terça-feira, 14 de abril de 2009

Exposição Agropecuária de Itapetinga é cancelada


O governador Jaques Wagner, o ex-prefeito Michel Hagge e a deputada estadual Virginia Hagge (no fundo) foram acusados de usar a Exposição de Itapetinga como trampolim político pelo ex-presidnete do Sindicato Rural, Newton Andrade

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Rodrigo Ferraz eShirley Ribeiro, Jornal do Sudoeste
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Agora é oficial. A 40ª edição da Exposição Agropecuária de Itapetinga, evento que faz parte do Calendário Nacional de Eventos e que deveria acontecer entre na última semana do mês de maio não será realizada este ano. O Sindicato Rural de Itapetinga, responsável pela organização e realização da Feira, justificou a decisão apresentando, diversos motivos para a não realização da maior e mais importante festa do calendário municipal. Entre as razões foram destacadas a necessidade de investimentos e a incapacidade de endividamento da Entidade, que acumula uma dívida em torno de R$ 250 mil, segundo informações oficiosas prestadas por associados.

Em resposta a setores da oposição que divulgaram informações dando conta de que a Exposição teria sido cancelada por falta de aporte financeiro por parte da Prefeitura Municipal, o prefeito José Carlos Cruz Cerqueira Moura (PT) afirmou que a inviabilização da Feira é resultado de um processo de desgaste que se aprofundou ao longo dos últimos anos e não poupou criticas ao seu antecessor, a quem responsabilizou para que a dívida do Sindicato chegasse aos níveis atuais. De acordo com Moura, embora não tenha sido divulgado, a Exposição de Itapetinga, desde o ano passado, já teria sido excluída do Calendário Nacional.
José Carlos Moura reafirmou a disposição do Governo Municipal de participar e ajudar na realização de eventos no município, por entender que as manifestações culturais e organizadas por setores produtivos favorecem a população e contribuem para o fomento e fortalecimento da economia municipal. O prefeito disse ainda que pretende, dentro das possibilidades e nos limites estabelecidos pela legislação, contribuir para que a Exposição possa ser retomada a partir do próximo ano e as dividas do Sindicato sanadas.
José Carlos Moura fez questão de deixar claro que não pretende, durante seu mandato, utilizar de qualquer evento para se beneficiar politicamente. “Tentaram culpar a atual Administração pela não realização da Exposição. É importante deixar claro que a responsabilidade pela realização do evento é do Sindicato Rural, que na nossa gestão não será usado como braço político. A Prefeitura vai estar empenhada no resgate da Exposição, consciente de que esse trabalho também terá de ser encampado pelo Sindicato, bem como por todos os agentes produtivos envolvidos, inclusive a população em geral. Não queremos, repito, que este evento, que é do município, tenha conotação política”, enfatiza.
Com mais de vinte anos de atuação no Sindicato, Genilson Borges, popularmente conhecido como ‘Alicate’, culpa o ex-presidente Newton Andrade pela não realização da Exposição esse ano. “Ele recebeu o Sindicato com dinheiro em caixa e não soube administrar. Não houve prioridades na sua gestão. A categoria vai se unir para realizar um evento esse ano, que não seja com porte de Exposição Agropecuária, mas que movimente esse setor na cidade. Vamos procurar uma solução para sanar essa dívida deixada. Uma das iniciativas discutidas é a possibilidade de vender a sede do Sindicato”, asseverou.

