terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Conquista ganha mais uma biblioteca

Através da Portaria nº 92, assinada pelo ministro Juca Ferreira, o Ministério da Cultura selecionou o projeto “Biblioteca Comunitária Oswaldo Orlando da Costa”, de autoria do gerente de projetos da ADTR/PMVC, Élvio Magalhães, no âmbito do Concurso Pontos de Leitura 2008 - Edição Machado de Assis, desenvolvido por meio da Coordenação Geral de Livro e Leitura (CGLL) .

O projeto foi elaborado visando parceria entre a Agência de Desenvolvimento, Trabalho e Renda- ADTR da Prefeitura Municipal, a ONG Oficina da Cidadania e a UESB, beneficiando os moradores do bairro São Vicente, os alunos do Cidadania Pré-vestibular para Afrodescendentes e dos cursos do Pronera, TOPA e de inclusão digital da FETAG-BA.



A Biblioteca Comunitária receberá um kit formado por 500 livros, mobiliário básico e computador, no valor unitário de R$ 20 mil reais.



Para Élvio Magalhães, o projeto selecionado incentiva a prática da leitura e democratiza o acesso ao livro, garantindo para Vitória da Conquista mais um equipamento cultural.



O HOMENAGEADO:


Oswaldo Orlando da Costa foi um dos principais integrantes da Guerrilha do Araguaia, ocorrida na região Norte do Brasil na década de 70 de combate à Ditadura Militar. Negro, forte, com quase dois metros de altura, ele era uma figura inconfundível. Quem o conheceu se refere à ele como um homem alegre, sensível e extremamente justo.



Membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Osvaldão foi obrigado a viver na clandestinidade depois do golpe militar de 1964, quando passou a ser procurado por sua militância. Antes, porém, foi campeão de boxe pelo clube Botafogo, do Rio de Janeiro, e estudante de Engenharia de Minas, em Praga, na Checoslováquia, onde viveu alguns anos até formar-se.


Osvaldão foi um dos primeiros militantes comunistas a chegar na região do Araguaia, com a missão de organizar a luta armada contra a ditadura de 64. Entrou como garimpeiro e mariscador. Tornou-se, em pouco tempo, o maior conhecedor da área ocupada pelos guerrilheiros. Muito querido pelos companheiros e moradores locais, não tardou para que Osvaldo fosse promovido à comandante de um destacamento guerrilheiro.



À frente do Destacamento B, Osvaldão participou com êxito de vários combates contra as tropas do governo. Devido à sua formação militar, adquirida nos tempos em que foi oficial da reserva do CPOR, ele era um dos guerrilheiros mais temidos pelo Exército. Por sua disciplina, bravura e inteligência, tornou-se uma espécie de lenda no Araguaia, onde até hoje é lembrado com carinho pelos moradores.



Osvaldão foi, provavelmente, o último guerrilheiro a ser morto pelos militares, na selva do Araguaia. Segundo o Relatório Arroyo, do PCdoB, o comandante negro teria sido morto e decapitado em 1975, quando foi localizado pelos inimigos próximo à uma cachoeira, muito magro, ferido e doente. Quem teria atirado em Osvaldão foi o mateiro Arlindo Piauí, que servia de guia para as tropas do Exército no interior da floresta.


Sua morte pode ser considerada o ponto final simbólico da epopéia e do sonho guerrilheiro no Araguaia. Até hoje seus restos mortais continuam desaparecidos.



Homens como Osvaldão, sacrificados na luta contra a ditadura, teriam feito muita diferença na construção de um Brasil melhor, depois da democratização! Osvaldão não era o ser insensível que se acredita encarnar nos guerrilheiros por força das condições adversas. Transpirava solidariedade e o que o movia não era nenhum complexo ou frustração, a não ser com as condições inumanas em que vivem seus concidadãos.



Encontrar neste momento seus restos mortais, assim como o de seus companheiros, e prestar-lhe uma homenagem, não vai reparar o mal causado por seu assassinato, mas vai manter viva sua memória, para que outros se mirem em seu exemplo, tirando dele a lição de que mais importante que ter sucesso na vida é dar a ela algum sentido! Um sentido que resgate a dignidade do homem brasileiro!

Élvio Magalhães

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