Elogio ao leitor tolerante
Ultimamente alguns leitores não tem me poupado. Enviam e-mails com insultos, grosserias e todo tipo de assacações. Entendo a fúria deles. Para os que me detratam, pediria que compreendessem o seguinte: Uma crônica com o título Academia do Papo, em nenhum momento pode ser levada a sério. Ademais, nunca disse que os escritos aqui devessem ser avaliados como algo científico. Em relação aos furiosos leitores que insistem na cobrança de seriedade, diria que se eles tivessem conhecimento do que pensa sobre isso um homem como Paul Valéry, por exemplo, mudariam sensivelmente suas opiniões. Eu, particularmente, desconfio daquilo que se diz sério e especialmente das pessoas que se proclamam assim. Esse povo sério, historicamente já disse a que veio. Lembram-se de Hitler, Mussolini, Stalin? Eram homens muito sérios. Seríssimos! Mas não são apenas esses que mencionei que eram sérios. Existe por aí um montão de homens sérios (?) que eu, francamente, jamais andaria em tão infausta companhia. Gosto mesmo é de ser simples. Como é bom ser simples, natural, tolerante, sem preconceito e poder andar com a alma leve, sorrindo. Não tenho e não vejo inimigos em ninguém. Cada ser humano é um irmão. Por todos tenho respeito, mesmo quando são sacanas! Para esses tenho uma arma poderosa: O perdão. Isso tem me custado muitas censuras, eu sei. Tem gente que me acha idiota, alienado, tolerante demais, sem ambição, enfim, um otário! O que posso fazer?
É neste mundo de ambições e aparências, onde um sujeito como eu, será sempre observado como um besta. Mas me vingo dele [o mundo] achando-o mesquinho, medíocre capaz de levar pessoas a transformarem ambição por porqueira em uma luta contra o seu semelhante. Tô fora! Todo mundo quer seu lugar ao sol e depois que o ocupa, quer tirar o sol dos outros. Quando observamos um sujeito ambicioso, logo notamos nele suas constantes inquietações. É impressionante sua capacidade de discordar. O encontraremos sempre dizendo que Fulano está atrapalhando os planos. Beltrano não é de nossa corrente. Sicrano está fazendo coisa errada. E por aí vai. Sim, a vida é luta de classes, dizia o velho Marx. Pior é que é mesmo (o alemão sabia ver longe). Hoje as “categorias” se preparam 24 horas para o enfrentamento. Não poderia ser diferente. Quanto mais as estruturas crescem, mais difíceis ficam para serem vencidas pelos indivíduos. Portanto, os sujeitos se organizam em profissões, classes, e entidades e partem para defesa dos seus interesses, respaldados pela “categoria”. Todo mundo agora pertence a uma “categoria”. Menos eu. A cada dia me escondo e fico distante das categorias. Nunca fui de empunhar bandeira de nada. Sempre me preparei para o massacre, para o pelotão de fuzilamento.. E agora que escrevo estas bestagens, de repente aparece meia dúzia de pessoas bravas, me chamando de idiota, babaca e outras cositas más. Elas devem ser geniais...
Take ease, my brother! Confie em Deus. Fique tranquilo, não serei contra suas ideias. Elas são suas, não minhas. E eu as respeito. Mesmo que discorde delas frontalmente. Jamais faria qualquer coisa para cercear o direito de alguém se exprimir. Lembra-se daquela lição de Voltaire? Isso mesmo, ele disse: “Mesmo discordando de suas ideias, tudo farei para que o senhor tenha o direito de expressa-las”. Convenhamos: o histriônico pensador era um sujeito possuidor de excelente visão de democracia. Infelizmente nem todos alcançaram e aprenderam sua lição. Lamentável!
Mas o leitor tolerante merece minha menção. Ele sabe que não sou um gênio. Estou muito longe disso. Sabe também que uma coluna como esta, tem por objetivo apenas levantar algumas questões que às vezes passam despercebidas e que precisam ser vistas com os olhos de quem escreve, não com os de quem lê. O leitor tem todo o direito de discordar. Ele é outra pessoa, outra educação, outra cultura e visão de mundo.
