sexta-feira, 13 de junho de 2008

Uso do capacete é negligenciado


CAROLINA MENDONÇA
ccunha@grupoatarde.com.br

Entrou em vigor, no dia 1° de junho, a Resolução 203 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que determina novas regras para o uso do capacete ao trafegar sobre motocicletas e similares.
Em Salvador, ainda não há dados disponíveis sobre possíveis atos de desrespeito a estas normas. No entanto, uma infração ainda mais grave é bastante cometida pelos motociclistas nas ruas da cidade: andar sem utilizar o capacete.

“Só vim pegar um produto para um colega aqui na loja. É um trecho pequeno. Não acontece nada, não”, procura justificar um motociclista que não quis se identificar e que transitava pela Av. Antônio Carlos Magalhães com o capacete parcialmente colocado na cabeça. Além de infringir o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a atitude inconseqüente pode determinar as chances de viver ou de morrer durante um acidente.

Com experiência em atendimento nos locais onde acontecem acidentes de trânsito, o médico ortopedista do Samu, Oswaldo Bastos Neto, diz que ainda é comum ver este tipo de imprudência. “Verificamos, de fato, que muitos motociclistas não fazem uso do capacete. Numa colisão, estes, geralmente não sobrevivem”, revela.

Segundo Neto, porém, estudos em outros países mostram que as mortes não estão diminuindo por conta do uso do capacete, pois os motoristas aproveitam para correr mais, acreditando que o item tem poderes ilimitados de proteção. “O capacete não tem grande efeito num acidente envolvendo altas velocidades.

A partir de 40 km por hora, por exemplo, o impacto de uma batida equivale à queda de um prédio de três andares”.

Outro comportamento de alto de risco é o transporte de crianças em motocicletas, algo ainda comum na capital, especialmente nos finais de semana. “É só dar uma volta pela orla para presenciar absurdos, a exemplo de crianças pequenas acomodadas entre o pai e a mãe e sem capacete ou usando o do pai, o que não adianta nada durante uma batida”, indigna-se o médico.

Só este ano, de janeiro a maio, a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) registrou 1.557 acidentes envolvendo motos.

A SET não disponibilizou a quantidade de multas emitidas, no período, a motociclistas que não faziam uso do capacete.

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