quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Uma luta de 100 anos

Monumento ao Índio de iniciativa de André Cairo.
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Foto de José Carlos D´Almeida
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Por Jerêmias Macário
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Milhares de nativos foram dizimados pelos portugueses comandados por João Gonçalves da Costa, mas a luta durou mais de um século até que os colonizadores conquistassem definitivamente o território do Sertão da Ressaca. As emboscadas, as traições e as armas de fogo marcaram uma era sangrenta contra as tribos. Antes, os Camacans, os Mongoiós, Imborés e os Pataxós já guerreavam entre si com arcos e flechas pela disputa das terras.

Naquela vastidão de território viviam os índios em suas aldeias, armando suas tendas de lugar em lugar, se sustentando da caça e da pesca. Depois da ocupação do litoral, o homem branco voltou-se para o interior do sertão na busca do ouro e de pedras preciosas. O governo custeava os bandeirantes e ordenava a ocupação das terras dos nativos com o uso da força, provocando matanças. As terras ao redor do que hoje é Conquista foram tomadas dos índios na base da violência e da opressão.






A Praça Tancredo Neves, onde antes era Jardim das Borboletas, foi um dos palcos das lutas e traições armadas pelo homem branco contra os índios. Foi local também de cemitério dos nativos e as ossadas deles estão lá até hoje. Foram dizimados pouco a pouco até o extermínio total. Como única homenagem foi levantado, depois de mais de 160 anos, por iniciativa e insistência do ambientalista Abdré Cairo, o Monumento ao Índio, na Praça Caxeiros Viajantes. Fora isso, os nativos só são lembrados na vaga literatura narrada por alguns historiadores.





João Gonçalves da Costa tinha a incumbência de ocupar todo território e criar condições de povoamento. Alguns estudiosos do assunto citam que os índios que habitavam nas terras atuais de Conquista só foram vencidos pelos colonizadores depois de muitas armadilhas enganosas. Conta-se que numa delas, eles foram atraídos para uma cerimônia de paz e depois envenenados através da bebida e dos alimentos. O ouro que tanto procuravam só foi encontrado nas cabeceiras do Rio das Contas, a partir de bandeiras vindas de Minas Gerais.

AS TRIBOS

A tribo Camacan se caracterizava pela permanência num local, enquanto os outros eram nômades e se deslocavam. A etnia Camacan habitava o sul da Bahia e entre os rios Pardo e das Contas, no sudoeste. Calcula-se que essa tribo de cerca de cinco mil índios, que confeccionava bolsas e sacolas e andava nu, morava no Sertão da Ressaca. A paz, muitas vezes era interrompida com as lutas contra os Pataxós e Imborés quando se tratava de delimitação territorial.





Já os Imborés e Pataxós não se fixavam num único local, mas todos eles pertenciam ao tronco Macro-Jê. Os Imborés eram morenos, cabelos e peles mais grossos, e usavam botoque de madeira nas orelhas e lábios. Por isso, eram também chamados de Botocudos e pintavam o corpo com urucum e jenipapo.





Os Pataxós, ainda encontrados na região de Porto Seguro, não pintavam seus corpos. Eles chegaram a se movimentar até a região do Planalto de Conquista, guerreando com os Mongoiós.
Os Mongoiós gostavam de dançar ao som dos chocalhos e maracás, feitos com cabaças, cascos de veado ou anta. Tinham respeito aos mortos e os funerais se prolongavam por dias. Para curar as doenças usavam fumaça de tabaco soprada sobre as doenças. Como se fixavam num território, os Mongoiós terminaram ocupando extensas áreas onde hoje é Conquista.

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