sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dilly Calçados é denunciada por descumprir leis trabalhistas



Dezenas de pessoas participaram da sessão que discutiu a precarização do trabalho na empresa Dilly Calçados em Vitória da Conquista. Reginaldo Bezerra, diretor do Sindborracha e ex-funcionário da empresa, afirmou que a Dilly Calçados veio para Conquista por causa da mão de obra barata e abundante. Bezerra salientou que foi perseguido por não conseguir alcançar as metas estabelecidas pela empresa. “Cheguei a receber até R$ 20 de salário. A fábrica não recebe atestado de médicos que não sejam da própria Dilly”, afirmou, ressaltando que os membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) também são perseguidos.

egundo Edmilson Santos de Oliveira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo de Calçados (SINTRACAL), os trabalhadores da Dilly Calçados sofrem com as péssimas condições de trabalho oferecido pela empresa. “A Dilly não trata os trabalhadores como seres humanos, mas tratam os mesmos como peças de uma grande engrenagem”, disse, salientando que os funcionários são assediados moralmente quando não conseguem cumprir as metas estabelecidas pela empresa.

Delson Brito Coêlho, presidente do Sindicato dos Bancários, condenou a empresa pelo tratamento dispensado aos trabalhadores. Para Coêlho, a crise financeira internacional é a prova de que o modelo do sistema capitalista, que tem como exemplo a postura da Dilly Calçados, está condenado à falência. “Somos contra as demissões e assédio moral”, afirmou.

Já o professor Luiz Rogério Cosme, enfermeiro especializado em saúde do trabalhador destacou as doenças que acometem os trabalhadores que atuam no setor calçadista. Cosme fez duras críticas à política de trabalho das fábricas que se instalaram na região Sudoeste da Bahia, que só se interessam pela mão de obra barata. “Estamos presenciando os danos que este modelo tem causado em nossa região. É um neocolonialismo implantado na Bahia”, disse, defendendo condições dignas de trabalho.

Hamis de Filadefo, que representou o Ministério do Trabalho, salientou o grande número de denúncias feitas pelo SINTRACAL de abusos contra funcionários da Dilly Calçados, mas destacou as limitações dos auditores na apuração das denúncias. “A melhor solução para os problemas é a negociação entre a categoria e a empresa em questão”, afirmou.

Ascom/CV

Um comentário:

Anônimo disse...

A Dilly pecou em não enviar representante à sessão, mas o certo é que a posição da mesma é fechar a unidade de Conquista e transferir a linha de produção para outra cidade. Ruim com a Dilly, pior com sem ela. Adeus 2.200 empregos. Quem irá amparar os demitidos ? Sindicalistas ou vereadores ?