Por Ezequiel Sena
Mais um episódio vergonhoso, desmoralizador e que causou perplexidade ao país inteiro. Desta vez não foi seqüestro, tragédia de avião, crime passional ou coisa semelhante; aconteceu com aqueles que perderam as roupas, os móveis, a casa inteira e os entes da família, nas enchentes de Santa Catarina. As imagens mostradas pela televisão nesta segunda-feira (15/12) foram suficientes para causar revolta e indignação. Um lamentável desrespeito para com os flagelados. Voluntários e soldados do Exército viraram as costas para a decência sendo flagrados furtando alimentos, roupas, calçados e outros objetos que deveriam chegar às mãos das vítimas da tragédia. Material este resultante da boa ação de milhares de pessoas que têm enviado mantimentos para a população atingida pelas chuvas e que, infelizmente, não está chegando a quem precisa como deveria.
Para quem perdeu tudo, não tem nada, ou melhor, nunca teve nada, sobrevive não se sabe como; sentem-se confortados com as manifestações de solidariedade do povo brasileiro. São demonstrações, mesmo paliativas, contudo amenizadoras e, suficientemente oportunas, para fazer com que as vítimas se comportem e permaneçam vivendo como gente, pessoas amparadas, verdadeiros seres humanos, e não percam a esperança.
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Agora voltando ao triste episódio, o vídeo mostrou claramente os caminhões chegando ao pavilhão e imediatamente eram descarregados pelos soldados. Uns desciam a carga, outros checavam as condições dos materiais. As peças de melhor qualidade e em bom estado de conservação eram colocadas dentro de mochilas. As mesmas pessoas que estão dedicando o seu tempo para ajudar o próximo deixam-se levar pela ambição, pelo olho “gordo” ou pelo egoísmo, depois saem jurando que não fizeram nada - como foi o caso do rapaz que superlotou seu veículo de alimentos. Pelo seu perfil, percebe-se que não precisava fazer aquilo. Mas fez! Parece que pegar o alheio está enraizado na veia de grande parte da população brasileira. Não consegue resistir às facilidades, como também aos atrativos maléficos da visão. Ainda bem que as imagens contradizem quaisquer contestações.
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Ao ser entrevistado, o comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Manoel Luiz Pafiadache, disse: "Além de lamentável, é doloroso. Abrimos uma sindicância para não sermos injustos com quem trabalhou corretamente e responsabilizar os malfeitores responsáveis por esta grave falta". Realmente a confiança nos voluntários sérios e honestos não pode ser maculada, até porque são pessoas que dedicam seu tempo com o propósito de ajudar o próximo e não devem, por causa da ação de poucos, terem a sua idoneidade abalada. Não se pode compactuar com o furto, entretanto, isso aconteceu principalmente porque não estavam distribuindo os donativos como devia; ou talvez a necessidade daquele povo não está sendo tão grande quanto o sensacionalismo propagado pela grande imprensa.
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Mas, cá pra nós, perante tanto sofrimento, famílias inteiras soterradas, não nos cabe aqui avaliar ou julgar os gestos de generosidade de ninguém, independente da cidade ou estado que teve a iniciativa de arrecadar, mesmo nos parecendo insignificantes; os objetivos tornam-se bem mais sublimes e edificantes. O povo não pode se deixar levar pelo egoísmo ou pelo individualismo daqueles que têm o discurso na ponta da língua "o nordeste é muito mais pobre," e é verdade, não há como negar, contudo, jamais fizeram algo para ajudar a mudar. Pensar dessa maneira é o mesmo que admitir o exclusivismo para sulistas ou para nordestinos. A solidariedade não fica atrelada a privilégios, e muito menos a interesses mesquinhos, ela é bem mais superior a tudo isso!
Para quem perdeu tudo, não tem nada, ou melhor, nunca teve nada, sobrevive não se sabe como; sentem-se confortados com as manifestações de solidariedade do povo brasileiro. São demonstrações, mesmo paliativas, contudo amenizadoras e, suficientemente oportunas, para fazer com que as vítimas se comportem e permaneçam vivendo como gente, pessoas amparadas, verdadeiros seres humanos, e não percam a esperança.
