Ladrões em domicílios
O eficiente repórter Rambinho [Rádio Melodia] entrevistou uma senhora residente na Rua Jatobá, Bairro Cidade Maravilhosa. Até aí tudo bem. O único problema é que em sua fala, a senhora deu duas declarações que parecem ter pulado do plano real para o surreal. Na primeira, tomamos conhecimento que os ladrões que “visitaram” sua residência além de tê-la roubado, deixaram por lá produtos roubados de outras pessoas. Aflita, a senhora ligou para a Delegacia informando sobre o acontecimento e na repartição policial pediram que ela, a vítima, solicitasse aos ladrões que esperassem a Polícia chegar. O fato, além de hilariante, parece ter saído do atrapalhado Inspetor Clouseau (personagem magistralmente interpretado no cinema por Peter Sellers).
O mundo está tão mudado que a gente vai acabar adotando um ou dois ladrões exclusivamente para nos roubar. Aqui no Bem Querer, já nos habituamos a visita de uns “meninos de moto” que sem a menor cerimônia solicitam nossos pertences como se fossem velhos amigos. Nossos amigos Didi e Válter já estão quase assinando convênios e pactos de não-agressão para evitar danos pessoais com maiores conseqüências para os clientes. Um dia desses, estava na porta do estabelecimento de Didi e dois cabôcos passaram de moto sondando o ambiente. Observaram que ainda havia pelo menos uns dez marmanjos tomando birita. Concluíram ser mais prudente deixar para outra oportunidade. Didi que estava desmontando a churrasqueira, quando os viu, fêz um sinal de desaprovação. Os dois entenderam que realmente aquele “não era um bom momento” e deram o pira.
Para ter certeza se vale ou não a pena assaltar determinados lugares, os meninos estão fazendo também pesquisas de mercado. Pegam suas motos, rodam a cidade, becos e ruas, e pacientemente vão observando o PIB do local. Quando percebem que tal lugar está movimentando bem, procuram fazer uma “inspeção” in loco. Entram no estabelecimento, tomam um refrigerante de araque, observam movimentação de compra e venda, examinam o nível dos freqüentadores, avaliam a receita que está entrando no caixa, a quantidade de celulares, carteiras e conversa fiada de quem está se gabando nas mesas e mais tarde em reuniões convocadas devidamente para esse fim, delineiam seus planos de ação. No cair da tarde, começam a passar pelas portas dos estabelecimentos. Por intermédio dos celulares, avisam quem está colocando as cadeias prá dentro e pedem para outra dupla passar lá, pois já passaram duas ou três vezes e isso os comprometeria.
No caso específico do Bem Querer, já catalogamos nossos ladrões. Até sabemos de quem são filhos, onde moram e o que fazem com o dinheiro que nos roubam (claro que na maioria das vezes é para a droga). Isso nos deixa tristes. Nossa perplexidade é porque eles não investem em estudos, pesquisas, aprimoramento técnico-científico, nada disso. Os caras só querem a grana para coisa ruim. Isso nos preocupa. Puxa, será que eles não se preocupam com o futuro? Ou não acreditam nisso?
Mas agora que já os identificamos, temos uma preocupação: Sempre levar algum trocado para que eles não se decepcionem conosco. Reconheço que é um vexame ser assaltado e dizer para o ladrão: Tô duro. O ladrão é um cara que passa por uma modificação de adrenalina muito alta. Suas taxas (açúcar, triglicérides, etc.) sofrem transformações violentas. A sua palpitação bate mais que a Bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel. Como não levar um trocado para compensar tanta dedicação? Não? Sim, o ladrão precisa ter uma recompensa. Vamos ter pena dele. Eu, depois que soube das agruras porque ele passa, tenho o maior respeito por esse tipo de profissional.
Não é fácil ser ladrão. Ladrão de campo (o que vai buscar diretamente na casa, na rua, no estabelecimento), esse merece nosso respeito. Aquele ladrãozão grandão, com aplicações em paraísos fiscais, negócios diversificados, iates, aviões, eu não tenho pena. Mas é justamente esse que recebe as maiores guaridas. Os caras são terríveis. Nunca ficam presos e quando são denunciados, procuram em 24 horas desmoralizar quem os prendeu, dizendo que se não o soltarem logo ele “vai abrir o bico”. Claro que logo vai ser solto. Eles aprenderam que é só falar em “abrir o bico” todo mundo bota o tonhe no ponto.
Enquanto isso, os pequenos ladrõezinhos [de moto] passeiam com o parceiro na garupa. Coração batendo a mil, adrenalina subindo até a estratosfera e o redbull esquentando na moringa. Precisamos tomar conta deles. Pedir para que não caiam da moto, senão é mais sofrimento para a mãe. Quando ocorre um acidente ou são pegos pela polícia, a genitora, com aquela voz santa das mães diz: “sempre pedi para este menino evitar as más companhias, mas ele nunca me ouviu”. As más companhias sempre são os outros. Ou como dizia o senhor Sartre: “O inferno sãos os outros”. Um abraço cordial e até a próxima.
Paulo Pires
(*) Professor UESB-FAINOR.
