quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pressão contra o tabagismo

CAROLINA MENDONÇA A TARDE ON LINE
ccunha@grupoatarde.com.br

Com o tema “Ambientes 100% livres de fumo: Um direito de todos”, o Ministério da Saúde (MS) vai comemorar, no próximo dia 29, o Dia Nacional de Combate ao Fumo. O objetivo é estimular a sociedade para pressionar o Congresso Nacional pela modificação da Lei 9294/1996, que determina a implantação de áreas reservadas para fumantes em ambientes fechados. O texto atual não especifica critérios para a criação dos “fumódromos”, gerando situações esdrúxulas como áreas de fumantes e nãofumantes.

“A brecha na legislação fez com que a lei não se impusesse de fato. Agora, queremos que sejam feitas modificações que definam a separação destas áreas em ambientes diferentes”, diz a subchefe da Divisão do Controle de Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Valéria Cunha, que esteve em Salvador ontem, participando de um seminário promovido pela ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) do Brasil.

FUMAÇA – Segundo Valéria, estudos já provaram que as substâncias tóxicas do cigarro se dissipam de forma homogênea em ambientes fechados. Isso significa que não adianta apenas separar fisicamente fumantes dentro de um ambiente onde circula o mesmo ar. “Não há sistema de ventilação, mesmo com ar-condicionado, que filtre a fumaça.

Quem está perto ou longe do fumante leva ao organismo as mesmas coisas”, explica.

Os números sobre o tabagismo no Brasil podem ser considerados positivos. Atualmente, 16% da população acima de 18 anos fuma, enquanto em 1990 o percentual era de 30%. No entanto, nesse mesmo período, houve um aumento na quantidade de jovens e mulheres fumantes. Segundo a vice-diretora da ACT, Mônica Andreis, o fato é conseqüência direta do investimento da indústria do tabaco nestas populações.

“Eles estão explorando este filão do mercado”, afirma.

SUBDESENVOLV IDOS – Segundo Mônica, pesquisas da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a maior parte dos fumantes está começando a dar os primeiros tragos antes dos 18 anos e que a prevalência do tabagismo entre as mulheres aumentou em países subdesenvolvidos.

“A prova disso é a alta na incidência de câncer de pulmão que, no Brasil, já é a segunda causa de morte por câncer entre as mulheres”, pontua.

Na Bahia, não há dados atualizados sobre o número de fumantes entre a população, segundo a coordenadora do Programa Estadual de Controle do Tabagismo e Outros fatores de Risco de Câncer (Pect), Teresinha Paim. A coordenadora diz que as informações mais recentes são de pesquisa realizada entre 2002 e 2005, com alunos da 7ª e 8ª séries do ensino fundamental de Salvador. “Vamos refazer a pesquisa este ano”, promete.

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