Terceira idade. Não me agrada este termo – um eufemismo que dá a impressão de coisa velha, obsoleta, ultrapassada, daquilo que não serve mais, prefiro ser mais direto com o tema – velhice. Quando a jovialidade já não nos é tão evidente o tempo passa a ser mais importante do que ganhar dinheiro ou ajuntar riquezas. Queiram ou não, o envelhecer é uma dádiva, principalmente para quem consegue alcançá-la. O envelhecer não apenas para ultrapassar a barreira dos anos, mas o envelhecer na acepção de enxergar a vida com os olhos da prudência e da simplicidade. Já que, segundo a Fundação Prêmio Nobel de Estocolmo, Suécia, muitas personalidades só se tornaram destacadamente reconhecidas na pesquisa, na ciência, na arte ou na literatura depois dos 50 ou 60 anos, como os muitos laureados que se distinguiram em suas áreas específicas, os quais, setenta por cento tinham e têm ainda mais de cinquenta anos.
Por falar nisso, o Fantástico da Rede Globo de anteontem fez uma reportagem com o vice-presidente da República, José de Alencar; eu sinceramente não o conhecia como pessoa humana, apenas conhecia suas posições enquanto político e do seu histórico como empresário de sucesso. Mas ontem enxerguei muito mais que isso: um homem de extrema coragem e determinação nos piores momentos – um líder nato. Um senhor de 77 anos, porém um gigante frente às adversidades, tanto no pensar como no agir, pois vem lutando a mais de 11 anos contra um câncer e, ainda assim, jamais se abateu. O momento mais tocante da entrevista, no meu modo de ver, foi quando ele a caminho da cirurgia, ainda não totalmente sedado, percebeu certa apreensão na equipe e reuniu o que ainda tinha de forças para chamar a atenção dos médicos, “perguntou: o que está havendo? Por que vocês estão desanimados? Aqui não há lugar para desânimo. Vamos todos com fé, coragem e ânimo, porque nós não podemos recuar da operação", lembrou Alencar. "Eu não tenho medo da morte, tenho medo da desonra. A morte é um fenômeno natural. Assim como você nasce e vai morrer um dia. Não temos que pensar nisso de forma alguma. E você vai viver o tempo que Deus quiser que você viva. Não posso, de forma alguma, pensar que vai acontecer alguma coisa comigo sem que Deus queira. E se Deus quiser, inclusive que eu morra, é porque vai ser bom para mim. Porque Deus não faz nada ruim contra ninguém", acredita José Alencar. Realmente, a cada dia mais me convenço, de que ter fé e acreditar em Deus é muitíssimo importante nesses momentos; e que o espírito não se deteriora com o sofrimento, ao contrário, evolui e amadurece, imagino que seja o que aconteceu com o nosso vice-presidente.
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Pois bem, mas voltando ao indivíduo que vence a barreira dos cinquenta; ele não mais aceita os excessos da juventude, prefere dormir mais cedo, diminuir as noitadas, buscar o aconchego familiar e a “velha rede”, em cujo balançar semelhante às ondas do mar, nos faz recordar que na vida tudo vem e vai... essencialmente a nossa própria existência. O envelhecer consciente é realizar o que ambicionou a vida inteira. Aquilo que não pode fazer quando jovem e, obviamente, com a aliada sensatez dos janeiros a rabugice jamais vai ter lugar, pois a experiência adquirida o ajudará a compreender melhor os instantes de apreensões, sabendo separar o que é bom do que é ruim; até porque os anos nos faz mais sábios e ponderados.
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Há quem diga que os velhos são um peso para a economia. Esta crença baseada na menor participação no mercado de trabalho e da sobrecarga no sistema previdenciário, oculta a realidade de que muitos idosos continuam trabalhando até a idade avançada para amenizar a miséria da família e melhorar sua própria qualidade de vida. Mesmo com os avanços, não há dúvida que preconceitos como estes têm impedido a contratação de pessoas depois dos cinquenta anos em vários setores da sociedade. Indivíduos que com as experiências adquiridas poderiam contribuir ainda muito e, com isso, preencher determinadas vagas que exigem mão-de-obra especializada, vindo a minorar problemas familiares dessas pessoas e, principalmente, contribuir socialmente.