O eficiente repórter Rambinho [Rádio Melodia] entrevistou uma senhora residente na Rua Jatobá, Bairro Cidade Maravilhosa. Até aí tudo bem. O único problema é que em sua fala, a senhora deu duas declarações que parecem ter pulado do plano real para o surreal. Na primeira, tomamos conhecimento que os ladrões que “visitaram” sua residência além de tê-la roubado, deixaram por lá produtos roubados de outras pessoas. Aflita, a senhora ligou para a Delegacia informando sobre o acontecimento e na repartição policial pediram que ela, a vítima, solicitasse aos ladrões que esperassem a Polícia chegar. O fato, além de hilariante, parece ter saído do atrapalhado Inspetor Clouseau (personagem magistralmente interpretado no cinema por Peter Sellers).
O mundo está tão mudado que a gente vai acabar adotando um ou dois ladrões exclusivamente para nos roubar. Aqui no Bem Querer, já nos habituamos a visita de uns “meninos de moto” que sem a menor cerimônia solicitam nossos pertences como se fossem velhos amigos. Nossos amigos Didi e Válter já estão quase assinando convênios e pactos de não-agressão para evitar danos pessoais com maiores conseqüências para os clientes. Um dia desses, estava na porta do estabelecimento de Didi e dois cabôcos passaram de moto sondando o ambiente. Observaram que ainda havia pelo menos uns dez marmanjos tomando birita. Concluíram ser mais prudente deixar para outra oportunidade. Didi que estava desmontando a churrasqueira, quando os viu, fêz um sinal de desaprovação. Os dois entenderam que realmente aquele “não era um bom momento” e deram o pira.
Para ter certeza se vale ou não a pena assaltar determinados lugares, os meninos estão fazendo também pesquisas de mercado. Pegam suas motos, rodam a cidade, becos e ruas, e pacientemente vão observando o PIB do local. Quando percebem que tal lugar está movimentando bem, procuram fazer uma “inspeção” in loco. Entram no estabelecimento, tomam um refrigerante de araque, observam movimentação de compra e venda, examinam o nível dos freqüentadores, avaliam a receita que está entrando no caixa, a quantidade de celulares, carteiras e conversa fiada de quem está se gabando nas mesas e mais tarde em reuniões convocadas devidamente para esse fim, delineiam seus planos de ação. No cair da tarde, começam a passar pelas portas dos estabelecimentos. Por intermédio dos celulares, avisam quem está colocando as cadeias prá dentro e pedem para outra dupla passar lá, pois já passaram duas ou três vezes e isso os comprometeria.
No caso específico do Bem Querer, já catalogamos nossos ladrões. Até sabemos de quem são filhos, onde moram e o que fazem com o dinheiro que nos roubam (claro que na maioria das vezes é para a droga). Isso nos deixa tristes. Nossa perplexidade é porque eles não investem em estudos, pesquisas, aprimoramento técnico-científico, nada disso. Os caras só querem a grana para coisa ruim. Isso nos preocupa. Puxa, será que eles não se preocupam com o futuro? Ou não acreditam nisso?
Mas agora que já os identificamos, temos uma preocupação: Sempre levar algum trocado para que eles não se decepcionem conosco. Reconheço que é um vexame ser assaltado e dizer para o ladrão: Tô duro. O ladrão é um cara que passa por uma modificação de adrenalina muito alta. Suas taxas (açúcar, triglicérides, etc.) sofrem transformações violentas. A sua palpitação bate mais que a Bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel. Como não levar um trocado para compensar tanta dedicação? Não? Sim, o ladrão precisa ter uma recompensa. Vamos ter pena dele. Eu, depois que soube das agruras porque ele passa, tenho o maior respeito por esse tipo de profissional.
Não é fácil ser ladrão. Ladrão de campo (o que vai buscar diretamente na casa, na rua, no estabelecimento), esse merece nosso respeito. Aquele ladrãozão grandão, com aplicações em paraísos fiscais, negócios diversificados, iates, aviões, eu não tenho pena. Mas é justamente esse que recebe as maiores guaridas. Os caras são terríveis. Nunca ficam presos e quando são denunciados, procuram em 24 horas desmoralizar quem os prendeu, dizendo que se não o soltarem logo ele “vai abrir o bico”. Claro que logo vai ser solto. Eles aprenderam que é só falar em “abrir o bico” todo mundo bota o tonhe no ponto.
Enquanto isso, os pequenos ladrõezinhos [de moto] passeiam com o parceiro na garupa. Coração batendo a mil, adrenalina subindo até a estratosfera e o redbull esquentando na moringa. Precisamos tomar conta deles. Pedir para que não caiam da moto, senão é mais sofrimento para a mãe. Quando ocorre um acidente ou são pegos pela polícia, a genitora, com aquela voz santa das mães diz: “sempre pedi para este menino evitar as más companhias, mas ele nunca me ouviu”. As más companhias sempre são os outros. Ou como dizia o senhor Sartre: “O inferno sãos os outros”. Um abraço cordial e até a próxima.
Paulo Pires
(*) Professor UESB-FAINOR.


Um comentário:
Pulo
O blog do Paulo Nunes tá bombano,como nao quero ser idetincado, utilizo esse espaço para me pronuciar.
Que confusao é essa vc é Paulo Pires, Turrao, valente ou Bea? agora eu fiquei confusa.
Sugiro uma enquete:
Quem acha q o Paulo Pires é o:
Valente disque 0800-000
Turrao disque 0800-111
Bea ligue 0800-024
Nenhum dos dois ligue ....
brincadeirinha...
abraço
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