sábado, 14 de junho de 2008

Duas mortes suspeitas de dengue grave em 48 horas em Itabuna

ANA CRISTINA OLIVEIRA
anaco@grupoatarde.com.br

O município de Itabuna registra, em pouco mais de 48 horas, duas mortes por suspeita de dengue hemorrágica. Na madrugada de quarta-feira, morreu a menina Litsa Santana do Nascimento, 8 anos, e, na manhã de ontem, o adolescente de 13 anos, Rodrigo Gomes de Souza. Os dois óbitos elevam para quatro o número de óbitos no sul da Bahia, duas das quais confirmadas por exame sorológico, a de Gleisla Jesus Santos, de seis anos, moradora de Itagibá, e de Ramona Oliveira Cruz, de 12 anos, de Ubaitaba.



Ontem, no velório de Rodrigo, familiares contaram que ele estava em tratamento ambulatorial no Hospital Ipepi, mas quando seu estado se agravou, ele foi internado no Hospital Manoel Novaes. Uma amiga da família, que não se identificou, disse que ele deveria ter ido para a UTI, mas como não havia vaga, nem os pais tinham recursos para deixar uma caução, o menino ficou na enfermaria, onde morreu. Segundo diretor médico do Hospital Manoel Novaes, Jaime Oliveira Nascimento, o paciente já chegou na quinta-feira em choque.

O médico diz que ele apresentava sintomas bastante compatíveis com a doença, e o diagnóstico foi feito com critérios epidemiológicos e clínicos.

Por isso, no atestado de óbito consta dengue hemorrágica, independente do resultado do exame sorológico que será feito pelo Laboratório Central (Lacen), em Salvador”, assinala.

Para Nascimento, duas mortes numa mesma semana já caracterizam epidemia de dengue em Itabuna. Segundo ele, todos os setores de saúde devem estar atentos para os casos de dengue clássica ou mais graves, e o setor de epidemiologia em ação para o combate ao mosquito transmissor.

Ontem, ele teve um encontro com o secretário de Saúde do município, Jesuíno Oliveira, a quem comunicou o fato e sugeriu uma estratégia para atendimento aos casos diagnosticados e suspeitos. Dessa forma é mais rápido encaminhar para exames e dar o tratamento.

A depender do agravamento, o doente é encaminhado para o tratamento específico, em unidades mais equipadas. O médico explica que o paciente com dengue hemorrágica nem sempre apresenta quadro de hemorragia, mas há uma perda de líquidos, especialmente de plasma, para outros espaços fora dos vasos sanguíneos.

O secretário Jesuíno Oliveira ainda não acredita em epidemia, mas reconhece que a doença avança em Itabuna, como vem acontecendo em outras cidades baianas e do País.

Este ano, já são 27 casos de dengue clássica confirmados, e três suspeitas de dengue hemorrágica, com duas mortes. Em todo o ano de 2007 foram apenas 13 casos do tipo comum.

O índice de infestação predial do último ciclo de combate, entre novembro e dezembro de 2007, fechou em 4,65% e o máximo recomendado pelo Ministério da Saúde é de 1%. No primeiro bimestre deste ano, esse número saltou para 9,3%, caindo em abril para 7,67%. O município está no terceiro ciclo de combate, tentando reduzir o nível de infestação para 4%. A partir de segunda-feira começa a funcionar o ambulatório anexo do Hospital São Lucas, como um suporte da rede básica.

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