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Para encerrar, velhice não é privilégio de ninguém, tampouco dos bons. Ruy Barbosa dizia que os canalhas também envelhecem. É verdade, desconhecer isso é sepultar antigos conceitos e reinventar interpretações. Agora, felizmente, em nosso País, essa população passou a receber mais atenção dos governantes. Respeitando as devidas proporções, os idosos têm necessidades semelhantes às das pessoas mais jovens como as de socializar-se, escrever, passear, ir ao médico, ao banco; evidências essas que só precisam que os outros entendam e acatem, até porque seu corpo físico é consequência do desgaste normal de décadas; o que, naturalmente, necessita de mais atenção, consideração e respeito.
Por falar nisso, o Fantástico da Rede Globo de anteontem fez uma reportagem com o vice-presidente da República, José de Alencar; eu sinceramente não o conhecia como pessoa humana, apenas conhecia suas posições enquanto político e do seu histórico como empresário de sucesso. Mas ontem enxerguei muito mais que isso: um homem de extrema coragem e determinação nos piores momentos – um líder nato. Um senhor de 77 anos, porém um gigante frente às adversidades, tanto no pensar como no agir, pois vem lutando a mais de 11 anos contra um câncer e, ainda assim, jamais se abateu. O momento mais tocante da entrevista, no meu modo de ver, foi quando ele a caminho da cirurgia, ainda não totalmente sedado, percebeu certa apreensão na equipe e reuniu o que ainda tinha de forças para chamar a atenção dos médicos, “perguntou: o que está havendo? Por que vocês estão desanimados? Aqui não há lugar para desânimo. Vamos todos com fé, coragem e ânimo, porque nós não podemos recuar da operação", lembrou Alencar. "Eu não tenho medo da morte, tenho medo da desonra. A morte é um fenômeno natural. Assim como você nasce e vai morrer um dia. Não temos que pensar nisso de forma alguma. E você vai viver o tempo que Deus quiser que você viva. Não posso, de forma alguma, pensar que vai acontecer alguma coisa comigo sem que Deus queira. E se Deus quiser, inclusive que eu morra, é porque vai ser bom para mim. Porque Deus não faz nada ruim contra ninguém", acredita José Alencar. Realmente, a cada dia mais me convenço, de que ter fé e acreditar em Deus é muitíssimo importante nesses momentos; e que o espírito não se deteriora com o sofrimento, ao contrário, evolui e amadurece, imagino que seja o que aconteceu com o nosso vice-presidente.
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Pois bem, mas voltando ao indivíduo que vence a barreira dos cinquenta; ele não mais aceita os excessos da juventude, prefere dormir mais cedo, diminuir as noitadas, buscar o aconchego familiar e a “velha rede”, em cujo balançar semelhante às ondas do mar, nos faz recordar que na vida tudo vem e vai... essencialmente a nossa própria existência. O envelhecer consciente é realizar o que ambicionou a vida inteira. Aquilo que não pode fazer quando jovem e, obviamente, com a aliada sensatez dos janeiros a rabugice jamais vai ter lugar, pois a experiência adquirida o ajudará a compreender melhor os instantes de apreensões, sabendo separar o que é bom do que é ruim; até porque os anos nos faz mais sábios e ponderados.
