sábado, 14 de junho de 2008

Detento solto por engano nega arrependimento

Juscelino Souza, A TARDE
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O lavrador Adailton Luís Jesus da Silva, 23 anos, solto por engano da cadeia de Palmas de Monte Alto (a 839 km de Salvador), onde estava preso por matar o sogro, José Francisco de Souza, 38 aos, afirma que a motivação do crime é a própria causa para retornar espontaneamente à prisão. “Eu matei pra defender minha honra e a honra da minha mulher, a própria filha da qual ele abusou desde quando ela tinha 11 anos”, desabafou Silva, casado com Flaviana Sena de Souza, 18.

A mulher, atualmente separada de Silva, defende o ex-marido.

Segundo disse, ela era assediada pelo pai desde os 9 anos. Aos 11 anos de idade, contou, foi estuprada por José Francisco depois de ser ameaçada com uma faca no pescoço. Os abusos teriam continuado até culminar no assassinato, em 2005.

De acordo com Adailton, sempre que a vítima se embriagava, provocava o lavrador e revolvia o passado de convivência com a própria filha. “Ele sempre entrava no assunto e queria que eu devolvesse a filha dele porque achava que a menina era sua mulher”, declarou o acusado. As desavenças eram intercaladas com momentos de bebedeira entre ambos e foi assim que o crime foi praticado. “Eu estava na casa dele e começamos a beber cachaça.

Ele voltou de novo ao assunto e eu não agüentei. Peguei uma faca na cozinha e ataquei”.

O golpe fatal atingiu o pescoço da vítima, que foi encaminhada ao hospital de Malhada e morreu 26 horas depois. Adailton fugiu para Palmas de Monte Alto e ficou em companhia da mulher e da filha, de 2 anos e seis meses, até ser localizado pela polícia. O casal teve outro filho, que morreu nos primeiros meses de vida.

Solto equivocadamente, anteontem, Adailton telefonou e pediu para voltar à cadeia. “Não me arrependo porque sei que agi em legítima defesa, por isso pedi para voltar”, disse.

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