quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Novos prefeitos enfrentam dívidas e materiais destruídos



Equipamentos destruídos. Documentos que sumiram ou foram apagados. Ambulâncias sem funcionar por falta de peças. Situações enfrentadas por moradores de duas cidades do interior da Bahia.

Em Juazeiro, o secretário de Serviços Públicos, Flávio Silva, mostra o estado dos carros que deveriam estar a serviço da população. Ambulâncias estão sem peças e até sem motor. Nos tratores faltam pneus. O gerente administrativo da Secretária de Saúde da gestão anterior, Robério Truman, disse que alguns carros não foram recuperados por causa de dificuldades financeiras. Já o desaparecimento das peças e dos pneus ainda está sem explicação.


Nas salas do prédio da prefeitura de Ipiaú, no sudoeste do estado, os armários onde deveriam estar guardados contratos e contas estão vazios. Os arquivos dos computadores foram apagados e alguns tiveram peças retiradas. A conexão com a internet também foi desativada.

As secretarias mais afetadas foram as de Finanças e de Ação Social. Numa sala, por exemplo, onde é feito o atendimento a pessoas que dependem de benefícios como Bolsa Família e doação de cestas básicas, o registro de todas as famílias cadastradas sumiram.

‘Já fizemos ocorrência na Polícia Civil, a Polícia Militar já tomou, através das suas autoridades máximas, conhecimento da realidade, [informamos] ao Ministério Público, à Polícia Federal’, diz o prefeito de Ipiaú, Deraldino Alves.

Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, já estão sendo ouvidas testemunhas, funcionários e ex-funcionários da prefeitura.

A produção do BATV tenta há três dias entrar em contato com a ex-prefeita de Ipiaú, Sandra Lemos, ou algum representante da administração anterior, mas ninguém foi encontrado.

Floresta Azul - E no sul do estado, outro município passa por problema parecido. Em Floresta Azul, a nova prefeita encontrou o hospital fechado, problemas nas escolas e muitas dívidas.

O hospital no centro da cidade está interditado há três meses. Médicos, enfermeiros e funcionários deixaram de trabalhar por falta de pagamento. O atendimento à população é feito em um posto de saúde.

O posto está em situação precária. Consultórios com infiltração nas paredes, equipamentos enferrujados na sala de curativos, falta de manutenção para atender a todos de forma adequada. O problema não está só na saúde. Alunos de dez escolas da zona rural e três do distrito de Coquinhos não concluíram o ano letivo.

‘Até o dia 14 de outubro tivemos carro para ir para a zona rural. Desta data em diante, não teve mais carro’, conta o professor Josevaldo Santos de Oliveira.

73% do orçamento do município está comprometido por causa das dívidas. ‘No momento nós não temos condição de assumir todo esse débito, mas ele será pago ao funcionário, o município deve ao funcionário público, tem obrigação de pagar e para isso se buscará uma solução junto à Justiça’, garante a prefeita de Floresta Azul, Sandra Cardoso.

O ex-prefeito da cidade, Carlos Hamilton, não foi localizado para falar sobre o assunto.

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