sábado, 14 de fevereiro de 2009

Academia do Papo


Modelos de Prestígio e Erotismo Hortigranjeiro

Uma psicóloga canadense - cujo nome me foge agora - disse na década de 1990 que um dos problemas para existência de uma juventude bem constituída reside justamente naquilo que essa moçada entende como modelos de prestígio. Diante de sua tese perguntaram a ela: O que é modelo de prestígio? A psicóloga respondeu: “São arquétipos que constituem modelos a serem seguidos ou imitados pelos jovens”.


A doutora tem razão. Nossa juventude - aqui e em boa parte do mundo ocidental - sofre uma influência fortíssima da mídia. O que se vê nos veículos de comunicação [com prevalência para a televisão] é uma exposição de bumbuns, coxas, peitos, caras e bocas cuja plasticidade dá aos jovens a ilusão passageira de que se não forem bem fornidos desses atributos pessoais a vida de cada um estará aniquilada. Minha impressão é que alguns jovens não se iludem, ao contrário, tem certeza que só terão oportunidade na vida “se ficar bonito ou bonita”. Isso se reforça porque já constatamos em contatos diretos com alguns que as visões e influências que experimentam do mundo os levam permanentemente a crer que fora dessa análise não há salvação. Percebe-se também que a maioria não sabe ou não associa que essa é uma visão antiga: Voltamos à Grécia e Roma dos tempos de Apolo. E para melhorar (ou piorar) misturamos o esplendor apolíneo, com os devaneios de Eros, às festas de Dionísio, Baco, Safo e outras entidades erótico-mitológicas greco-romanas. É muita lambança para quem não gosta de ler.

No caso brasileiro, os meninos e meninas não querem ser elas. Seus objetivos pessoais, por incrível que pareça, não incluem a si próprios. Quando pensam em si, o fazem se projetando em quem está na crista da onda. Todos querem ser Ronaldinho, Robinho, Kaká, Juliana Paes, Joelma da Banda Calypso, Ivete Sangalo ou Gisele Bündchen. Todo mundo só se imagina no papel essa gente. Nossos jovens creem [alguns estão convictos] que para ser alguém na vida, precisam ter o mesmo status que foi alcançado por essas “celebridades”.

Claro que as pessoas mencionadas [Ronaldinho, Ivete, etc.] estão prá lá de resolvidas. Mas e os nossos jovens? Como é que estão se virando? Para esses a coisa não está muito boa. Estamos vivendo uma crise de desorganização social e a instituição família está sofrendo um dilaceramento como há muito não se via. Poucas vezes na história da civilização, desde que ela começou a formar grupos familiares, com identidade, território, história, tradição, costumes, etc. temos visto tanta bagunça. Ninguém parece mais entender o papel do núcleo familiar na sociedade [isso parece papo careta], mas a coisa é séria. Ou se volta a entender a família como uma organização fundamental dentro do quadro social ou voltaremos [como alguns estão voltando] a viver como bandos. Sim, aqueles bandos que agiam sem o menor critério ético, sem o menor compromisso com a vida civilizada. Agora a coisa está indo para o “vale tudo por dinheiro”. Ou então o: “Vale tudo prá ser famoso”. Mesmo que isso seja à custa de atos e fatos que transformem a vida humana em algo indigno.

As pessoas querem ficar ricas, bonitas e famosas. Para tanto desprezam qualquer fonte associada à moral. Nossa televisão dá um espaço enorme a coisas que outrora julgávamos impensáveis. Eu mesmo pensava que o que estou vendo hoje, só teria assistido no Magassapo. Mas que nada! È tanta sacanagem exposta em nossa mídia [televisão, principalmente] que nem sei como as famílias mais tradicionais estão administrando a assistência dos filhos a determinados programas. O erótico prevalece. Não que ele seja abominável. Mas quando o tornamos público, cai inexoravelmente no ridículo e na vulgaridade.

Semana passada um canal apresentou os novos “artistas” que deverão fazer o maior sucesso no carnaval. Trata-se da Mulher Moranguinho, do Homem Berinjela e da Mulher Melancia. Como se vê, é um elenco de primeira grandeza. Mas, por incrível que pareça, prometeram trazer a Mulher Beterraba, o Homem Macaxeira e Mulher Chuchu. Ora, pelos nomes, depreende-se que se tratar de uma verdadeira troupe de seres eróticos com vistas a insuflar mais ainda as taras dos menos educados. O tal Homem Beterraba já deu um show há poucos na Praia de Ipanema. Imagine aí um sujeito de sunga com uma beterraba relativamente grande enfiada nesse pequeno utensílio de praia [a sunga]. É uma imagem realmente embaraçosa para quem assiste. Pense aí aquele “volumão” dentro da sunga provoca um frenesi histriônico em todas as pessoas. Para enrubescer os mais puritanos, de sacanagem o malandro ficava prá lá e prá cá na Praia, provocando ora risos, ora indignação dos e das banhistas. Eu que assistia àquilo pela TV fiquei matutando duas coisas: A primeira seria assistir uma família tentando aproveitar o sol de Ipanema e presenciando a uma exibição daquelas. A segunda, seria a chegada na mesma praia do tal Homem Macaxeira. Já imaginaram uma Macaxeira dentro de uma sunga? Quer saber? Acho que vou embora. Adeus, me desculpem. Não agüento mais. Um abraço cordial e até a próxima.
Paulo Pires
Professor UESB-FAINOR.

Um comentário:

Anônimo disse...

Paulo, você não pôde aguentar os efeitos provocados pelos Homens Beringela e Macaxeira; e nenhum homem ou mulher de bom senso pode suportar tanta banalidade. A TV e Mídia apelativa, buscam a qualquer preço cativar o público e sacramentar a sua ótima pontuação nos índices de pesquisa de audiência. Os nossos jovens de hoje são, como você bem disse, bandos criados sem a anuência da família. A família constitue-se em "célula sagrada". Para isso acontecer, tem-se que, necessariamente, haver o namoro, o noivado e o casamento; tudo nos conformes, tal como aconteceu com os nossos pais, avós e bisavós. O casamento com responsabilidade pode não ser a receita de eterna harmonia entre as famílias; todavia, inibe em muito as investidas irresponsáveis dos cultivadores do "Eros" e de toda a sacangem explicíta que a TV nos mostra gratuitamente, sem que precisemos nos dirigir à um "Café Paris" (nosso caso aquí em Curitiba), onde há shows eróticos, e que nos custam uma barbaridade. Como dissestes, o "Magassapo" renasce e sobrevive a cada dia em nossas casas, e Deus salve a nossa família!
Abraços,
Francisco Silva Filho