De Francisco Silva
x
Chega ser interessante como um tema que não deveria ser objeto de tantas discussões em nosso país ganha contornos que não raro se assemelha a uma contenda... Os jornais, a TV, movimentos sociais e de classes vira e mexe se esbarraram em um assunto que em muito das nossas paciências têm abusado: as cotas para negros nas universidades públicas e agora até em colégios públicos de ensino médio e fundamental. Até aí, as coisas parecem fazer sentido; não que eu seja favorável a cotas para negros, brancos, amarelos, pardos, índios ou sei lá qual outra raça mais venha pleitear igual direito. Ao bem da verdade, eu acho isso uma cretinice do tamanho da demagogia que a medida proporciona e que, aliás, é a cara dos políticos brasileiros, que sempre se apóiam em medidas popularescas para dessa forma não perderem as tetas governamentais.
Quando dizem que estão com esse gesto buscando resgatar a dívida social para com os negros escravos explorados aqui no Brasil, assim o fazem para calar uma parcela da população brasileira que vive e sofre as mazelas dos desgovernos centenários aqui deste país. Abrindo umas quase aspas dentro deste meu raciocínio, eu gostaria de frisar que se um dia chegaram escravos aqui no Brasil como realmente chegaram, foi porque, os africanos vendiam os negros indesejáveis por eles em seu meio social, não foram os brancos que foram lá capturá-los (eu preferiria dizer seqüestrá-los), mas sim, os negros é que faziam este trabalho, era um comércio mantido por eles. Mas, você poderia perguntar: e se os brancos não comparecessem para comprá-los? – Provavelmente, eles (os africanos) se livrariam dos seus inimigos matando-os, praticando uma coisa comum entre muitas nações até os dias de hoje: o genocídio.
Ainda dentro do raciocínio do parágrafo anterior, os desgovernos do nosso país não só faz vítimas entre os negros, não são somente eles os excluídos, são também muitos brancos, não na mesma proporção que os negros, até porque, os negros são maiorias neste país, mas, dentro das favelas as condições de miséria são iguais para todos que lá vivem (não seria vegetam?), aqui em Curitiba, os excluídos são brancos de olhos azuis, pois, aqui a imensa maioria é de brancos, verdadeiramente brancos. A desigualdade social não está na cor da pele, está sim, na consciência dos nossos governantes. Falar de cotas me cheira a discriminação, representa no meu conceito uma linha demarcatória de território; também, me parecem afagos que mais tarde terão os seus desdobramentos. Se nas universidades públicas estão em maioria os brancos, é porque, os brancos da classe dominante é que conseguem manter os seus filhos em colégios particulares de excelente qualidade, para que, quando chegarem à universidade, cheguem com os méritos necessários a uma faculdade pública. As universidades federais estão recheadas de filhos de ricos; e nas universidades particulares os pobres não tão excluídos pelo sistema, que pagam com o seu suor uma faculdade para se manterem vivos diante de tamanha desigualdade.
A desigualdade social começa com um colégio público de péssima qualidade, neste caso, tanto faz ser negro ou branco, a base que se fomenta no ensino fundamental e médio, mal assegura aos seus alunos um emprego de gari. A desigualdade social está na qualidade da empregabilidade, está nos salários de miséria a que se submetem os pais de família para se manterem de pé e, mal darem um prato de feijão com arroz para a sua família. A saúde física e mental dessas crianças está por um fio, a dos seus pais, - não importa de que cor eles são – está nas mãos do nosso Pai Celestial.
O sindicato dos artistas afro-descendentes interveio na forma como a TV Globo usa o trabalho desses atores em suas novelas, disciplinando dessa forma quantos afro-descendentes devem em sua cota mínima participar dos folhetins globais; interveio ainda, na qualidade da personagem. Para entender essa ingerência, termos como os utilizados na novela Cabocla que foi levada ao ar em sua primeira edição no dia 04 de junho de 1979, tais como: “essa negrinha espevitada” ou esse “negrinho tiziu” que foi amplamente falado à época, hoje, em sua “remake” que é de 2004, nenhum desses termos são mais utilizados. Outra imposição, é que os astros “afro-descendentes” não mais fiquem restritos aos papéis secundários tais como: motoristas, jardineiros, faxineiros, empregados domésticos, camelôs, etc. Hoje, os atores afros desfrutam de papéis que anteriormente eram de atores tidos como brancos; são patrões, executivos, médicos, juízes, advogados e políticos. Por falar em políticos, o papel do Milton Gonçalves nesta novela A Favorita, que protagoniza um político corrupto, me deixa um pouco preocupado com o que o Movimento Consciência Negra pode vir a questionar quanto ao papel do Milton, uma vez que, nos papéis de lesiva conduta está sempre o homem pardo ou negro, e neste caso, apesar de ser um papel de um homem poderoso, está associado ao que mais incrimina um homem negro neste país.
Não querendo ser chato nem bairrista, a TV Globo migrou os seus papéis secundários e os menos importantes para os personagens nordestinos. Afinal de contas, os nordestinos para a Globo não tem cor e nem raça, tem, outrossim, um sotaque digno deles tirarem troça, uma subserviência digna de um capacho, tem uma família jogada num cantão do nordeste que está sempre a morrer de fome e a espera de um paulistano, um carioca ou um sulista para tirá-lo de lá para viver num Brasil Meridional salvador dos nordestinos desesperados da seca, da fome e da exploração sexual juvenil; é como, se neste Brasil Meridional e este Sul maravilha nada disso acontecesse! Aos sindicalistas, já que é moda, que tal um sindicato para essa categoria de atores nordestinos?