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Há quem diga que os velhos são um peso para a economia. Esta crença baseada na menor participação no mercado de trabalho e da sobrecarga no sistema previdenciário, oculta a realidade de que muitos idosos continuam trabalhando até a idade avançada para amenizar a miséria da família e melhorar sua própria qualidade de vida. Mesmo com os avanços, não há dúvida que preconceitos como estes têm impedido a contratação de pessoas depois dos cinquenta anos em vários setores da sociedade. Indivíduos que com as experiências adquiridas poderiam contribuir ainda muito e, com isso, preencher determinadas vagas que exigem mão-de-obra especializada, vindo a minorar problemas familiares dessas pessoas e, principalmente, contribuir socialmente.
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Para encerrar, velhice não é privilégio de ninguém, tampouco dos bons. Ruy Barbosa dizia que os canalhas também envelhecem. É verdade, desconhecer isso é sepultar antigos conceitos e reinventar interpretações. Agora, felizmente, em nosso País, essa população passou a receber mais atenção dos governantes. Respeitando as devidas proporções, os idosos têm necessidades semelhantes às das pessoas mais jovens como as de socializar-se, escrever, passear, ir ao médico, ao banco; evidências essas que só precisam que os outros entendam e acatem, até porque seu corpo físico é consequência do desgaste normal de décadas; o que, naturalmente, necessita de mais atenção, consideração e respeito.


4 comentários:
Ezequiel, a respeito deste assunto, sobre o qual você dissertou, eu já havia começado a escrever; dessa forma, vou abortar sobre o tema em questão, todavia, sinto-me a vontade para tecer comentários. Zica, apesar de nossa cidade hoje já passar dos 300 mil habitantes, é notório o quanto os filhinhos de outrora (hoje quarentões e cinquentões) se comportam ainda como os garotinhos e garotinhas vividos em suas adolescências, à mercê da proteção materno/paterno. A cada ano aumenta o número de pessoas que chegam à barreira dos quarenta comportando-se como filhos adolescentes e, os pais a cada vez mais se apegando à essa situação para continuarem a ter os filhos sobre suas co-responsabilidades. Aliás, um estudo científico publicado em início de 2008, provou que, em razão do aumento da longevidade que nós agora experimentamos, a adolescência está chegando à barreira dos quarenta anos, postergando dessa forma, a entrada na maturidade que, antes começa aos 22 ou 24 anos, para a partir dos 41 anos e chegando essa maturidade ao fim dos 63/64 anos e, só depois é que se começa a terceira idade. Pelo andar da carruagem nas pesquisas ciêntificas, aventa-se criar uma quarta idade que deverá começar após os 90 anos. Os filhos que hoje têm 60 anos e tem pais ainda vivos, sentem-se cada vez mais remoçados, estão voltando para as escolas, faculdades, viajam mais, frequentam academias, se preocupam mais com a saúde aqui no sul, é surpreendente como os homens estão mais e mais visitando os médicos urolugistas, preocupados com a sua saúde prostática e outros fatores de riscos como os cardiovasculares, tudo isso, em função da perspectiva do aumento de vida dos seus pais. Sobre a questão "terceira idade", "melhor idade" ou "velhiçe" tanto faz, o melhor termo a se aplicar, deverá, necessariamente, ser aquele que não interfira no seu comportamental, o resto, são filigranas e convenções às quais não devemos nos ater para não estragarmos essa tão desejada (afinal não queremos morrer novos) e tão psicologicamente postergada terceira fase de nossas vidas! Ah! tem quase dez anos que eu sai adolescência e você?!
Abraços,
Francisco Silva Filho
Novamente uma cronica de alta qualidade. Ezequiel seus textos são ricos em conteúdo e humor.
Professor Domingos.
Anderson,
as cronicas desse rapaz são excelentes. Muita qualidade nos textos desse rapaz. meus sinceros parabéns. Concordo plenamento com o que ele escreveu. A idade é uma dadiva mesmo. Denilson do Prado.
O tema sobre a velhice é atualíssimo, afinal somos nós que nos vemos todos os dias no espelho.
Envelhecemos,sim! Queiramos ou não.
Bom artigo!
Abraço de um de seus amigos que também envelhece!!!
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