Declaro ser associado de carteirinha do Clube dos Caras Bestas. E, felizmente, tenho certeza de não ser o único dessa agremiação. As pessoas que me conhecem sabem que sou um sujeito infanto-juvenil.. Lírico e sentimental. Contraditório e espalhafatoso. Comedido e cara de pau. Mas acima de tudo, simples. Em alguns momentos, até simplório. Adoro a vida e tenho o maior respeito pela opinião dos outros, mesmo quando sou obrigado a discordar delas (coisa rara, raríssima). Dentre tantos defeitos, reconheço ter mais este: Costumo dar razão a todo mundo. Creio ter herdado isso do meu avô materno que adorava não discordar de ninguém: Todo mundo tem razão e todo mundo está errado, dizia ele. De vez em quando, completava o meu Vô, alguns agem certos. O velhinho era sensacional.
Nunca me imaginei sendo um Delegado de Polícia. Se tivesse sido, seria demitido em menos de uma semana. Sempre dou razão a todo mundo. Pode um homem desses? Sou assim! Procuro ver o lado hilário das coisas. Acho graça das nossas fraquezas. Descobri que para um mundo cruel como este, só muitas gargalhadas para aliviar. Caro leitor tolerante, continue sendo assim comigo. Deus há de reservar um lugar bom prá você no Céu. Quanto aos intolerantes, brutos e falastrões, Deus também haverá de apiedar-se. Quer saber? Deus vai nos perdoar. ELE sabe que aqui na Terra não passamos de anjos deficientes. Um abraço cordial e, por favor, não precisa concordar comigo. Basta dizer, sim Senhor! Paulo Pires
(*) Professor UESB-FAINOR.
Ultimamente alguns leitores não tem me poupado. Enviam e-mails com insultos, grosserias e todo tipo de assacações. Entendo a fúria deles. Para os que me detratam, pediria que compreendessem o seguinte: Uma crônica com o título Academia do Papo, em nenhum momento pode ser levada a sério. Ademais, nunca disse que os escritos aqui devessem ser avaliados como algo científico. Em relação aos furiosos leitores que insistem na cobrança de seriedade, diria que se eles tivessem conhecimento do que pensa sobre isso um homem como Paul Valéry, por exemplo, mudariam sensivelmente suas opiniões. Eu, particularmente, desconfio daquilo que se diz sério e especialmente das pessoas que se proclamam assim. Esse povo sério, historicamente já disse a que veio. Lembram-se de Hitler, Mussolini, Stalin? Eram homens muito sérios. Seríssimos! Mas não são apenas esses que mencionei que eram sérios. Existe por aí um montão de homens sérios (?) que eu, francamente, jamais andaria em tão infausta companhia. Gosto mesmo é de ser simples. Como é bom ser simples, natural, tolerante, sem preconceito e poder andar com a alma leve, sorrindo. Não tenho e não vejo inimigos em ninguém. Cada ser humano é um irmão. Por todos tenho respeito, mesmo quando são sacanas! Para esses tenho uma arma poderosa: O perdão. Isso tem me custado muitas censuras, eu sei. Tem gente que me acha idiota, alienado, tolerante demais, sem ambição, enfim, um otário! O que posso fazer?
