sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mosca azul


Por Juscelino Souza

O deputado federal Guilherme Menezes, candidato a prefeito de Vitória da Conquista, deu um passo em falso contra a democracia ao não cumprir um acordo firmado em reunião na TV Sudoeste, dia 17 de julho - por meio de representantes. Guilherme não compareceu à emissora para fechar a série de entrevistas com os prefeituráveis. A assessoria do candidato informou à TV que ele ficou em Brasília e, portanto, impossibilitado de comparecer ao BATV nessa quinta-feira, 21.

A mesma assessoria do candidato já havia informado na manhã desse mesmo dia que Guilherme estaria em Vitória da Conquista, e como de fato esteve para uma reunião com os candidatos a vereador. Esta não foi a primeira vez que o candidato deixou de estar presente em um evento local. Apenas para refrescar a memória dos leitores, Guilherme não foi à série de entrevistas na Rádio Cidade e não atendeu ao chamado para uma audiência pública em comemoração aos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, na Câmara Municipal e assinar um termo estabelecendo 18 metas para a melhoria das condições para a criança e o adolescente. Por fim, não acompanhou a visita do governador Jaques Wagner quando da inauguração da Farmácia Popular. Indagado por mim mesmo sobre a falta de Guilherme na comitiva, o governador “desceu do salto” e disparou um “não sei, pergunte a ele”. Provocado por mim, mais uma vez, não conteve a ironia: “será que ele não está doente?”. A ausência, enfim, só faz ampliar o folclore em torno do seu sumiço. Há os que digam que ele gosta menos de Vitória da Conquista do que Nova Canaã, sua terra-natal. Outros sustentam que Guilherme Menezes entrou no clima do “já ganhou” e sequer liga para os debates públicos, oportunidade sem igual para que os eleitores conheçam os principais pontos do seu programa de governo. Não sou dado a ilações, mas não há como me ligar estes fatos ao livro de Frei Betto (Mosca Azul), onde o histórico militante da esquerda brasileira analisa, em primeira pessoa, a chegada do PT ao poder. A mosca azul é uma revisão honesta da ascensão do PT ao poder vinculada à recente história da esquerda no Brasil e no mundo. Em um dos trechos da narrativa em primeira pessoa, Frei Betto admite a decepção com parcela da esquerda fisgada recentemente pela "mosca azul" no ápice do poder. Concordo. Bons tempos aqueles em que, almejando chegar à Prefeitura pela primeira vez, combatendo as forças carlistas e pedralistas em 1997, Guilherme andava solto pelas ruas e periferias da cidade abraçando o povo e distribuindo sorrisos que cativavam de crianças a idosos. Não resta dúvida que a força da frente guilhermista é larga, mas só lembrando um trecho de música: “No balanço das água tudo pode mudar”. A vida é um mar de incertezas, com diz o clichê padrão. E de fato isso tudo é verdade. Não é possível ter certeza do que vai acontecer amanhã ou depois, até porque as coisas dependem de muitos fatores, e muitos deles são provenientes do próximo (ou do distante). Eleitor não é gado, que se ferra e deixa solto. Eleitor também é gente.

• Jornalista e analista político do Blog do Anderso

2 comentários:

Anônimo disse...

Só lamento, o jornalista Juscelino, não ter começado essas suas analíses há mais tempo!.Muito bom Anderson. RGS(pesquisador).

Anônimo disse...

Juscelino, desculpe-me por eu ter quer corrigí-lo no que tange à época (ano) em que Guilherme andava pelos bairros e ruas de Conquista apertando as mãos das pessoas eleitoras. Isso aconteceu no ano de 1996 e não, no ano de 1997 como você afirma. aliás, em 1997, ano em que tomou e posse e assenhorou-se no poder conquistense(01/01/1997), ele já mudou alí totalmente a sua postura. Falar com ele, passou a ser a tarefa das mais difíceis. Quando ele foi atacado pela Câmara Municipal com respaldo da TV Sudoeste, no episódio de Impcheament, que saiu na TV Globo para o Brasil inteiro, aquí em Curitiba eu tive os meus desprazeres, quando os clientes do Banco sabendo da minha origem vinham tratar de forma deseducada as coisas que aconteciam em Conquista e a pseuda culpa do Guilherme, eu resolví naquela ocasião fazer um trabalho, que muito bem aproveitou o senhor Hérzem Gusmão, naquele seu programa na Rádio Clube. Eu, encaminhei manifesto dando o meu maior apoio ao Guilherme e repudiando as ações tacanhas dos vereadores conquistenses e a TV Sudoeste. Mandei para o Hérzem cópias dos mapas de Curitiba dando conta que aquí havia em respeito a Vitória da Conquista, não só uma rua, mas também, um bairro com o nome da nossa Cidade. Isso foi comentado por uma semana naquele programa, deu muito que falar aí em Conquista, e muito o que calar na TV Sudoeste e na Câmara de Vereadores. Depois dessa "façanha", acreditando que o Guilherme pudesse ser uma pessoa grata, mandei-lhe fax dos meus escritos e mapas, bem como, várias vezes tentei lhe falar por telefone, ele sequer se dispôs a mandar pelo menos um recado dizendo que ele estava impossibilitado de atender-me, ou simplesmente um muito obrigado por eu ter me preocupado com a sua periclitante vida no poder executivo conquistense.

Francisco Silva Filho