Associados se mobilizam para salvar o Sindicato Rural
Não bastasse estar sendo responsabilizado pelas dívidas da Entidade, o ex-presidente Newton Andrade tem sua saída da presidência do Sindicato contestada por associados. A alegação e que Newton Andrade somente poderia ter deixado a presidência após a realização de uma eleição para escolha do substituto, o que não ocorreu. De toda forma, um grupo de associados se mobilizou para tentar salvar o Sindicato e deliberou, em Assembléia Geral Extraordinária, pela constituição de uma Comissão Provisória, formada pelo pecuarista Marcelo Ferraz, pelo advogado Adriano Alcântara e o empresário Henrique Brughni. Caberá a Comissão Provisória enfrentar, entre outros desafios, o de sanar todas as pendências da Entidade e resgatar a imagem do Sindicato.
A Assembléia Geral Extraordinária foi presidida pelo presidente da Cooperativa Mista do Médio rio Pardo (Coopardo), Rômulo Coelho, que fez questão de deixar clara a decisão de não realizar a Exposição Agropecuária este ano. “A administração passada do Sindicato perdeu o controle financeiro, se empolgaram devido ao êxito dos comentários da população. As despesas foram bem superiores a receita. O patrimônio do Sindicato não pode ser comprometido da maneira como aconteceu”, explica.
Coelho fez questão de destacar o alto custo para realização de uma Exposição e o fato do órgão contar com poucos associados, cerca de 30, dificultando ainda mais a viabilidade do evento. “É preciso ter um controle rigoroso. Existe pouco incentivo das empresas para patrocinar o evento em nossa cidade, somente a Coopardo se prontificou a ajudar”, conta. Ele ainda defende uma reestruturação do Sindicato para que seja feito um trabalho sério, com os pés no chão. “Estamos dando todo o apoio possível, já que nossa Cooperativa inclusive pagou algumas dívidas deixadas pelo Sindicato”, revela.
Segundo Coelho, para que Itapetinga possa voltar a sediar a Exposição Agropecuária algumas intervenções precisam ser feitas no Parque de Exposições Juvino Oliveira. “As condições são precárias. Uma das idéias é contratar um especialista e desenvolver um projeto que vise reestruturar o espaço, pois as arquibancadas estão quebradas, os currais mal localizados, o Pavilhão de Leilões todo destelhado, a qualidade da pavimentação é péssima, dentre outros problemas. Acho que essa reforma vai acontecer, já que Itapetinga tem força política. Mas isso só vai se concretizar se a nova diretoria do Sindicato for responsável, atuante e que goste do que faz”, orienta Coelho.
Rômulo Coelho preferiu não culpar o ex-prefeito do município, Michel Hagge, pelo cancelamento da Exposição este ano, destacando a ajuda dada pelo peemedebista em outras oportunidades, embora tenha sido criticado pelo mesmo. Coelho lembra, por exemplo, que na abertura da Feira em 2008, o então gestor municipal teceu criticas a Coopardo na abertura do evento. “Ele [Michel Hagge] considerou a nossa Cooperativa como a mais cara do Brasil. Hoje não considero nada do que ele disse, pois não se tratava da verdade. Além disso, atualmente Hagge é nosso cliente. Isso foi uma questão pessoal comigo, já que sempre fomos correligionários e na penúltima eleição não acompanhei o seu apoio ao governador eleito, Jaques Wagner”, revela.
Assim como fez com Michel Hagge, o presidente da Coopardo isentou o atual prefeito, petista José Carlos Moura, de qualquer culpa pelo cancelamento da Exposição. “Pelo contrário, o prefeito demonstra estar disposto a ajudar. Mas é impossível viabilizar um evento sem comando”. Coelho finaliza afirmando que a atual crise econômica experimentada pelo mundo não pode ser considerada um dos motivos para que não ocorra o evento. “O problema são as dívidas e a péssima estrutura do Parque”.
Ex-presidente do Sindicato Rural se defende denunciando
O ex-presidente do Sindicato Rural, Newton Andrade, apontado como um dos responsáveis pela não realização da Exposição e pelas dívidas acumuladas pela Entidade, em tom de desabafo, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal do Sudoeste, na qual se defende das acusações e faz revelações importantes, que apontam, inclusive, para o uso indevido de recursos destinados a Feira na campanha eleitoral de 2008. “Foram feitas três Exposições sob a minha gestão, com apenas R$ 65 mil de dinheiro recebido dos órgãos públicos. A verba destinada foi pouca e o Sindicato teve que arcar com muita coisa. Fiz uma administração muito boa e consegui fazer eventos de grandes negócios, que impulsionaram a economia do município”, ressaltou Andrade.
Segundo o ex-presidente, muitos recursos enviados para o Sindicato investir na realização das Exposições Agropecuária não chegaram aos cofres da Entidade. De acordo com Andrade, no ano passado, “por ter sido ano de eleições municipais”, a Prefeitura interveio e participou como intermediária e destinatária da captação dos recursos públicos destinados a realização da Mostra. Mas os recursos não teriam chegado, na sua totalidade, aos cofres do Sindicato. “O antigo gestor [Michel José Hagge Filho, do PMDB] me ajudou muito. Só que no ano passado a verba disponibilizada através da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Mineração não foi repassada na sua totalidade para o Sindicato. Recebemos somente cerca de R$10 mil para limpeza e conservação do Parque de Exposições, o que é muito pouco. Até hoje aguardo os R$ 40 mil que foi o valor repassado pelo Governo do Estado realização do evento. A ajuda do Poder Executivo é imensurável para a realização de um evento desse porte, mas no ano passado o incentivo foi muito pouco”, afirmou Newton Andrade.
Ainda segundo o ex-presidente, razões político partidárias teriam influenciado para que a Secretaria de Estado da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária deixasse de destinar no ano passado recursos para realização da Exposição. Andrade revela que o então secretario de Estado da Agricultura, deputado federal Geraldo Simões (PT/BA), em retaliação a ação do ministro de Estado da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que segundo o ex-presidente do Sindicato, teria articulado para que ele fosse vaiado no ato publico realizado em Itabuna, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não disponibilizou recursos para a realização da Exposição de Itapetinga. “Como Itapetinga era governada por Michel Hagge, amigo e correligionário de Geddel, o secretário fez de tudo para dificultar a viabilização e disponibilização da verba que vinha todo ano para ajudar na realização da Exposição”, disse Andrade.
Andrade lamentou ainda o não recebimento, em 2008, da verba que regularmente era disponibilizada para realização da Exposição pelo Grupo Bertin, que explora o frigorífico local. “Todo o ano o Sindicato recebia cerca de R$10 mil, só que em 2008 não recebemos nada. Tenho consciência de que trabalhei para realização das Exposições tirando dinheiro do meu bolso, devido a todas essas dificuldades que encontrei, sem incentivo até mesmo da Prefeitura”, desabafa Andrade que finalizou acusando diversos políticos - tendo citado nominalmente o governador Jaques Wagner (PT), o ministro de Estado da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, a deputada estadual Virginia Alice Almeida Hagge (PMDB) e o ex-prefeito de Itapetinga Michel José Hagge Filho (PMDB) - de utilizarem a Exposição como um trampolim político. “Ajudei a todos, andando pelo Parque no meio de toda a população junto com eles, mas infelizmente não tive ajuda que merecia para a realização do evento no ano passado”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os Gabirabas ainda não assimilaram a derrota estão esticando o saco de Wagner para conseguir uma boquinha, porém influencia para atrapalhar o atual governo, isto não terão.

Alexandre