quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Divagando & Katilografando


Hodie Mihi...

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Extraída da leitura da crônica do Ezequiel Sena, aliás, por demais palpitante, a história de Conquista contada pelas fotos de saudosas lembranças do passado conquistense; só vêm nos revelar o quanto foi e não está deixando de ser o poder público municipal, um exterminador da memória do nosso passado. À escolha, não sei de qual secretaria, (existe Secretaria do Patrimônio Histórico em nossa cidade?) aos poucos, e ao alvedrio dessa, prédios de real importância foram e continuam sendo demolidos para dar lugar, por exemplo, à prédios como o Conquista Center, ao prédio que nunca foi terminado, o que hoje abriga em seu térreo, se não me engano, ao Banco Mercantil do Brasil (prédio construído pelo Ademar Galvão, ao que parece, pelos antigos e mal preparados mestres de obras conquistenses, não parece ter sido obra de engenheiro), a construção do Fórum, apagando da nossa historia o lindo e barroco prédio do colégio Barão de Macaúbas.


Bem amigo Ezequiel, eu saí da rotina de um comentário dentro da sua crônica para botar para fora o meu desagrado com todo esse estado de coisas, redigindo a minha crônica a respeito deste mal que nos arrebata material e espiritualmente. Permita-me, pois, discordar da sua opinião no que diz respeito estar sendo preservada a nossa história. Ou melhor, a preservação como bem disse o cronista, está sendo feita por seus próprios moradores; mas, até quando? Até que apareça um incorporador e faça uma proposta milionária pelo imóvel, para que, em lugar surja um novo “elefante branco” tal qual o que hoje hospeda o HSBC? Cadê o prédio do Banco Econômico da Bahia, com suas linhas aristocráticas? Cadê o prédio do Banco da Bahia, e a casa que era agência de venda de passagens da Viação São Geraldo, onde hoje, funciona no conjunto dessas obras criminosamente apagadas da nossa memória o Banco Bradesco?
No ano passado, no mês de novembro quando aí estive aí, em um jantar, na agradável companhia do Dr. José Pedral, eu o inquiri a respeito dessas e de tantas outras marcas históricas de nossa cidade que, aos poucos, foram dando lugar às obras que, em nada lembra o nosso povo e o nosso costume. Questionei dele a necessidade que disse ter havido à época para acabar com o nosso lago que era chamado de “Aguão”, que hoje muito bem poderia, como reservadas proporções, ser a nossa “Pampulha conquistense”. Respondeu-me o amigo e ex-prefeito J. Pedral, que a questão de esvaziamento e, por conseguinte, extinção do Aguão, se deu por ordem de Saúde Pública, na ocasião, havia uma proliferação de caramujos e que esses estavam propagando a doença esquistossomose; em razão dessa endemia, aproveitou o então prefeito à época, o Dr. J. Pedral, o conselho do médico sanitarista recém chegado à nossa cidade, de que desse um fim ao lago que era chamado de “Aguão”. Dessa atitude, que deu fim ao lago, há mais de quarenta e cinco anos, restou à nossa cidade, que tem suas bases fincadas no semi-árido baiano, a considerável diminuição na umidade relativa do ar, essa, que facilita a precipitação de chuvas em nossa cidade e região; ninguém à época teve capacidade de pensar nisso, ninguém!
Como se vê, medidas profiláticas, jamais! Mais fácil é, exterminar, acabar com o paciente, amputar a perna, o braço, do que, antes, adotar medidas capazes de recuperar o membro ou o órgão que está doente. Assim foi com o referido lago, foi também com o Lindóia, (mais tarde o Poleiro) quem sabe, essa casa que fica quase ao lado com a casa do Lanteney Nunes Braga, e um pouco abaixo da Receita Federal (esta também, para existir onde hoje está, teve que sepultar mais uma parte da nossa história) deixe de existir, pois está em aparente ruínas - é só dar uma passadinha lá, José Silva, e fazer uma foto desse imóvel, para registrar que o que eu falo daqui de Curitiba é uma verdade incontestável. Quem sabe, esse imóvel ao qual me referi, aos olhos e entendimento dos técnicos de insuspeita (?) competência, o melhor é mesmo derrubar, afinal, pode estar oferecendo perigo ao público em geral. Não é assim que se comportam em relação às árvores? Derrubem-na! Quem sabe, um dia pode dar uma ventania forte e cair sobre o nosso lindo carro ou, derrubar o nosso muro! Está tirando a visão externa da nossa linda mansão! Quem sabe?!
Passam-se os anos, e os administradores de nossa cidade cada vez mais se mostram menos interessados naquilo que fez a nossa história. O nosso Cemitério Público, (Jardim da Saudade) tem sido o verdadeiro exemplo de descaso para com o nosso povo, o estado de abandono em que se encontra aquele “Campo Santo” é lastimável! A moda em Conquista são os novos “Condomínios Pós Mortem”, ou seja: Os cemitérios da iniciativa privada. O poder público fechou os olhos para o que é seu dever, qual seja: cuidar do bem público, afinal o Cemitério ainda é do município, ou não é?
A verdade que nos consome, é a que, quanto mais envelhecemos, mais delegamos aos novos e menos comprometidos os desígnios dos nossos destinos e da nossa história; em delegar aos mais novos, nada contra, afinal, eles um dia terão mesmo que se encarregar dessa obrigação. Todavia, há que se traçar desde a infância dos nossos jovens, o compromisso que eles terão na preservação do nosso meio ambiente como um todo, inclusive, o nosso patrimônio histórico e a nossa história contemporânea... “Cras Tibi”

Francisco Silva Filho

Um comentário:

Anônimo disse...

Francisco,
São poucas as casas antigas que permanecem com o mesmo estilo do passado, mas não foi por zelo da Prefeitura e sim pelo carinho dos proprietarios que os conservam até hoje, embora haja assédio de construtoras para poder fazer prédios no lugar. Seu alerta tá de bom tamanho. O poder público tem que olhar com mais carinho para a história e memória da cidade. Uma cidade não perder seu passado. Basta querer. De qualquer sorte parabéns pelo alerta.