quinta-feira, 5 de junho de 2008

Consumo e consumidores do espetáculo futebol


Por: Eduardo Moraes

No futebol, é preciso reforçar o laço de identificação entre o torcedor e o clube. Torcedor fiel não muda, pode até trocar de mulher, de cidade, partido político, mas jamais de time. Por isso, estudiosos afirmam que a relação de consumo no futebol não está ligada com satisfação do produto; é uma atitude emocional que, na maioria das vezes, pode ser convertida ou até explorada comercialmente. Daí a importância de se construir uma torcida fiel.


O relacionamento torcedor-clube é um patrimônio a ser valorizado, principalmente, com a ampliação do número de torcedores. É necessário fazer um estudo da intensidade desta devoção: como estão distribuídos geograficamente esses torcedores; qual a intensidade do envolvimento com o clube do coração por nível de renda; quem freqüenta mais os campos: os menos favorecidos ou os mais abastados?...
A construção de uma marca forte de aceitabilidade é um processo que precisa envolver o consumidor, nesse caso o torcedor. É preciso investimento na melhora da infra-estrutura dos estádios, contemplando segurança e conforto. Assim, se aumentaria o número de público e, conseqüentemente, transformaria as partidas de futebol em espetáculos lucrativos.
Outro conceito que precisa ser trabalhado: quanto maior a quantidade de clubes fortes, bem estruturados, maior será o acirramento entre eles e melhor serão competições. Isso desmonopoliza o futebol e amplia a possibilidade da conquista de títulos por qualquer uma das equipes, estimulando o interesse dos torcedores pelo campeonato e, assim, contribuindo para a sustentabilidade das empresas futebolísticas. Um campeonato cheio de atrativos, até a última rodada da fase classificatória, foi o que aconteceu no Campeonato Baiano de 2008. Sem dúvida, a rivalidade é a chaves para o sucesso.
É preciso romper de uma vez por todas com todos os resquícios de amadorismo e desorganização no futebol profissional, construindo em seu lugar um cenário que permita uma reestruturação dos clubes e dos estádios. Os negócios têm que ser ampliados e torcedores tratados com respeito. Isso gera desenvolvimento econômico e social para as cidades e o seu povo.

Eduardo Moraes
Vice-Presidente do Esporte Clube Vitória da Conquista



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