segunda-feira, 27 de abril de 2009

Explicações que não convencem


A coisa quando começa a ficar cingida, a apreensão substitui a razão, aumenta-se a incerteza, invade o sentido do razoável e o impraticável passa a ser a palavra-chave. O que vale mesmo é o que está escrito e pouco importa a suscitação da dúvida. Agora que tem alguma coisa merecendo explicação, isso tem. Até hoje não se consegue entender o porquê que não se reduz o valor dos combustíveis, principalmente da gasolina e do óleo diesel – uma vez que o barril do petróleo tinha beirado a casa dos 150 dólares e os efeitos da crise global fizeram cair para algo em torno de 50; e, ainda assim, o preço para o consumidor brasileiro permanece o mesmo. As explicações dos especialistas não conseguem convencer a ninguém e parece até que estamos anestesiados, já que a descrença é tanta que nenhuma pessoa sequer reclama.

Já no Fórum Empresarial de Comandatuba (BA) – na famosa Ilha da Fantasia, ali bem depois de Olivença, em Ilhéus, quando estiveram reunidos muitos governadores, empresários, membros do governo e o presidente Lula; o ministro de Minas e Energia Édison Lobão, nesta segunda-feira, 20, foi interrogado a respeito dos murmúrios que rondaram Brasília, semana passada, sobre a possibilidade de a Casa Civil interferir nos preços dos combustíveis. O ministro reagiu e afirmou ser possível baixar os preços da gasolina e do diesel nos próximos 120 dias. Um discurso que ao meu modo de entender faz pouco sentido prático, pois o descaso é tanto que é preciso quatro meses para a tomada de decisão. Isso, além de deixar a população indignada, demonstra como a morosidade e o combalido é vivenciado na gestão pública. Por conveniência, vão precisar de quatro meses ou mais para se tomar uma decisão sobre o preço de um produto que somente o Governo tem poder para tal. Se fosse o contrário, não restariam dúvidas que na virada da noite os postos seriam avisados e a população arcaria com o ônus e o quer é pior, sem direito a crítica.
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Tentando justificar-se, Lobão disse que a redução no preço dos combustíveis encontra resistências em muitas esferas, principalmente entre a maioria dos governadores. Falou também que se for feita de forma abrupta, além do prejuízo que a Petrobrás terá que arcar, os estados não abrem mão de perder arrecadação de ICMS, em função de uma possível queda no faturamento. "É natural que eles não gostem, porque estamos num momento em que todos estão perdendo receita. Mas nós vamos fazer mesmo assim", garantiu o ministro. De outra forma, a Petrobrás insiste no discurso de que não vai alterar um milímetro na política de preços, argumenta que quando o barril do petróleo estava em alta não houve qualquer aumento na bomba. Esquece ela, porém, que em novembro passado foi divulgado o seu balanço com um lucro recorde superando o período anterior em torno de 61%. Na verdade, o que se observa é a ganância das instituições e é óbvio que ninguém está disposto a ceder, ainda mais em situação de crise.
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Mesmo não sendo especialista no assunto, mas vejo que o Governo está diante de uma excelente oportunidade com a diminuição dos preços dos combustíveis, até porque o impacto sobre as demais etapas da produção pode incentivar a demanda de vários outros produtos, fazendo com que a ciranda da economia passe a girar com mais firmeza e proporcionar a geração de empregos, uma vez que a construção civil, a indústria automotiva e mais recente os fabricantes de eletrodomésticos obtiveram benefícios para estimular as suas respectivas cadeias produtivas, por consequência favorecendo o crescimento do PIB.
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Contudo, enquanto o foco da grande mídia estiver voltado para a farra das passagens aéreas do Congresso Nacional e para as asperezas dos ministros do Supremo Tribunal Federal – Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa; vamos ficar aguardando e torcendo para que a promessa do ministro de Minas e Energia se transforme em realidade, pois dentro de um raciocínio lógico e levando-se em conta o estado de orfandade em que está submetida a população brasileira não resta outro consolo senão esperar.

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei desse artigo. O preço atual do combustível é algo difícil de engolir. Na primeira oportunidade, na calada da noite, aumentam e pra baixar é tão complicado.Como são eficientes os nossos ministros! Eficientes ou safados? Acredito que seja o último adjetivo.

PS
Aqui está o protesto de um consumidor que não aceita essa realidade escabrosa.

Anônimo disse...

O leitor anterior tem toda a razão. Politico é tudo igual. A eficiencia em enganar o povo é visivel. Não são eficientes são mesmo safados? Acredito que seja o adjetivo adequado. Um eleitor indignado. Parabéns ao jornalista que escreve este artigo. Muito bom e bem colocado.

Anônimo disse...

O que meu amigo Sena comentou está " rolando " em todas as praças e botequins de Conquista, e acho eu, em todo Brasil. É uma falta de vergonha por parte dos governantes e nossa ( a sociedade ) inérsia é dada como se fosse uma procuração para eles agirem assim. Para quem não sabe, o consumidor argentino, isso mesmo, argentino, paga miseros R$ 1,50 pela nossa gasolina. Grato, Antonio Carlos ( CEASA )

Unknown disse...

Grande Ezequiel.

Infelizmente a grande mídia que temos em nosso Brasil tem que ser abolida !

Eles só fazem o que é de interesse dos seus patrocinadores...veja aquio mesmo em Conquista, o preço do gás de cozinha é mais caro que na vizinha cidade de Anagé, e cadê nossos representantes do legislativo que nada fazem ?

Um forte abraço !