domingo, 16 de março de 2008

Pesquisas de intenção de voto não influenciam eleitores


Enquanto os eleitores não comparecem às urnas, o embate entre os candidatos se dá através das pesquisas de intenção de voto. Em ano eleitoral, as pesquisas servem para medir o desempenho das campanhas e traçar estratégias para conquistar novos eleitores. Mas, a confiabilidade dos resultados nem sempre é garantida, diz Gaudêncio Torquato, consultor político.

Um exemplo emblemático dessa afirmação é a vitória do atual governador Jaques Wagner (PT), no pleito de 1º de outubro de 2006. O último levantamento realizado pelo IBOPE Opinião, divulgado em 30 de setembro, apontava na frente Paulo Souto (DEM), com 51% das intenções de voto, seguido de Wagner com 41%.

Quando foi apurado o resultado das urnas, a previsão se inverteu. Wagner venceu no primeiro turno, com 52% dos votos, enquanto Souto obteve 43%. “O bom desempenho nas pesquisas não é certeza de comprovação do resultado”, avalia Torquato.

O consultor diz que as estatísticas de intenção de voto retratam situações efêmeras. “As pesquisas refletem a opinião dos eleitores naquele momento. Como isso é dinâmico, elas determinam a opinião apenas naquela circunstância”, explica.

A estudante universitária Raquel Almeida, 24 anos, é um exemplo de eleitora que não costuma acreditar nas pesquisas. “Na eleição para governador sempre mostravam na frente os candidatos ligados ao PFL (atual Democratas). Depois da vitória de Wagner, acho que não será mais assim”, acredita.

Já a professora aposentada Regina Oliveira, 57, acredito muito nas pesquisas, mas não me sente influenciada. “Tenho opinião própria, voto a favor do povo”, enfatiza.

O industriário Wellington Ferreira, 36, também demonstra credibilidade nos resultados: “Acredito, com certeza! Toda pesquisa tem que ser válida, se não acreditarmos nela, vamos nos basear em quê?”, questiona. Ele revela que as pesquisas já serviram de base nas suas decisões. “Não digo que me influenciaram, mas ajudaram a esclarecer dúvidas em relação ao voto”.

Ricardo Guedes, diretor do instituto Sensus, responsável por pesquisas desse tipo, explica que os eleitores não baseiam seus votos nos candidatos vencedores das pesquisas. “Os estudos mostram que não existe essa influência. Se fosse assim, o candidato que começasse na frente sempre ganharia”, argumenta.

A diretora-executiva do IBOPE Opinião, Márcia Cavallari, enumera outro fator mais importantes na escolha do voto: “Em nossos levantamentos, constatamos que as pessoas levam mais em conta as relações interpessoais”, afirma. Ela explica que as conversas com amigos e conhecidos são usadas pelos eleitores para formar a opinião acerca dos candidatos.

O que deve ser sempre levado em conta em uma análise dos resultados de uma pesquisa é que a escolha dos eleitores é volúvel. “A pessoa pode mudar seu voto até no momento em que está diante da urna. A pesquisa não pode ser interpretada como uma verdade absoluta”, acrescenta Márcia.

A TARDE

Um comentário:

Anônimo disse...

A pesquisa deveria ter como base quem trabalhou mais - procurou cumprir literalmente com as promessas.