No último dia 13, fez 120 anos da abolição da escravatura. Para muitos, a data da abolição representa a lembrança de um ato que jogou uma multidão de brasileiros na não-cidadania e exclusão.
Sobre o assunto, o Piquete Bancário conversou com o Benedito Gonçalves Eugênio, coordenador de comunicação nacional da Agente de Pastoral Negros (APN's).
Leia a entrevista concedida ao site dos Bancários (clique abaixo)
Piquete bancário - O 13 de maio é uma data para ser comemorada?
Benedito Gonçalves - É uma data a ser repensada. Há uma série de questões a serem repensadas a partir da data. É uma data importante, não pelo fato da abolição, pois, como é sabido, historicamente, nós não nos preparamos para o processo abolicionista. Por conta disso, existe uma série se conseqüências que são percebidas até hoje. Então é um momento de reflexão, de se repensar o acesso da população negra às políticas públicas sociais.
P.B. - Com relação a essas políticas públicas sociais, elas têm logrado êxito?
B.G. - Hoje, existe no Brasil uma série de políticas sociais, de ação afirmativa. Uma dessas políticas são as cotas para os afrodescendentes nas universidades públicas. Porém, ela não é a única. As políticas de ações afirmativas devem englobar todos os aspectos das políticas sociais, como saúde, educação, emprego... Hoje, nós temos uma série de políticas que tentam fazer uma correção social. Especificamente, se pensarmos em relação à educação, há um relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado ano passado, com dados de até 2005, no qual mostra que, em relação ao acesso ao ensino superior, só agora os negros conseguiram chegar ao mesmo índice que os brancos alcançaram na década de 60. Então, é uma distorção gigantesca, de mais de 50 anos, que precisa ser corrigida. O próprio documento do PNUD mostra que se a população brasileira fosse dividida entre brancos e negros, aquela ocuparia o 44º lugar em índice de desenvolvimento humano enquanto esta ficaria em 105º. Então, ainda precisa ser feita uma ampla discussão em relação às políticas de inclusão, tanto universalistas quanto focalizadas.
P.B. - Como tem sido o acesso a essas políticas públicas pela população negra?
B.G. - Por mais que agente tenha tentado fazer, nos últimos anos, a correção dos índices de desigualdade, o acesso às políticas públicas ainda é muito restrito. Por exemplo, se a gente pegar dados do Ministério da Saúde, a acesso à saúde pública pelos negros é menor do que pela a população branca, com mesma condição econômica, mesma classe social. Na educação, acontece o mesmo: o índice de alunos negros nas universidades públicas é menor do que os alunos brancos, e isso na mesma condição econômica. O exemplo se repete com relação à taxa de desemprego, ao salário... Por isso, tornam-se tão necessárias se implantar políticas públicas que venham a corrigir essas injustiças.
P.B. - O que o senhor acha que deve ser feito para minimizar essas injustiças?
B.G. - Se pensarmos que a sociedade brasileira viveu em um regime escravista por mais de 300 anos, é complicado corrigir essas injustiças de forma imediata, elas demandam tempo. Temos que pensar políticas de inclusão social de curto, médio e longo prazo que seja discutida com toda a sociedade. O racismo no Brasil é diferente do que ocorre em outros países. Aqui, nós temos um racismo muito velado: ninguém se diz racista, não apenas porque é crime, mas por ninguém admitir que seja e, infelizmente, as práticas racistas continuam acontecendo todos os dias. O racismo não é um problema dos negros, mas da sociedade brasileira, está na “genis” da formação de nossa sociedade.
Sobre o assunto, o Piquete Bancário conversou com o Benedito Gonçalves Eugênio, coordenador de comunicação nacional da Agente de Pastoral Negros (APN's).
Leia a entrevista concedida ao site dos Bancários (clique abaixo)
Piquete bancário - O 13 de maio é uma data para ser comemorada?
Benedito Gonçalves - É uma data a ser repensada. Há uma série de questões a serem repensadas a partir da data. É uma data importante, não pelo fato da abolição, pois, como é sabido, historicamente, nós não nos preparamos para o processo abolicionista. Por conta disso, existe uma série se conseqüências que são percebidas até hoje. Então é um momento de reflexão, de se repensar o acesso da população negra às políticas públicas sociais.
P.B. - Com relação a essas políticas públicas sociais, elas têm logrado êxito?
B.G. - Hoje, existe no Brasil uma série de políticas sociais, de ação afirmativa. Uma dessas políticas são as cotas para os afrodescendentes nas universidades públicas. Porém, ela não é a única. As políticas de ações afirmativas devem englobar todos os aspectos das políticas sociais, como saúde, educação, emprego... Hoje, nós temos uma série de políticas que tentam fazer uma correção social. Especificamente, se pensarmos em relação à educação, há um relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado ano passado, com dados de até 2005, no qual mostra que, em relação ao acesso ao ensino superior, só agora os negros conseguiram chegar ao mesmo índice que os brancos alcançaram na década de 60. Então, é uma distorção gigantesca, de mais de 50 anos, que precisa ser corrigida. O próprio documento do PNUD mostra que se a população brasileira fosse dividida entre brancos e negros, aquela ocuparia o 44º lugar em índice de desenvolvimento humano enquanto esta ficaria em 105º. Então, ainda precisa ser feita uma ampla discussão em relação às políticas de inclusão, tanto universalistas quanto focalizadas.
P.B. - Como tem sido o acesso a essas políticas públicas pela população negra?
B.G. - Por mais que agente tenha tentado fazer, nos últimos anos, a correção dos índices de desigualdade, o acesso às políticas públicas ainda é muito restrito. Por exemplo, se a gente pegar dados do Ministério da Saúde, a acesso à saúde pública pelos negros é menor do que pela a população branca, com mesma condição econômica, mesma classe social. Na educação, acontece o mesmo: o índice de alunos negros nas universidades públicas é menor do que os alunos brancos, e isso na mesma condição econômica. O exemplo se repete com relação à taxa de desemprego, ao salário... Por isso, tornam-se tão necessárias se implantar políticas públicas que venham a corrigir essas injustiças.
P.B. - O que o senhor acha que deve ser feito para minimizar essas injustiças?
B.G. - Se pensarmos que a sociedade brasileira viveu em um regime escravista por mais de 300 anos, é complicado corrigir essas injustiças de forma imediata, elas demandam tempo. Temos que pensar políticas de inclusão social de curto, médio e longo prazo que seja discutida com toda a sociedade. O racismo no Brasil é diferente do que ocorre em outros países. Aqui, nós temos um racismo muito velado: ninguém se diz racista, não apenas porque é crime, mas por ninguém admitir que seja e, infelizmente, as práticas racistas continuam acontecendo todos os dias. O racismo não é um problema dos negros, mas da sociedade brasileira, está na “genis” da formação de nossa sociedade.








2 comentários:
Esse peverso SISTEMA DE COTAS!.Só tem um objetivo!.Dividir a nação brasileira ainda mais.O cenário de uma nova ÁFRICA-com todas as sua implicações-"ÉTNICAS" , inclusive, massacres e guerras!!!.RGS(pesquisador)
SEM COMENTÀRIOS! RGS.
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