domingo, 23 de novembro de 2008

Eletodomésticos 20% mais barato

Quem está procurando eletroeletrônicos e quer produtos com um preço mais em conta deve incluir nos locais de pesquisa as grandes redes varejistas de Vitória da Conquista. Junto com TVs, DVDs e aparelhos das marcas tradicionais, pode-se encontrar outros, com marcas dos próprios supermercados, a um custo entre 15 e 20% menor. Para muitos compradores, o problema de comprar este tipo de produto é o apego às marcas tradicionais, o temor quanto à qualidade da mercadoria, além de dúvidas sobre a responsabilidade pela garantia.

A pouco mais de um mês das festas de fim de ano, quando grande parte da população aproveita os recursos extras do décimo terceiro salário para ir às compras, a movimentação em torno dos produtos aumenta. O vigilante Ricardo Correa, olhou atentamente o balcão onde ficam aparelhos de home theater e passou os olhos por alguns produtos.

Entre dois produtos, Philco e Phillips, com preços de R$ 498 e R$ 499, respectivamente, deparou-se com um home idêntico: mesma potência, cor, preço de R$ 249, marca Durabrand.

“Não arriscaria porque sou muito tradicional em relação a marcas.

Para mim, som tem que ser Sony ou Phillips”, explicou.

O temor dele é de ter que dispender uma quantia considerável de recursos – “ainda que seja mais barato que os outros” – por um produto que não consiga satisfazer as suas expectativas. “Já comprei arroz, feijão, extrato de tomate. O problema é arriscar na compra de coisas caras. Dá um certo temor”, explica ele.

Já o comerciante Rômulo Costa, apesar de nunca ter comprado nenhum produto com a marca própria, diz ter ficado “balançado” com uma oferta. “Pela mesma televisão de 29 polegadas, posso economizar tudo isso?”, questionou, surpreso, comparando o preço de uma tela plana do supermercado, por R$ 598, uma Panasonic, por R$ 698, e uma Samsung por R$ 748.

Depois de anos em que os produtos vendidos com as marcas dos varejistas, conhecidos no meio como marcas próprias, foram apenas cópias toscas de artigos de menor valor, as grandes empresas do varejo estão apostando na venda de mercadorias caras e sofisticadas com marcas que só podem ser encontradas nas próprias lojas como estratégia para ganhar mercado. “Depois da primeira geração deste tipo de produtos, que acabou deixando uma imagem negativa na mente dos clientes por causa da qualidade duvidosa, os varejistas começam a oferecer mercadorias de qualidade”, analisa a presidente da Associação Brasileira das Marcas Próprias e Terceirização (Abimapro), Neide Montesano.

Neide lembra que, na chamada primeira geração, iniciada no Brasil em meados da década de 70, os supermercados vendiam produtos mais baratos, tentando conquistar o consumidor com preços baixos, sem atentar para a questão da qualidade. “Com o tempo, eles perceberam que o consumidor estava ficando com uma imagem negativa dos produtos.

Por outro lado, constatouse que as empresas podem ter um ganho em imagem, investindo na venda de bons produtos”, pondera Neide.

“Hoje, mesmo em produtos mais simples, não se admitem defeitos”, explica. Segundo ela, por conta do enxugamento de custos na cadeia de produção, principalmente no que diz respeito à questão da promoção de vendas, sempre haverá um diferencial de preço, que fica entre 15 e 20%. “São produtos extremamente honestos, que cumprem com a sua finalidade com perfeição”, ressalta.
Marca própria é uma estratégia em que o varejista oferece produtos exclusivos para os clientes, além dos customizados para necessidades específicas, através de acordos com fornecedores, responsáveis pela fabricação Para o consumidor, a vantagem é comprar mais produtos sem gastar muito, já que as mercadorias são entre 15 e 20% mais baratas que as de marcas conhecidas. A redução do preço deve-se a cortes de custos na cadeia produtiva.

DONALDSON GOMES
dogomes@grupoartarde.com.br

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