Por Ezequiel Sena
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Um erro inaceitável. Os telejornais da última terça-feira (19) divulgaram que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo comprou livros didáticos com conteúdo de obscenidade. O material que faz parte do programa “Ler e Escrever” foi enviado às escolas para servir de apoio aos alunos da 3ª série do ensino fundamental, com idade média de nove anos. ‘Dez na área, um na banheira e ninguém no gol’ é uma coletânea elaborada por diferentes autores composta de 11 histórias em quadrinhos, que aborda temas relacionados ao futebol. Além do preceito sexual, é recheada com desenhos de agressões físicas, mulheres seminuas, palavrões e piadas de duplo sentido. Contém ainda diálogos chulos e inadequados para criança; dentre os quais, um personagem diz: “Eu vi as coxas da mina do Tchan.” O outro retruca: “Eu chupava elas todinhas.” A polêmica gerada causou um clima de indignação e constrangimento muito desagradável entre os educadores, chegando, inclusive, aos ouvidos do Palácio do Governo.
Não parou por aí o desconforto. Dos 1.700 exemplares comprados, 1.216 foram distribuídos nas escolas e isso aumentou ainda mais a aflição entre as autoridades da Secretaria de Educação, até o governador José Serra reconheceu o erro e em entrevista ao SPTV disse: “Eu, aliás, achei de muito mau gosto. Nós abrimos uma sindicância para apurar a responsabilidade. Está sendo investigado e as pessoas que deixaram o livro passar despercebido vão ser punidas”. Rechaçou Serra.
Para Ângela Soligo, coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, o livro reforça a banalização do sexo e tem papel inverso. “Se esse material transmite preconceito, caricatura, palavrão, uma visão deturpada da sexualidade, então o lugar dele não é na escola. Isso evidencia claramente uma falta de zelo com a escolha do material que vai para a escola. Quem escolheu, não leu. Ou quem escolheu leu, mas não tem a formação e o conhecimento necessário para perceber que aquele não é um livro para crianças.”
Enquanto o especialista Vitor Paro da Faculdade de Educação da USP entende que a indicação desse livro para um programa de incentivo à alfabetização é de causar perplexidade. "Uma coisa é ouvir o palavrão na rua. Outra é a escola endossar o palavrão. Oferecer um livro assim é dar a chancela de que isso é certo." Uma criança de nove anos não tem personalidade formada para essas informações. "É pornografia."
Por outro lado, a Associação dos Cartunistas do Brasil manifestou repúdio à forma como a imprensa vem tratando o livro publicado pela editora Via Leterra, prefaciado pelo ex-atleta Tostão: "O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular". Já no site Universo HQ, o jornalista Eduardo Nasi acrescenta o seguinte: "O problema não é o álbum. Óbvio que não. O problema, claro, é que alguma besta do governo indicou o livro para compra porque deve ter considerado que era uma boa recomendação. Para se proteger, Serra jogou a culpa no lado mais fraco: a HQ. É uma atitude covarde. Mas recorrente em políticos acuados pelas barbaridades que fazem”.
Pois é, imagino que aquilo que deveria servir de apoio aos alunos da 3ª série do ensino fundamental virou pesadelo e o resultado é mais dinheiro público jogado pelo ralo. Não ganhou maiores proporções porque chegou ao conhecimento da mídia – cada exemplar, segundo a Folha de São Paulo, custou aos cofres públicos R$ 21,86. Agora que é muito estranho um livro com esses “atributos” passar pela alta cúpula do governo sem que ninguém perceba, isto é.
Não parou por aí o desconforto. Dos 1.700 exemplares comprados, 1.216 foram distribuídos nas escolas e isso aumentou ainda mais a aflição entre as autoridades da Secretaria de Educação, até o governador José Serra reconheceu o erro e em entrevista ao SPTV disse: “Eu, aliás, achei de muito mau gosto. Nós abrimos uma sindicância para apurar a responsabilidade. Está sendo investigado e as pessoas que deixaram o livro passar despercebido vão ser punidas”. Rechaçou Serra.
Para Ângela Soligo, coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, o livro reforça a banalização do sexo e tem papel inverso. “Se esse material transmite preconceito, caricatura, palavrão, uma visão deturpada da sexualidade, então o lugar dele não é na escola. Isso evidencia claramente uma falta de zelo com a escolha do material que vai para a escola. Quem escolheu, não leu. Ou quem escolheu leu, mas não tem a formação e o conhecimento necessário para perceber que aquele não é um livro para crianças.”
Enquanto o especialista Vitor Paro da Faculdade de Educação da USP entende que a indicação desse livro para um programa de incentivo à alfabetização é de causar perplexidade. "Uma coisa é ouvir o palavrão na rua. Outra é a escola endossar o palavrão. Oferecer um livro assim é dar a chancela de que isso é certo." Uma criança de nove anos não tem personalidade formada para essas informações. "É pornografia."
Por outro lado, a Associação dos Cartunistas do Brasil manifestou repúdio à forma como a imprensa vem tratando o livro publicado pela editora Via Leterra, prefaciado pelo ex-atleta Tostão: "O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular". Já no site Universo HQ, o jornalista Eduardo Nasi acrescenta o seguinte: "O problema não é o álbum. Óbvio que não. O problema, claro, é que alguma besta do governo indicou o livro para compra porque deve ter considerado que era uma boa recomendação. Para se proteger, Serra jogou a culpa no lado mais fraco: a HQ. É uma atitude covarde. Mas recorrente em políticos acuados pelas barbaridades que fazem”.
Pois é, imagino que aquilo que deveria servir de apoio aos alunos da 3ª série do ensino fundamental virou pesadelo e o resultado é mais dinheiro público jogado pelo ralo. Não ganhou maiores proporções porque chegou ao conhecimento da mídia – cada exemplar, segundo a Folha de São Paulo, custou aos cofres públicos R$ 21,86. Agora que é muito estranho um livro com esses “atributos” passar pela alta cúpula do governo sem que ninguém perceba, isto é.
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