fiz e ainda faço parte dessa estatística de famílias que vivem o dilema e a carência do primeiro emprego para seus filhos, pois enfrento de forma equânime a falta de oportunidade. Creio que a solução está diretamente relacionada com a implementação de políticas mais consistentes e geradoras de emprego. Embora entenda que o trabalhador também não pode deixar de fazer a sua parte. Deve estar permanentemente em busca de atualização e de aprimoramento profissional. Porquanto, entendo que isso é só uma questão de tempo e amadurecimento pessoal e obstinação, logo a colocação surgirá. Contudo não é motivo para a pessoa estagnar –, atualizar-se se faz necessário e urgente, aprimorando os seus conhecimentos com cursos extracurriculares –, e, se possível, paralelamente aprenderem uma profissão que não fique tão distante da qual foi orientado e se especializou.


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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Uma omissão que parece interminável


Virou rotina o ciclo de descaso e inércia com que as autoridades tratam as nossas estradas –, e na Bahia não é diferente. Não conservar e deixar acabar totalmente para depois reconstruir são práticas conhecidas e eleitoreiras de governos do presente e do passado, com isso o custo de uma rodovia vai para a estratosfera. Mas se fosse decentemente pavimentada, não houvesse injunção político-eleitoreira, dependeria unicamente de manutenção, coibição dos excessos de carga e da fiscalização pelos órgãos competentes – no nosso caso o DER-BA e a nível federal o DNIT – o resultado seria outro; contudo, caso fosse totalmente privatizada, estaria sob os auspícios rigorosos da iniciativa privada que, sem dúvida, é mais eficiente que a União.

Agora sem a devida observância de preservação e vistoria contínua se gasta entre três e cinco vezes mais do que se gastaria com a manutenção realizada na época oportuna. Contrariar e subverter a lógica das coisas parece mais fácil e melhor, não um privilégio, porém um erro; aí então a história se repete, entra governo e sai governo o método é o mesmo. Paciência, já que postergar é um atavismo creditado ao nosso Brasil Império. Assim foi com Paulo Souto e neste momento com o governo Jaques Wagner que, mesmo com o apoio do presidente Lula, mantém-se em marcha lenta. Tanto é que alguns já o chamam de Wagner Pires, alusão ao ex-governador Waldir Pires. Com isso os prejuízos anuais para um estado tão carente como o nosso alcançam quantias exorbitantes, além, é claro, das dores causadas a milhares de famílias que perdem amigos e parentes em acidentes cada vez mais frequentes, justamente pela incompetência daqueles que deveriam cumprir com suas obrigações e não as fazem.
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Devido à precariedade da BA-262, nesta segunda-feira (06/04) um acidente de graves proporções, no trecho que liga Vitória da Conquista a Brumado, nas imediações do quilômetro 14, o motorista de uma Van ao tentar desviar de um buraco não conseguiu retornar, logo se chocou frontalmente com uma Caravan causando a morte instantânea de duas pessoas e mais de 12 hospitalizados, alguns gravemente feridos (acidente só comparável a um outro em maio/2007, na ponte de mão única que liga Tanhaçu a Sussuarana, quando morreram 15 pessoas). Segundo especialistas, trafegar em estradas nestas condições exige muita atenção, gasta-se o dobro do tempo na viagem e resulta em um elevado perigo para quem é obrigado a enfrentar esse desafio, e, ainda, significa um acréscimo de mais de 36% no custo operacional do veículo.
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Há coisa de uma semana, eu trafeguei até próximo a cidade de Aracatu; ‘in loco’, pude constatar que o trecho percorrido chega a ser penoso pela destruição da estrada. Por isso, entendo ser normal a indignação dos usuários. Realmente é uma omissão que parece interminável. Quando acontece um acidente com esta proporção chega a causar revolta na população, pois não se entende como o poder público deixa as coisas chegarem a este ponto.

Acredito que é possível eliminar esse caos com um pouco de vontade e um programa de conservação adequado e permanente. Sei também que para isso, faz-se necessário uma profunda reforma do setor, uma vez que envolve aspectos institucionais, financeiros, de gestão e acima de tudo do querer fazer dos nossos representantes. Confio ser uma saída até simples só não enxerga quem não quer ver. Reformulação idêntica, já vem sendo adotada em outros países como a Argentina, Chile, Austrália, Canadá e Nova Zelândia que fizeram contratos de gestão com empresas (públicas ou privadas) para gerenciar a conservação de suas rodovias. Uma implantação desse nível é sustentada através de uma tarifa ou taxa cobrada em conjunto com o preço dos combustíveis, que já existe e vigora em nosso país, constituindo-se assim um fundo a ser aplicado exclusivamente na conservação de vias públicas.
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Também é fundamental a nossa participação na supervisão dos recursos arrecadados, até porque, quanto mais transparente for à aplicação, maior será a segurança e satisfação para quem trafega e um custo bem inferior. De outra forma, com a conservação de estradas por meio do pedágio, verifica-se um alto grau de eficiência, no entanto, o custo operacional do pedágio situa-se em patamares que reduzem a receita obtida. Além do que, um sistema assim viabiliza somente as rodovias com grandes fluxos de tráfego e, mesmo não discordando, percebo ser uma boa alternativa, porém não se constitui numa solução definitiva para toda a malha rodoviária do País.
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Sinceramente, vejo que a precariedade do patrimônio rodoviário da Bahia e por que não dizer do Brasil é uma das consequências mais negativas para a nossa economia, principalmente pela montanha de dinheiro que ano após ano vem sendo jogado ralo a fora por falta de zelo dos governantes. Recursos esses que poderiam estar sendo reaproveitados ou direcionados para outros setores menos assistidos como saúde, educação ou diferentes demandas sociais,.. mas, por falha no gerenciamento, são perdidos.

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