sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um homem de fé e serenidade


Por Ezequiel Sena

.

“Estou me sentindo bem. Eu não tenho nada. Eu não tenho nenhum sintoma. Eu não tenho dor nenhuma, isso não é nada. Os exames de sangue estão perfeitos, todos”, disse José Alencar. Seguramente o que para muita gente seria o maior desespero; para outros o fundo do poço, mas para ele que demonstra, acima de qualquer coisa, a fé e a lucidez perseverando na sua vida, apenas mais uma preocupação que não é motivo para deixar a tristeza tomar conta do seu dia-a-dia. Isto é o que se percebe no semblante do vice-presidente da República, depois da notícia de agravamento da sua doença. Segundo os médicos, os exames revelaram novos focos do tumor maligno se espalhando pelo seu intestino chegando ao total de 18 lesões.

Contudo, uma notícia que ninguém queria ouvir virou fato concreto – justamente após 03 meses da cirurgia, o sarcoma, ou seja, tumor canceroso que ele luta desde 2006, voltou. Para a equipe médica, seria temerosa uma nova cirurgia neste momento, entretanto, avalia qual o tipo de quimioterapia poderá ser ideal e bem mais eficaz neste instante. Não é nada confortável para mim, voltar a comentar algo tão doloroso assim, mas a consistência e a lição de vida que se tira dessa situação é algo de muita persistência.
.
O episódio por si só traduz o lado nobre da sensibilidade humana. Já o que mais impressiona na personalidade do José de Alencar é a sua resignação; mesmo com os seus 77 anos de idade e em circunstância tão adversa não se abala. O otimismo de suas palavras chega a ser contagiante e carregada de grande emoção. Sorridente disse, na ultima terça-feira (12) na televisão, que não se surpreende com o diagnóstico e vai continuar lutando. Reforçou ainda: “A vida tem obstáculos. A gente tem que ter serenidade e lutar sem desespero para enfrentar a situação da melhor maneira possível. A minha vida, assim como a de todos, está nas mãos de Deus. Não adianta pensar diferente. A morte é um fenômeno natural da vida. Todos nascem e vão morrer um dia e eu também. Quando, eu não sei” concluiu.
.
Muita gente, frente a problemas bem menores, até insignificantes, se abala a ponto de chegar ao desespero e perder a motivação de viver. Porém, quando o testemunho de alguém como este do vice (Alencar), é que se toma consciência do quanto a nossa vida é frágil e efêmera. No Brasil existe uma carência muito grande de boas referências, no entanto, elas surgem e, às vezes, de onde menos se espera – como é o caso do vice-presidente, mesmo pertencendo à classe mais desgastada e desacreditada pela sociedade é um exemplo de pudor e dignidade.
.
Espelho de gente assim leva-nos à reflexão que é inútil perder tempo com presunções; a vida está aí, plena, ofertando a cada um de nós inúmeras possibilidades de aprendizagem e a perseverança é a maior virtude. Agora se ficarmos imaginando no que pode advir, veremos que as condições e as possibilidades surgirão, no entanto, nenhuma certeza. Como a tragédia pode chegar a qualquer um, deixe-me então viver na ignorância! Consciente do hoje, não sofrendo pelas incertezas do amanhã. De que adianta a ofensa, o rancor, a desonra, a maldade e a difamação?... isso são apenas futilidades que nos tornam mais ásperos e carrascos de nós mesmos. A sabedoria nos ensina que o tempo é o senhor da razão e pensar de maneira diferente é querer ser o dono da verdade. É pensar pequeno!

Um comentário:

Anônimo disse...

Ezequiel, so discordo de voce no seguinte: referencias nós temos muitas - como Castelos, Farra das passagens etc. Ah,Ah... rs, rs, rs,- Falando serio nossos modelos de gente seria a cada dia mais escassos. Um aqui outro acolá mas a maioria é tudo farinha do mesmo saco. Bom texto.