É neste mundo de ambições e aparências, onde um sujeito como eu, será sempre observado como um besta. Mas me vingo dele [o mundo] achando-o mesquinho, medíocre capaz de levar pessoas a transformarem ambição por porqueira em uma luta contra o seu semelhante. Tô fora! Todo mundo quer seu lugar ao sol e depois que o ocupa, quer tirar o sol dos outros. Quando observamos um sujeito ambicioso, logo notamos nele suas constantes inquietações. É impressionante sua capacidade de discordar. O encontraremos sempre dizendo que Fulano está atrapalhando os planos. Beltrano não é de nossa corrente. Sicrano está fazendo coisa errada. E por aí vai. Sim, a vida é luta de classes, dizia o velho Marx. Pior é que é mesmo (o alemão sabia ver longe). Hoje as “categorias” se preparam 24 horas para o enfrentamento. Não poderia ser diferente. Quanto mais as estruturas crescem, mais difíceis ficam para serem vencidas pelos indivíduos. Portanto, os sujeitos se organizam em profissões, classes, e entidades e partem para defesa dos seus interesses, respaldados pela “categoria”. Todo mundo agora pertence a uma “categoria”. Menos eu. A cada dia me escondo e fico distante das categorias. Nunca fui de empunhar bandeira de nada. Sempre me preparei para o massacre, para o pelotão de fuzilamento.. E agora que escrevo estas bestagens, de repente aparece meia dúzia de pessoas bravas, me chamando de idiota, babaca e outras cositas más. Elas devem ser geniais...
Take ease, my brother! Confie em Deus. Fique tranquilo, não serei contra suas ideias. Elas são suas, não minhas. E eu as respeito. Mesmo que discorde delas frontalmente. Jamais faria qualquer coisa para cercear o direito de alguém se exprimir. Lembra-se daquela lição de Voltaire? Isso mesmo, ele disse: “Mesmo discordando de suas ideias, tudo farei para que o senhor tenha o direito de expressa-las”. Convenhamos: o histriônico pensador era um sujeito possuidor de excelente visão de democracia. Infelizmente nem todos alcançaram e aprenderam sua lição. Lamentável!
Mas o leitor tolerante merece minha menção. Ele sabe que não sou um gênio. Estou muito longe disso. Sabe também que uma coluna como esta, tem por objetivo apenas levantar algumas questões que às vezes passam despercebidas e que precisam ser vistas com os olhos de quem escreve, não com os de quem lê. O leitor tem todo o direito de discordar. Ele é outra pessoa, outra educação, outra cultura e visão de mundo.
Declaro ser associado de carteirinha do Clube dos Caras Bestas. E, felizmente, tenho certeza de não ser o único dessa agremiação. As pessoas que me conhecem sabem que sou um sujeito infanto-juvenil.. Lírico e sentimental. Contraditório e espalhafatoso. Comedido e cara de pau. Mas acima de tudo, simples. Em alguns momentos, até simplório. Adoro a vida e tenho o maior respeito pela opinião dos outros, mesmo quando sou obrigado a discordar delas (coisa rara, raríssima). Dentre tantos defeitos, reconheço ter mais este: Costumo dar razão a todo mundo. Creio ter herdado isso do meu avô materno que adorava não discordar de ninguém: Todo mundo tem razão e todo mundo está errado, dizia ele. De vez em quando, completava o meu Vô, alguns agem certos. O velhinho era sensacional.
Nunca me imaginei sendo um Delegado de Polícia. Se tivesse sido, seria demitido em menos de uma semana. Sempre dou razão a todo mundo. Pode um homem desses? Sou assim! Procuro ver o lado hilário das coisas. Acho graça das nossas fraquezas. Descobri que para um mundo cruel como este, só muitas gargalhadas para aliviar. Caro leitor tolerante, continue sendo assim comigo. Deus há de reservar um lugar bom prá você no Céu. Quanto aos intolerantes, brutos e falastrões, Deus também haverá de apiedar-se. Quer saber? Deus vai nos perdoar. ELE sabe que aqui na Terra não passamos de anjos deficientes. Um abraço cordial e, por favor, não precisa concordar comigo. Basta dizer, sim Senhor! Paulo Pires
(*) Professor UESB-FAINOR.







Um comentário:
É de causar indignação quando aparece uns canalhas travestidos de anônimos para querer menosprezar homens de bem, pessoas que dão a sua contribuição como cidadão para o bem da sociedade e para o desenvolvimento intelectual da juventude. Senhores moderadores tomem cuidado. Covardes não podem degustar do veneno e da sanha que derramam em gente honestas e que passam energia positiva. Paulo você tem o brilho. Pense nisso amigo. Marcelo Aguiar
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