terça-feira, 3 de março de 2009

Homem à paisana que agrediu torcedores é da PM


O comando da Polícia Militar admitiu, na tarde desta segunda-feira (2), que é da PM o homem à paisana, armado, que participou com outros policiais da agressão a torcedores, domingo (1º), no estádio de Madre de Deus.

Estranhamente, a PM não quis revelar o nome do policial agressor, que trabalha no batalhão do município de São Sebastião do Passé, no recôncavo baiano. Mas alguns telespectadores, através de mensagens, dizem ter reconhecido o PM como sendo Paulo Andrade.


O outro PM, tenente Anderson de Oliveira, que também usou uma arma e chegou a agredir um dos torcedores com golpes de cassetete, prestou depoimento hoje. No total, sete PMs que participaram da agressão foram afastados até a conclusão do inquérito que deve durar entre 30 e 45 dias.


A agressão aconteceu no jogo entre Madre de Deus e Fluminense de Feira de Santana. A partida pelo Campeonato Baiano já havia terminado no estádio de Madre de Deus, quando alguns torcedores dos dois times que estavam na arquibancada começam a discutir.

O empurra-empurra começa e um oficial da Polícia Militar tenta conter a confusão. Os torcedores mais exaltados chegam a jogar objetos, como copos e latas. Não conseguindo controlar os ânimos, o policial saca uma arma.

Um homem não identificado, de bermuda, também saca uma arma de fogo e começa a agredir os torcedores. Em nenhum momento, o oficial da patrulha pede que o homem com arma se identifique. O oficial leva o homem pela camisa, mas ele retorna e continua a agressão.

Outros policiais militares chegam ao local e as agressões continuam. Um torcedor cai do degrau da arquibancada e é chutado pelos policiais.

Caído no chão, o torcedor leva ainda vários golpes de cassetete. Um torcedor que tenta ajudar o homem caído também é agredido pelo policial e pelo homem de bermuda. O torcedor agredido é levado desacordado pelos policiais.

O torcedor Sebastião Silva que estava no meio da confusão conta detalhes da agressão. 'Veio um cidadão e jogou um copo de cerveja na cara do torcedor. Aí quem vai aguentar? A gente foi pra cima também. Partimos para apartar e tome chute, tome cacetada. Quando olhei, a confusão estava criada', conta.

O policial militar visto nas imagens agredindo o torcedor, com golpes de cassetete e chutes, foi ouvido hoje pela manhã na Corregedoria da Polícia Militar. É o tenente Anderson de Oliveira, lotado na 12ª Companhia na cidade de Candeias.

De acordo com o comando da PM na Bahia, ao ser interrogado na corregedoria, ele tenta justificar os atos de violência cometidos em pleno estádio de futebol. Ele disse que sacou a arma para conter os torcedores mais exaltados e se defender das agressões.

'Essa a versão preliminar. Não é um ato comum. Todos os policiais militares sabe disso, sabem que só podem portar arma em serviço ou em situações que o caso exija. Não é o caso de um caso de um estádio de futebol, onde tem muitas pessoas e é preciso ter muita cautela', afirma o tenente coronel André Souza Santos, diretor adjunto de Comunicação Social da Polícia Militar.

Ainda de acordo com a direção da PM, os policiais envolvidos na confusão já foram afastados das atividades operacionais e devem responder a um inquérito que deve durar de 30 a 45 dias.

Repercussão - A confusão dentro do estádio foi o assunto principal hoje nas rodas de conversa dos moradores de Madre de Deus. ‘Fiquei chocada porque a gente não está acostumado a ver esses acontecimentos aqui’, diz a agente de saúde Denice de Souza.

‘Pegou muito mal para a cidade porque um time que está começando agora foi uma cena horrível. A gente nunca esperava uma situação dessa’, opina o motorista Adelson Amaral.

As cenas de violência também foram comentadas pelos jogadores do Madre de Deus antes do treino. ‘Se fala muito sobre a paz nos estádios porque vem mulheres, crianças, idosos. Tem que finalizar a questão da violência’, diz o jogador Fábio Costa.

Depois da confusão, três torcedores foram atendidos no Hospital Municipal de Madre de Deus com ferimentos leves. Os três assinaram um termo de responsabilidade pelo próprio estado de saúde e deixaram o hospital na mesma noite.

Um deles seria Marco Antônio de Oliveira Xavier, 38 anos, torcedor do Fluminense de Feira que saiu carregado por policiais. Ele não foi encontrado para comentar a agressão.

Nenhum comentário: