PREJUÍZOS Após ser confirmada contaminação por urânio num poço de água na zona rural, população evita consumir alimentos produzidos na região. Restaurantes e rede hoteleira também sentem os efeitos

Juscelino Souza, A Tarde
Pequenos agricultores e produtores rurais são as primeiras vitimas da repercussão sobre a água contaminada por urânio na zona rural de Caetité, semiaacute;rido baiano, a 757 km de Salvador. O principal sintoma é sentido no bolso, provocado pela rejeição da clientela a hortifrutigranjeiros, derivados do leite e até farinha de mandioca, principal produto do distrito de Maniaçu, onde fica a província uranífera da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil), a 30 km do centro da cidade.
Nos domingos, dia de feira-livre no distrito, era comum os comerciantes negociarem entre dois e três caminhões carregados, cada um, com mais de 60 sacas de 50 kg de farinha. A realidade agora é outra, com a venda restrita a pouco menos de 10 sacas, conforme declara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetité, Genilton Xavier da Silva.
Aos poucos as casas de farinha fecham as portas e o desemprego cresce, seguido do êxodo rural.
Até uma escola infantil, localizada na comunidade de Lagoa do Barro, foi abandonada. “Não ficou claro na audiência pública sobre quem vai pagar a conta dos prejuízos causados aos produtores por conta desses problemas, que na verdade vem ocorrendo ao longo dos anos”, assinala o dirigente.
“Se não houver alternativa, os produtores terão que desistir da lavoura, por isso convocamos reunião esta semana para enviar uma pauta de reivindicações às autoridades competentes”, enfatiza Silva.
REIVINDICAÇÕES – O dirigente antecipa que vai solicitar audiência com a diretoria da INB para propor, dentre outras questões, a compra dos produtos agrícolas pela estatal para consumo em seu refeitório. “A situação é muito preocupante e vamos cobrar da empresa uma melhor comunicação com os moradores”.
De acordo com o sindicato, que tem 15 mil filiados, cerca de 22 mil pessoas residem na zona rural de Caetité e a maioria depende exclusivamente da agricultura de subsistência. “Existe uma invasão de produtos de outros municípios porque a população rejeita os daqui”.
O agricultor Valdemar Batista, conhecido como “Lourinho”, não cansa de protestar contra as análises, ao discordar que a água seja responsável pelos problemas de saúde da população. Residente na mesma fazenda onde o poço teve a água foi lacrado, depois de constatada contaminação, Lourinho disse que é o maior prejudicado pelas notícias.
REJEITADOS – Desde que os fatos ganharam repercussão, o agricultor só contabiliza prejuízos.
Ele destaca que os produtos da sua roça são rejeitados na cidade e que até a compra de leite foi suspensa pela cooperativa de laticínios de Lagoa Real. A direção da empresa confirma o veto ao leite produzido na fazenda de Lourinho, alegando que aguarda as análises técnicas e a decisão da Justiça.
A agricultura familiar de Caetité responde por 1,3 mil hectares de mandioca, 700 de algodão, 650 de cana-de-açúcar 930 de feijão, 700 de milho e 420 de café.
A rede hoteleira possui sete hotéis, cinco pousadas, um motel e uma pensão, perfazendo um total de 398 leitos.
Comerciantes lamentam prejuízos
Além da agricultura, as notícias negativas também tem afetado restaurantes, pousadas e hotéis.
dona de restaurante Soledade Teixeira Oliveira, que há 18 anos trabalha no ramo, diz que nunca passou por situação semelhante nesse período. “O povo desapareceu.
Quem vem aqui até que almoça, mas não bebe água da torneira”, queixa-se. A comerciante relata que antes de o caso ganhar repercussão servia cerca de 200 refeições por dia, contra 50 pratos no atual período.
Os donos de estabelecimentos similares ao longo da Mulungu, nome popular da Avenida Waldick Soriano, principal acesso da cidade e passagem obrigatória de turistas do Centro-oeste País, não param de lamentar prejuízos acumulados nos últimos dias. “A gente não sabe o *A situação se agravou quando análises constataram que a água de um poço na Vila de Juazeiro, que abastece cinco famílias, apresentou contaminação acima do limite permitido. Com isso, as pessoas, equivocadamente, passaram a acreditar que problema se estende ao resto do município.
que fazer, pois as festas de fim de ano estão chegando e muita gente vai passar direto, buscando refeição e pousada em outras cidades”, observa o empresário Gilvan Ribeiro.
“Nosso movimento caiu pela metade. Isso aqui quando era onze horas estava lotado, agora é isso aí que vocês estão vendo, um ou outro cliente na mesa”, aponta.
