segunda-feira, 7 de julho de 2008

Incentivo ao aprendizado traz novas oportunidades

JUSCELINO SOUZA, do A TARDE
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A história das cooperativas do semiárido começa quando ainda eram associações, lembra o administrador da Central de Cooperativas do Vale do Rio Gavião, Agnaldo Toledo Velasquez. São 23 unidades atendendo às cadeias produtivas da mandioca, da cana-de-açúcar, leite e mel.

As unidades estão distribuídas nos municípios de Mortugaba, Jacaraci, Licínio de Almeida, Guajeru, Condeúba, Cordeiros, Piripá, Tremedal, Belo Campo e Anagé, "Estas associações passaram por uma série de capacitações do Sebrae e Embrapa em um programa do governo da Bahia do Estado através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR)", frisa.


Ainda assim, continua Velasquez, "havia o gargalo da comercialização, pois estas associações não podiam comercializar seus produtos no mercado comum, atacado e varejo, já que eram instituições sem fins lucrativos".

Somente poderiam comercializar institucionalmente, ou seja, para programas governamentais o que limitaria as oportunidades de negócio e geração de renda.

PRODUTOS – Pensando nestes fatores, eles decidiram criar cooperativas e foi assim que, em meados de 2005, surgiram a Cooperman – da cadeia produtiva da mandioca, com 109 cooperados; Coodecana (cadeia produtiva da cana-de-açúcar, com 118); Coopmel (cadeia do mel, com 44) e Coodeleite (cadeia do leite, com 53 cooperados). Somente no segundo semestre de 2006 é que adquiriram caráter jurídico.

"Ao final de 2006, estas cooperativas decidiram criar uma central de comercialização que possibilitasse colocar os produtos tanto no mercado institucional, como no atacado e varejo, bem como atender à necessidade de compra de insumos, embalagens, elaboração de projetos de fomento e desenvolvimento, gestão estratégica e suporte na produção", conta.

A iniciativa surtiu efeito imediato.

No começo, as cooperativas atendiam a 1,6 mil pessoas.

Hoje, contam com cerca de 600 cooperados, 3 mil pessoas atendidas diretamente e mais 600 famílias atendidas indiretamente através de outras associações.

PLANEJAMENTO – Apesar de os produtores estarem organizados em comunidades, os produtos não tinham padronização, eram poucas as linhas de produção, sem planejamento estratégico, média capacidade de produção, pouca comunicação, agressão ao meio ambiente, uso não sustentável das matas e uso inadequado das águas.

"Atualmente, trabalhamos com tratamento dos resíduos, seja no aproveitamento para adubos, manipueira, do vinhoto e do soro através da aplicação de biogel, que faz com que toda a água utilizada nos processos de produção retorne para higienização", relata Agnaldo Toledo Velasquez, da Central de Cooperativas do Vale do Rio Gavião.

"Além disso, prevemos a implantação de bosques energéticos em cada unidade. Futuramente, temos a idéia de implantação de fábricas para aproveitar o bagaço da cana, aposta".

Segundo a coordenação, os produtos antes se limitavam em polvilho doce, rapadura, mel e doce de leite. Com as intervenções da CAR, através do programa Terra de Valor, aportando cerca de R$ 1,1 milhão para melhoria de equipamentos, ampliações, secadores, tratamento ambiental e as ações anteriores do Sebrae, com capacitações, Velasquez garante que os processos de produção estão sendo ampliados e melhorados.

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