sábado, 14 de junho de 2008

ACADEMIA DO PAPO


Mulher Melancia

A bola da vez agora é a Mulher Melancia. A morena da padaria descomunal, além de gostosa, tem demonstrado um talento fora do comum. Na Rede TV, quarta feira (11-06-2008), ela cantou um funk que disse ser de sua autoria. A letra, verdadeira obra de arte, diz mais ou menos assim: “Cinturinha fina e um popozão gigante, sou a Mulher Melancia e rebolo a todo instante”. Como se vê, é inquestionável a qualidade de sua poesia, aliada a uma melodia que mesmo um mestre da música como Stravinsky não teria constrangimento em se curvar diante de tanta estética. Em outro trecho genial, a Melancia, ou melhor, a Mulher Melancia canta: “A velocidade 5 eu ensinei para vocês, agora quero ver, a velocidade 6”. Impressionante!


Na segunda feira, levaram a moça para um passeio na CEAGESP - a Ceasa de São Paulo – e a morena fêz a festa dos barraqueiros. Teve barraqueiro que largou a barraca, chupou quiabo, mordeu jiló, pintou o sete. A moça, verdadeira montanha de coxas, tronco e membro (além, evidentemente, de um popozão capaz de levantar até pinto de nonagenário), se deliciava e ao mesmo tempo ficava com medo dos olhares tarados. A morena, como diz McDonald (Rádio Bandeirantes) é capaz de fazer o barbeiro amolar a navalha na língua do freguês.

Levaram-na para uma exposição de automóveis também em São Paulo, mas ninguém olhou prá carro nenhum. A turma não tirava os olhos da menina. Sem querer ser grosseiro: é um rabo de respeito. Ela recebe elogios e cantadas por onde passa, mas nada disso a entusiasma. Segundo suas próprias palavras, ela quer ser vista pela sua arte, sua belíssima obra (?) musical. E diz não entender porque os homens são assim. Enquanto faz um tremendo esforço para mostrar seu talento (que em minha opinião, é enorme!), os bobocas ficam só de olho em seu físico. Em sua última declaração, manifestou-se um tanto quanto decepcionada com a supervalorização que os homens dão ao seu corpo. Tudo bem, diz ela, “sei que tenho um corpo bonito, mas não quero ser admirada apenas por causa disso. E conclui: Quero ser admirada pelo meu talento”. Donde se conclui ser ela uma pessoa de espírito.

Avaliando bem suas letras e sua obra musical, concluo que os homens precisam ver de forma diferente a Melancia, ou melhor, a Mulher Melancia. É um talento raro. Sua forma de compor, de dizer o que pensa, de interpretar. Sua sensualidade, seu gingado, suas coxas rotundas, suas nádegas exuberantes e um cabelo provocante, à base de cosméticos produzidos pela marca Helena Rubinstein, tudo isso faz a gente mudar de opinião. Como diz o André Cairo, é uma questão de sensibilidade. Ela tem talento sim. Só não vê quem não quer. Em outra bela canção (que, aliás, está sendo reivindicada por outro gênio), ela diz mais ou menos assim: “Adoro ser solteira, melhor que ser chifruda, em homem a gente manda, o homem a gente muda”. Desnecessário dizer que considero esses versos antológicos. Geniais!

Fico imaginando a Mulher Melancia no São Pedro do Toa a Toa. Todo mundo cheio de canjimbrina, comendo espeto de queijo de coalho e olhando para aquele monumento. Vai ser um momento de glória. Principalmente para os mais jovens. Esses ficam loucos quando vêem uma montanha daquela à sua frente. Os “véi” ficam só babando. Os meninos, que não são bestas, revolvem logo os seus problemas na mão (no melhor sentido). As namoradas e esposas tascam pinicões nos companheiros mais indiscretos e a sacanagem rola no birro oitenta. Todo mundo de olho na Morena. Esta, por sua vez, finge inocência, mas no íntimo, sabe que a rapaziada tá doida prá dar uns “amassos” em sua carcaça.

Nossa amiga Melancia, apesar de toda a sua pretensa genialidade, talvez não tenha lido o terceiro ato da peça Romeu e Julieta de Shakespeare. Lá, em uma fala genial, Frei Lourenço alerta ao jovem casal para não se deixar inebriar pela beleza. E compara esse atributo físico a um barril de pólvora. Não sabe, ou será que sabe nossa grande artista, que a beleza é uma coisa que se acaba? Ninguém vive e morre eternamente belo. Até os que tentaram como Dorian Gray (na célebre obra de Oscar Wilde) não conseguiram. Eu mesmo, que já fui belo e campeão em queda de braço, canto aquele tema de Chico (Buarque): “Vida veio e me levou” Um abraço cordial e até a próxima enquanto nos deliciamos com a melancia (a fruta).
Paulo Pires
(*) Professor UESB-FAINOR.

Um comentário:

Unknown disse...

Paulo Jáo Gilberto Pires,
Como sempre, você, mantendo sua genialidade no contexto cultural, onde o belo tem sabor de mel e do delicioso miôlo da melancia, salta em grandes passos para abria espaço para a reflrexão. A melancia é uma delícia, a cantora também, mas, como deliciar a cultura do mel e da ância de ser melodioso sublime, na máxima de uma ciatividade, verdadeiramente inteligente, sem apelação. André Cairohj