terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ministros recebem "água radioativa" de Caetité


Os ministros de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e do Meio Ambiente, Carlos Minc receberam nesta segunda-feira (15), garrafas contendo ‘água radioativa’ que era consumida por parte da população de Caetité, no sudoeste da Bahia.

A água, coletada em poços que apresentaram altos índices de urânio, foi entregue por um ativista vestido de “garçom-caveira” para cobrar medidas do governo federal em relação à denúncia feita pelo Greenpeace em outubro.

A investigação do Greenpeace mostrou que a água consumida por famílias que vivem na área de influência direta da mina de urânio operada pela estatal Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) apresentava concentrações do mineral radioativo até sete vezes acima dos limites da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na ocasião, foi divulgado o relatório “Ciclo do Perigo: Impactos da produção de combustível nuclear no Brasil”, que detalhou as análises da qualidade da água bem como os acidentes, infrações e problemas de licenciamento que marcam a operação da INB em Caetité.


Urânio

Após a denúncia, o Instituto de Gestão das Águas (Inga) da Bahia fez novas coletas de água e confirmou a contaminação ambiental por urânio em um poço na mesma região das análises do Greenpeace, localizado dentro do raio de 20 quilômetros no entorno da mina, definido pela licença ambiental do Ibama como área de influência direta do empreendimento da INB.

Em novembro, após audiência pública para tratar do caso, o Ministério Público Federal determinou que uma auditoria independente fosse realizada para esclarecer a origem e a extensão da contaminação e os outros problemas relacionados à INB.

- Até agora, a INB, que é uma empresa estatal controlada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear e vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, limitou-se a negar qualquer responsabilidade sobre o caso e não está colaborando com a investigação independente decidida pelos procuradores federais -, afirmou a coordenadora da campanha de energia nuclear do Greenpeace, Rebeca Lerer.

Mobilização

Após mais de 40 dias de problemas no abastecimento da água, as comunidades de Caetité se mobilizaram e já contrataram um escritório de advocacia de Salvador para defender seus direitos à informação e à água de qualidade.

- Antes de investir bilhões de reais de recursos públicos na retomada de um perigoso Programa Nuclear Brasileiro, o governo federal tem que considerar a saúde e o direito à informação das pessoas que vivem à sombra das operações da INB e que já sofrem na pele as conseqüências do uso da energia nuclear. -, conclui Rebeca.

Foto: Divulgação Greenpeace

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Fonte: Agência Amazônia - AT

2 comentários:

Anônimo disse...

A atuação do Greenpeace - nesse caso particular, tenho sido efetiva e veemente!.O Greenpeace,lembrou bem,que e de o ministro do meio ambiente -Carlos Minc - Até o momento, não prónunciou a respeito Idem , o secretário estadual!.J Dean

Anônimo disse...

...não ouvimos algum pronunciamento,nem mesmo da eficiente secretária de meio ambiente do estado da Bahia!!! Eng.Waldemar Pereira da Anúnciação.