segunda-feira, 7 de julho de 2008

Cooperativas dão novo estimulo ao sudoeste baiano

JUSCELINO SOUZA, do A TARDE

A dura vida no campo, em meio à pobreza, exclusão social e rigidez do semiaacute;rido, não conseguiu superar a vontade de vencer de um grupo de mulheres empreendedoras da localidade de Bela Vista, zona rural de Belo Campo, a 554 km de Salvador.

Juntas, há mais de três anos, derrotaram as dificuldades impostas pela falta de energia elétrica e infra-estrutura e tocaram pequena produção de farinha, polvilho doce, goma e biscoitos.

O esforço concentrado fez a produção atravessar fronteiras e, o que era artesanal, restrito apenas aos moradores do lugar, se profissionalizou e chamou até a atenção do governo federal, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).


O segredo – revelam as cooperadas Nilda Lima de Deus e Francisca Ferreira, está no cooperativismo.

"Enfrentamos as dificuldades com a cara e a coragem, contando apenas com um gerador de energia barulhento. Hoje está tudo estruturado, com 24 cooperados da Associação dos Pequenos Produtores Rurais produzindo o ano inteiro".

A Unidade Comunitária de Mandioca de Bela Vista, onde tudo acontece, fica a 14 km da sede e faz parte da Cooperman, uma ❛ “Passamos a entender o que é cooperativa e temos certeza de que vamos produzir e vender pelo melhor preço” Clarice Moitinho Santos, cooperada ❚ das quatro cooperativas na região sudoeste que formam o conjunto de unidades formais da região do Rio Gavião "Estamos expondo os produtos em feiras, exposições para mostrar que ele é diferenciado, tem qualidade e feito com higiene, capaz de competir em condições de igualdade", diz a cooperada Clarice Moitinho Santos.

Um dos carros-chefes na linha de produção é o biscoito do amor, receita caseira que passa de mãe para filha há mais de três gerações. Todo o processo produtivo é natural, sem adição de conser vantes.

"O que a gente queria mesmo era sair do anonimato e ser reconhecidos, não só trabalhando com a raiz da mandioca, mas também com seus derivados.

Conseguimos através do nosso trabalho, sem precisar sair para as cidades grandes", finaliza.

NEGÓCIOS – Além da Cooperman, a Coodecana, Coodeleite e Coopmel também celebraram contratos com a Conab na modalidade de doação simultânea. Todo material é distribuído à população carente e os seus usuários.

A Coodecana, com seis unidades, beneficia direta e indiretamente 368 famílias, produzindo derivados da cana. A produção chega a 150 mil litros de cachaça ao ano e conta com quatro agroindústrias nos municípios de Condeúba, Piripá, Mortugaba e Licínio de Almeida. A Coodecana não é só cachaça: faz açúcar mascavo, rapadurinhas, melado de cana, doces e hortifruticultura.

São seis unidades.

A Coodeleite tem capacidade anual de 69 mil kg de doce de leite, além de queijos, musarela, bebida láctea, iogurte e leite envasado em sacos de 1 litro.

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