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Agora voltando ao triste episódio, o vídeo mostrou claramente os caminhões chegando ao pavilhão e imediatamente eram descarregados pelos soldados. Uns desciam a carga, outros checavam as condições dos materiais. As peças de melhor qualidade e em bom estado de conservação eram colocadas dentro de mochilas. As mesmas pessoas que estão dedicando o seu tempo para ajudar o próximo deixam-se levar pela ambição, pelo olho “gordo” ou pelo egoísmo, depois saem jurando que não fizeram nada - como foi o caso do rapaz que superlotou seu veículo de alimentos. Pelo seu perfil, percebe-se que não precisava fazer aquilo. Mas fez! Parece que pegar o alheio está enraizado na veia de grande parte da população brasileira. Não consegue resistir às facilidades, como também aos atrativos maléficos da visão. Ainda bem que as imagens contradizem quaisquer contestações.
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Ao ser entrevistado, o comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Manoel Luiz Pafiadache, disse: "Além de lamentável, é doloroso. Abrimos uma sindicância para não sermos injustos com quem trabalhou corretamente e responsabilizar os malfeitores responsáveis por esta grave falta". Realmente a confiança nos voluntários sérios e honestos não pode ser maculada, até porque são pessoas que dedicam seu tempo com o propósito de ajudar o próximo e não devem, por causa da ação de poucos, terem a sua idoneidade abalada. Não se pode compactuar com o furto, entretanto, isso aconteceu principalmente porque não estavam distribuindo os donativos como devia; ou talvez a necessidade daquele povo não está sendo tão grande quanto o sensacionalismo propagado pela grande imprensa.
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Mas, cá pra nós, perante tanto sofrimento, famílias inteiras soterradas, não nos cabe aqui avaliar ou julgar os gestos de generosidade de ninguém, independente da cidade ou estado que teve a iniciativa de arrecadar, mesmo nos parecendo insignificantes; os objetivos tornam-se bem mais sublimes e edificantes. O povo não pode se deixar levar pelo egoísmo ou pelo individualismo daqueles que têm o discurso na ponta da língua "o nordeste é muito mais pobre," e é verdade, não há como negar, contudo, jamais fizeram algo para ajudar a mudar. Pensar dessa maneira é o mesmo que admitir o exclusivismo para sulistas ou para nordestinos. A solidariedade não fica atrelada a privilégios, e muito menos a interesses mesquinhos, ela é bem mais superior a tudo isso!








3 comentários:
Olá Ezequiel, realmente muito desumana a atitude desses ladrões, ainda bem que mostraram às cameras, mas imagine ai o que não tem de gente cometendo tais atitudes sem nosso conhecimento.
Dias atrás fui a Farmácia Pague Menos, a conta veio no valor de R$ 29,31, doei R$ 0,69,mas não tenho uma plena certeza que realmente esse valor, tão simbolico, chegue realmente ao destino, nem mesmo os milhões que a Rede Globo arrecarda todos os anos com o Programa da Unicef.
Hoje mesmo, está até no Blog, um cidadão catarinense, o agricultor Daniel da Silva perdeu tudo na enchente de Santa Catarina, inclusive cinco parentes. Entre as doações que a família recebeu, havia um casaco com R$ 20 mil dentro. Ele devolveu o dinheiro.
Atitudes como essas são honrosas, e serve de exemplo para a humanidade.
Um abraço.
Do amigo,
Anderson Oliveira.
Vivemos em um país que pratica a "Lei de Gerson", onde todos querem levar vantagem, até mesmo em coisas tão simples, com o risco de se sujar a tôa como neste episódio. Lamentável...
Nielson Pereira
Olá amigo,
Cheguei do sertão(muita chuva na região)agora a tarde e estava lendo as cronicas dos meus amigos. Admiro muito o que você escreve. Suas crônicas são bem diretas.
Vejo a sua presença opinativa muito segura.Parabéns! Muita paz e um Natal muito bom pra todos os amigos desta terra.
Edmundo Silva Santos
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