Valteci Freire
Gabeira e a onda que nasceu no Rio
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O domingo amanheceu com céu de brigadeiro no Rio de Janeiro. Nenhuma nuvem para criar qualquer sombra. Peguei meu título e saí para votar. Tem coisas que ninguém entende. Minha mulher e meus filhos votam no colégio que fica no fundo do meu prédio, enquanto que minha seção eleitoral fica no prédio da Comlurb no pé do morro do Salgueiro. Até gosto, porque aproveito para andar um pouco e participar daquela festa que é o dia de eleições na comunidade mais antiga da Tijuca.
Saio da minha rua, e quando passo em frente ao circunspecto prédio do Opus Dei, o portão da garagem estava aberto e um automóvel saia rapídamente, mas deu para ver os jovens padres que moram ali e nunca falam com os vizinhos, sequer um olhar para os transeuntes. Como são estranhos esses padres. Será que também foram votar? Nunca vou saber. O porteiro vizinho olha para o carro, para mim e ri. Sigo pela rua Moura Brito, por ser mais arborizada, encontro o vascaíno Severino, que diz já ter votado. Atravesso a Carlos de Vasconcelos e chogo no meu destino. Todo morro desce e fica nos botecos, tendinhas, calçadas da rua. A cerveja corre solta, assim como a disputa dos caça votos. Churrasquinho de gato, pinga , cerveja e , claro, também discussão sobre a disputa do novo samba de enredo para o carnaval 2009. Escolho meu candidato, aperto a tecja verde e saio feliz com minha escolha.
As ruas fervilham, as pessoas falam felizes do Gabeira. Foi a eleição mais bonita que a cidade já teve. Paes fez uma campanha rica, com apoio da máquina do estado. É neto do Lula, filho do Cabral e sobrinho arrependido do Cesar Maia. O governador antecipou o feriado para segunda feira e isso contribuiu para abstenção histórica. Panfletos apócrifos foram distribuídos com inúmeras acusações preconceituosas contra Gabeira. Paes, no sábado, foi às favelas e nos rincões da zona oeste e dristribuiu balas e doces para a criançada. Foi uma festa! Triste povo que se vende por um doce. Mais pobre ainda é quem se aproveita desse povo. O candidato ficou tão empolgado que não viu que já estava em outra cidade. Toda parte podre da política do Rio apoiou Paes: evangélicos do Crivela, candidatos eleitos por milícias, bicheiros e candidatos derrotados em busca de uma boquinha. Para surpresa de todos, até a UNE, a histórica UNE estava ao lado de Paes. A campanha do Gabeira foi limpa. Não sujou a cidade. Tomou conta da zona sul, zona norte, centro e Barra da Tijuca. Gabeira não atacou ninguém, foi ético e civilizado, mas perdeu a eleição. Tristeza para uns, alegria para outros. A eleição mostrou que existe um Brasil decente e está acordando. Como disse nossa querida Cora Rónai, como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do
ponto de vista pessoal, Paes sofreu uma derrota acachapante. Levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.
Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella,
para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto
Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a
Jandira... estou esquecendo alguém? Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado. Na segunda feira, quando voltava da minha caminhada no Maracanã, o proteiro me perguntou: “ E aí, seu Valter, o rio vai melhorar?”. Respondi: “Não sei, vamos ter esperança, afinal, moramos numa cidade maravilhosa”.
Saio da minha rua, e quando passo em frente ao circunspecto prédio do Opus Dei, o portão da garagem estava aberto e um automóvel saia rapídamente, mas deu para ver os jovens padres que moram ali e nunca falam com os vizinhos, sequer um olhar para os transeuntes. Como são estranhos esses padres. Será que também foram votar? Nunca vou saber. O porteiro vizinho olha para o carro, para mim e ri. Sigo pela rua Moura Brito, por ser mais arborizada, encontro o vascaíno Severino, que diz já ter votado. Atravesso a Carlos de Vasconcelos e chogo no meu destino. Todo morro desce e fica nos botecos, tendinhas, calçadas da rua. A cerveja corre solta, assim como a disputa dos caça votos. Churrasquinho de gato, pinga , cerveja e , claro, também discussão sobre a disputa do novo samba de enredo para o carnaval 2009. Escolho meu candidato, aperto a tecja verde e saio feliz com minha escolha.
As ruas fervilham, as pessoas falam felizes do Gabeira. Foi a eleição mais bonita que a cidade já teve. Paes fez uma campanha rica, com apoio da máquina do estado. É neto do Lula, filho do Cabral e sobrinho arrependido do Cesar Maia. O governador antecipou o feriado para segunda feira e isso contribuiu para abstenção histórica. Panfletos apócrifos foram distribuídos com inúmeras acusações preconceituosas contra Gabeira. Paes, no sábado, foi às favelas e nos rincões da zona oeste e dristribuiu balas e doces para a criançada. Foi uma festa! Triste povo que se vende por um doce. Mais pobre ainda é quem se aproveita desse povo. O candidato ficou tão empolgado que não viu que já estava em outra cidade. Toda parte podre da política do Rio apoiou Paes: evangélicos do Crivela, candidatos eleitos por milícias, bicheiros e candidatos derrotados em busca de uma boquinha. Para surpresa de todos, até a UNE, a histórica UNE estava ao lado de Paes. A campanha do Gabeira foi limpa. Não sujou a cidade. Tomou conta da zona sul, zona norte, centro e Barra da Tijuca. Gabeira não atacou ninguém, foi ético e civilizado, mas perdeu a eleição. Tristeza para uns, alegria para outros. A eleição mostrou que existe um Brasil decente e está acordando. Como disse nossa querida Cora Rónai, como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do
ponto de vista pessoal, Paes sofreu uma derrota acachapante. Levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.
Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella,
para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto
Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a
Jandira... estou esquecendo alguém? Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado. Na segunda feira, quando voltava da minha caminhada no Maracanã, o proteiro me perguntou: “ E aí, seu Valter, o rio vai melhorar?”. Respondi: “Não sei, vamos ter esperança, afinal, moramos numa cidade maravilhosa”.







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