Por Junior Patente, http://www.juniorpatente.com/
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Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil deste ano trata sobre a violência, tema que se tornou prioritário nas discussões da sociedade.
Sobre o tema, conversei com o Padre João Cardoso, coordenador da Pastoral Diocesana de Vitória da Conquista.
- Qual a importância de se discutir, nesse momento, a segurança pública.
João Cardoso – A Campanha da Fraternidade deste ano tem como objetivo geral suscitar o debate geral sobre segurança pública para a promoção da justiça social e a contribuição para a formação de uma cultura da paz que, de fato, nos eduque a viver em sociedades pluralistas e complexas como a nossa. Em Vitória da Conquista, por exemplo, convive-se com determinados índices de criminalidade, de violência, que são preocupantes. Segundo dados oficiais, nossa cidade em 2006 passou a ocupar a sétima posição dentre as mais violentas da Bahia, em números de homicídios. Subjetivamente também, as pessoas sentem uma sensação de insegurança em Conquista. Proliferam as casas com cercas elétricas e os gastos com segurança privada. Esse medo mostra que vivemos em um município inseguro. É importante discutir esse tema para se chegar as causas que geram a insegurança - a má distribuição de renda, a falta de emprego, a educação precária, o tráfico de drogas -, buscando soluções para esses problemas.
- Por que a convivência com o outro, muitas vezes, gera tanto atrito, seja no trânsito, nas escolas, no trabalho ou na própria casa?
- A depender da forma como se é educado, desde a família que é o primeiro espaço onde se educa para se conviver com a diversidade, pode-se gerar ou a tolerância e o acolhimento dessa diferença do outro ou a intolerância e a recusa de aceitar o outro. Quando transpomos isso para um âmbito mais alargado, no trânsito, por exemplo, uma discussão começa por algo bobo. Em uma pesquisa que fizemos na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia sobre a relação entre a pessoa e a violência, muitos disseram que já cometeu ato de violência contra alguém conhecido. Então, creio que a nossa dificuldade está em se relacionar com o semelhante e aceitá-lo como ele é. Também, é preciso saber que não se resolve conflitos por meio da força, mas da argumentação e do diálogo.
- Que ações a CNBB propõem para minimizar a violência?
- Primeiramente se discutir e entender as causas que produzem e reproduzem a violência entre nós. É combatendo as causas que teremos uma sociedade mais segura. Por isso, o lema dessa campanha é “A paz é fruto da justiça”, quanto mais justiça social tivermos, mais segurança teremos. Outra iniciativa é na área da educação, da formação da cultura da paz, pois, muitas vezes, vemos muita violência fora de nós, entretanto, não nos vemos como os agentes reprodutores. Para se construir uma sociedade mais segura, mais do que propostas e grandes projetos, é preciso repensar as atitudes e os comportamentos que adotamos. Outra medida é promover este debate com os diversos seguimentos que compõem à sociedade.
- A corrupção é verdadeiramente um câncer deste país?
- Nos seus objetivos específicos, esta Campanha também se propõe a ver essa forma de violência, que é um tipo sutil de violência contra a ética na administração pública, contra a economia, a corrupção. A sociedade quase não percebe esse tipo de violência, cometido pelas classes mais abastadas, e acabamos sendo muito conivente com isso.
- O estudo “Mapa da Violência: os Jovens na América Latina” do ano passado mostrou que o Brasil tem a quinta maior taxa de homicídios entre jovens da América Latina. O envolvimento dos jovens com a violência preocupa?
- Sem dúvida. Conquista é a nona cidade baiana em índice de homicídio juvenil. A violência atinge especialmente os jovens, que estão naturalmente mais expostos, sendo agentes e vítimas dessa violência.
Por Júnior Patente
Sobre o tema, conversei com o Padre João Cardoso, coordenador da Pastoral Diocesana de Vitória da Conquista.
- Qual a importância de se discutir, nesse momento, a segurança pública.
João Cardoso – A Campanha da Fraternidade deste ano tem como objetivo geral suscitar o debate geral sobre segurança pública para a promoção da justiça social e a contribuição para a formação de uma cultura da paz que, de fato, nos eduque a viver em sociedades pluralistas e complexas como a nossa. Em Vitória da Conquista, por exemplo, convive-se com determinados índices de criminalidade, de violência, que são preocupantes. Segundo dados oficiais, nossa cidade em 2006 passou a ocupar a sétima posição dentre as mais violentas da Bahia, em números de homicídios. Subjetivamente também, as pessoas sentem uma sensação de insegurança em Conquista. Proliferam as casas com cercas elétricas e os gastos com segurança privada. Esse medo mostra que vivemos em um município inseguro. É importante discutir esse tema para se chegar as causas que geram a insegurança - a má distribuição de renda, a falta de emprego, a educação precária, o tráfico de drogas -, buscando soluções para esses problemas.
- Por que a convivência com o outro, muitas vezes, gera tanto atrito, seja no trânsito, nas escolas, no trabalho ou na própria casa?
- A depender da forma como se é educado, desde a família que é o primeiro espaço onde se educa para se conviver com a diversidade, pode-se gerar ou a tolerância e o acolhimento dessa diferença do outro ou a intolerância e a recusa de aceitar o outro. Quando transpomos isso para um âmbito mais alargado, no trânsito, por exemplo, uma discussão começa por algo bobo. Em uma pesquisa que fizemos na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia sobre a relação entre a pessoa e a violência, muitos disseram que já cometeu ato de violência contra alguém conhecido. Então, creio que a nossa dificuldade está em se relacionar com o semelhante e aceitá-lo como ele é. Também, é preciso saber que não se resolve conflitos por meio da força, mas da argumentação e do diálogo.
- Que ações a CNBB propõem para minimizar a violência?
- Primeiramente se discutir e entender as causas que produzem e reproduzem a violência entre nós. É combatendo as causas que teremos uma sociedade mais segura. Por isso, o lema dessa campanha é “A paz é fruto da justiça”, quanto mais justiça social tivermos, mais segurança teremos. Outra iniciativa é na área da educação, da formação da cultura da paz, pois, muitas vezes, vemos muita violência fora de nós, entretanto, não nos vemos como os agentes reprodutores. Para se construir uma sociedade mais segura, mais do que propostas e grandes projetos, é preciso repensar as atitudes e os comportamentos que adotamos. Outra medida é promover este debate com os diversos seguimentos que compõem à sociedade.
- A corrupção é verdadeiramente um câncer deste país?
- Nos seus objetivos específicos, esta Campanha também se propõe a ver essa forma de violência, que é um tipo sutil de violência contra a ética na administração pública, contra a economia, a corrupção. A sociedade quase não percebe esse tipo de violência, cometido pelas classes mais abastadas, e acabamos sendo muito conivente com isso.
- O estudo “Mapa da Violência: os Jovens na América Latina” do ano passado mostrou que o Brasil tem a quinta maior taxa de homicídios entre jovens da América Latina. O envolvimento dos jovens com a violência preocupa?
- Sem dúvida. Conquista é a nona cidade baiana em índice de homicídio juvenil. A violência atinge especialmente os jovens, que estão naturalmente mais expostos, sendo agentes e vítimas dessa violência.
Por Júnior Patente



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