SOU CONTRA COTAS! SOU A FAVOR DE UM PAÍS DIGNO PARA NÓS BRASILEIROS; SEJAMOS NEGROS, BRANCOS, AMARELOS, PARDOS, VERMELHOS, ÍNDIOS OU DE QUALQUER ETNIA.
Francisco Silva Filho – Curitiba-PR
Quando dizem que estão com esse gesto buscando resgatar a dívida social para com os negros escravos explorados aqui no Brasil, assim o fazem para calar uma parcela da população brasileira que vive e sofre as mazelas dos desgovernos centenários aqui deste país. Abrindo umas quase aspas dentro deste meu raciocínio, eu gostaria de frisar que se um dia chegaram escravos aqui no Brasil como realmente chegaram, foi porque, os africanos vendiam os negros indesejáveis por eles em seu meio social, não foram os brancos que foram lá capturá-los (eu preferiria dizer seqüestrá-los), mas sim, os negros é que faziam este trabalho, era um comércio mantido por eles. Mas, você poderia perguntar: e se os brancos não comparecessem para comprá-los? – Provavelmente, eles (os africanos) se livrariam dos seus inimigos matando-os, praticando uma coisa comum entre muitas nações até os dias de hoje: o genocídio.
Ainda dentro do raciocínio do parágrafo anterior, os desgovernos do nosso país não só faz vítimas entre os negros, não são somente eles os excluídos, são também muitos brancos, não na mesma proporção que os negros, até porque, os negros são maiorias neste país, mas, dentro das favelas as condições de miséria são iguais para todos que lá vivem (não seria vegetam?), aqui em Curitiba, os excluídos são brancos de olhos azuis, pois, aqui a imensa maioria é de brancos, verdadeiramente brancos. A desigualdade social não está na cor da pele, está sim, na consciência dos nossos governantes. Falar de cotas me cheira a discriminação, representa no meu conceito uma linha demarcatória de território; também, me parecem afagos que mais tarde terão os seus desdobramentos. Se nas universidades públicas estão em maioria os brancos, é porque, os brancos da classe dominante é que conseguem manter os seus filhos em colégios particulares de excelente qualidade, para que, quando chegarem à universidade, cheguem com os méritos necessários a uma faculdade pública. As universidades federais estão recheadas de filhos de ricos; e nas universidades particulares os pobres não tão excluídos pelo sistema, que pagam com o seu suor uma faculdade para se manterem vivos diante de tamanha desigualdade.
A desigualdade social começa com um colégio público de péssima qualidade, neste caso, tanto faz ser negro ou branco, a base que se fomenta no ensino fundamental e médio, mal assegura aos seus alunos um emprego de gari. A desigualdade social está na qualidade da empregabilidade, está nos salários de miséria a que se submetem os pais de família para se manterem de pé e, mal darem um prato de feijão com arroz para a sua família. A saúde física e mental dessas crianças está por um fio, a dos seus pais, - não importa de que cor eles são – está nas mãos do nosso Pai Celestial.
O sindicato dos artistas afro-descendentes interveio na forma como a TV Globo usa o trabalho desses atores em suas novelas, disciplinando dessa forma quantos afro-descendentes devem em sua cota mínima participar dos folhetins globais; interveio ainda, na qualidade da personagem. Para entender essa ingerência, termos como os utilizados na novela Cabocla que foi levada ao ar em sua primeira edição no dia 04 de junho de 1979, tais como: “essa negrinha espevitada” ou esse “negrinho tiziu” que foi amplamente falado à época, hoje, em sua “remake” que é de 2004, nenhum desses termos são mais utilizados. Outra imposição, é que os astros “afro-descendentes” não mais fiquem restritos aos papéis secundários tais como: motoristas, jardineiros, faxineiros, empregados domésticos, camelôs, etc. Hoje, os atores afros desfrutam de papéis que anteriormente eram de atores tidos como brancos; são patrões, executivos, médicos, juízes, advogados e políticos. Por falar em políticos, o papel do Milton Gonçalves nesta novela A Favorita, que protagoniza um político corrupto, me deixa um pouco preocupado com o que o Movimento Consciência Negra pode vir a questionar quanto ao papel do Milton, uma vez que, nos papéis de lesiva conduta está sempre o homem pardo ou negro, e neste caso, apesar de ser um papel de um homem poderoso, está associado ao que mais incrimina um homem negro neste país.
Não querendo ser chato nem bairrista, a TV Globo migrou os seus papéis secundários e os menos importantes para os personagens nordestinos. Afinal de contas, os nordestinos para a Globo não tem cor e nem raça, tem, outrossim, um sotaque digno deles tirarem troça, uma subserviência digna de um capacho, tem uma família jogada num cantão do nordeste que está sempre a morrer de fome e a espera de um paulistano, um carioca ou um sulista para tirá-lo de lá para viver num Brasil Meridional salvador dos nordestinos desesperados da seca, da fome e da exploração sexual juvenil; é como, se neste Brasil Meridional e este Sul maravilha nada disso acontecesse! Aos sindicalistas, já que é moda, que tal um sindicato para essa categoria de atores nordestinos?
SOU CONTRA COTAS! SOU A FAVOR DE UM PAÍS DIGNO PARA NÓS BRASILEIROS; SEJAMOS NEGROS, BRANCOS, AMARELOS, PARDOS, VERMELHOS, ÍNDIOS OU DE QUALQUER ETNIA.
Francisco Silva Filho – Curitiba-PR







Nenhum comentário:
Postar um comentário