sexta-feira, 30 de maio de 2008

Mulher se passava por médica e fez vários partos

JUSCELINO SOUZA, A TARDE

A falsa médica Josélia de Souza Pinheiro, 30 anos, que durante seis meses atuou no Programa Saúde da Família e no Centro de Saúde de Tanhaçu (a 471 km de Salvador), também teve passagens por outros municípios. Ela teria realizado atendimentos médicos em Feira de Santana, Brumado e Ituaçu, chegando até mesmo a fazer partos nos plantões de fim-de-semana.

Localizada por A TARDE, Josélia disse, por telefone, que só irá se pronunciar após autorização do seu advogado, o que deve acontecer hoje. “Por enquanto, não posso comentar a respeito do assunto, mas já estou tomando as minhas providências”, sintetizou, sem ao menos esclarecer se afinal o diploma tem ou não validade.

Não há notícia de complicações de gestantes atendidas por Josélia, porém até o momento a Secretaria de Saúde de Ituaçu não se manifestou sobre a contratação da falsa médica. Em Brumado, outra cidade da região Sudoeste, ela era contratada por ma empresa particular.

Seu paradeiro era desconhecido há quinze dias, desde que o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) recomendou a suspensão imediata das suas atividades por não constar registro em seu nome dela. Existe a suspeita de que Josélia tenha obtido a “graduação” por meio de aulas em DVD.

Uma das aulas, de ultra-sonografia em DVD, foi encomendada por ela ao site www.quebarato.

com.br em 30 de dezembro do ano passado, conforme apurado por A TARDE. O fato passou a constar no inquérito instaurado a pedido da Secretaria Municipal de Saúde de Tanhaçu.

Recebendo remuneração mensal de R$ 12 mil, a falsa médica foi contratada após apresentar cópia de diploma autenticado supostamente emitido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), atestando graduação em 30 de junho de 2005. Para conferir credibilidade, o documento foi chancelado com carimbos que pareciam ser da própria faculdade e do Cremeb.

Alegando ter perdido os demais documentos, Josélia registrou queixa na polícia, apresentou o boletim de ocorrência ao secretário de Saúde de Tanhaçu, Jorge Teixeira, e não encontrou dificuldades em ser admitida.

“Tenho 35 anos aqui na cidade e nunca ouvi falar em algo semelhante”, lamentou. Indagado se agiu de má-fé por não ter aprofundado nas buscas de informações sobre a falsa médica, Teixeira rebateu. “Foi a boa-fé que tenho nas pessoas e até que prove o contrário, acho que todo mundo é honesto”. O Ministério Público informou, por meio da promotora Soraia Meira Chaves, que também vai apurar se houve negligência da secretaria Municipal de Saúde quando da efetivação da falsa médica.

Diagnóstico de gases para criança com apendicite

A Gerência Acadêmica, por meio da Secretaria Especial de Registro de Diplomas descarta a existência de aluna com o nome de Josélia de Souza Pinheiro na da Faculdade de Medicina da USP no ano de 2005. Não poderia ser diferente, pois na data em que diz ter se graduado em São Paulo ela prestou serviços na Secretaria de Saúde de Feira de Santana, na Bahia, com assistente administrativo, no período de 10 de março de 2003 a 9 de março de 2005.

“Ela nos trouxe uma declaração do Conselho, que considerávamos ser verdadeira, informando que ela havia dado entrada na segunda via de toda a documentação relacionada à profissão’, explicou O contrato foi efetivado e durante os seis meses na cidade não despertou suspeita. “Sempre atendia bem e não se comprometia nas receitas. Quando o caso era mais grave ela encaminhava ao hospital”, disse o secretário.

Quando o fato veio à tona, dezenas de mães de crianças atendidas pela falsa médica correram ao posto de saúde. As dúvidas se multiplicam pelos corredores, apesar de a maioria não reclamar do atendimento.

O caso mais grave foi relatado pela dona de casa Luciana Barbosa, 24 anos, cuja filha Poliana Rosa Barbosa Oliveira, de 6, por pouco não perdeu a vida. Andar vacilante e vomitando constantemente, a criança foi socorrida a tempo em Vitória da Conquista.

“Simplesmente a médica disse que a menina estava com gases presos, mas o problema era apendicite. Foi Deus quem me guiou para outro médico”.

Em janeiro deste ano, durante recadastramento dos profissionais de saúde lotados no município, a farsa começou a ser desmontada a partir da detecção de duplicidade de registro no Cremeb sob número 19.201.

Um comentário:

Anônimo disse...

UMA PESSOA DESSA TEM QUE PAGAR PARA SERVIR COMO EXEMPLO PARA QUER OS QUE TIVER FAZENDO O MESMO QUE ELA TOME VERGONHA NA CARA E VA ESTUDAR E NAO ENRIQUECER EM CIMA DOS INOCENTES.NAO PAREM DE IVETISGAR ESSA BANDIDA ELA TEM QUE PAGAR POR SEUS CRIMES AFINAL NOS ACDITAMOS NA JUSTIÇA DOS HOMENS E DE DEUS TAMBEM,COLOCANDO AS VIDAS DE PESSOA EM RISCO DE VIDA POR ISSO ELA TEM QUE PAGAR O MAIS RAPIDO POSSIVEL. (E VOCES QUE ESTAO ATUANDO POR AI NO SISTEMA DE SAUDE NA MESMA SITUAÇAO QUE ELA PAREM DE ENGANAR E VAO ESTUDAR JA QUE QUEREM SER MEDICOS AO CONTRARIO VCS VAO SER DESCOBERTO MAIS CEDO OU MAIS TARDE)