“Esse reflexo negativo está em toda a cidade. Um ou outro não reclama, mas a grita vai ser geral daqui a uns dias”, prevê.
FRONTEIRAS – Os efeitos da rejeição a produtos e serviços estendemse, anda, aos distritos dos municípios limítrofes de Lagoa Real e Livramento de Nossa Senhora. “A gente está levando pedrada igual passarinho”, diz o criador Waldemar Santos, radicado no distrito de São Timóteo, zona rural de Livramento.
“A gente cria o gado, engorda, mas na hora de vender não encontra comprador porque o povo está com medo até da carne”, conta. A produção de leite passa pela mesma situação. “O consumo cais mais de 80% em Lagoa Real e já tem muita gente jogando fora pois não acha quem aceite”, intervém José Ribas.
Enquanto a situação não se reverte, com mais esclarecimentos à população, o medo impera e, com ele, o elevado consumo de água mineral, cujo crescimento é de 40% em toda a região.
“É uma situação muito desconfortante e já estudamos a adoção de campanhas para reverter este episódio”, sintetizou o secretário municipal de Recursos Hídricos, Júlio César Teixeira Ladeia. A mesma opinião tem a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), entidade com 120 associados.
( J.S.)
Pequenos agricultores e produtores rurais são as primeiras vitimas da repercussão sobre a água contaminada por urânio na zona rural de Caetité, semiaacute;rido baiano, a 757 km de Salvador. O principal sintoma é sentido no bolso, provocado pela rejeição da clientela a hortifrutigranjeiros, derivados do leite e até farinha de mandioca, principal produto do distrito de Maniaçu, onde fica a província uranífera da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil), a 30 km do centro da cidade.
Nos domingos, dia de feira-livre no distrito, era comum os comerciantes negociarem entre dois e três caminhões carregados, cada um, com mais de 60 sacas de 50 kg de farinha. A realidade agora é outra, com a venda restrita a pouco menos de 10 sacas, conforme declara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetité, Genilton Xavier da Silva.
Aos poucos as casas de farinha fecham as portas e o desemprego cresce, seguido do êxodo rural.
Até uma escola infantil, localizada na comunidade de Lagoa do Barro, foi abandonada. “Não ficou claro na audiência pública sobre quem vai pagar a conta dos prejuízos causados aos produtores por conta desses problemas, que na verdade vem ocorrendo ao longo dos anos”, assinala o dirigente.
“Se não houver alternativa, os produtores terão que desistir da lavoura, por isso convocamos reunião esta semana para enviar uma pauta de reivindicações às autoridades competentes”, enfatiza Silva.
REIVINDICAÇÕES – O dirigente antecipa que vai solicitar audiência com a diretoria da INB para propor, dentre outras questões, a compra dos produtos agrícolas pela estatal para consumo em seu refeitório. “A situação é muito preocupante e vamos cobrar da empresa uma melhor comunicação com os moradores”.
De acordo com o sindicato, que tem 15 mil filiados, cerca de 22 mil pessoas residem na zona rural de Caetité e a maioria depende exclusivamente da agricultura de subsistência. “Existe uma invasão de produtos de outros municípios porque a população rejeita os daqui”.
O agricultor Valdemar Batista, conhecido como “Lourinho”, não cansa de protestar contra as análises, ao discordar que a água seja responsável pelos problemas de saúde da população. Residente na mesma fazenda onde o poço teve a água foi lacrado, depois de constatada contaminação, Lourinho disse que é o maior prejudicado pelas notícias.
REJEITADOS – Desde que os fatos ganharam repercussão, o agricultor só contabiliza prejuízos.
Ele destaca que os produtos da sua roça são rejeitados na cidade e que até a compra de leite foi suspensa pela cooperativa de laticínios de Lagoa Real. A direção da empresa confirma o veto ao leite produzido na fazenda de Lourinho, alegando que aguarda as análises técnicas e a decisão da Justiça.
A agricultura familiar de Caetité responde por 1,3 mil hectares de mandioca, 700 de algodão, 650 de cana-de-açúcar 930 de feijão, 700 de milho e 420 de café.
A rede hoteleira possui sete hotéis, cinco pousadas, um motel e uma pensão, perfazendo um total de 398 leitos.
Comerciantes lamentam prejuízos
Além da agricultura, as notícias negativas também tem afetado restaurantes, pousadas e hotéis.
dona de restaurante Soledade Teixeira Oliveira, que há 18 anos trabalha no ramo, diz que nunca passou por situação semelhante nesse período. “O povo desapareceu.
Quem vem aqui até que almoça, mas não bebe água da torneira”, queixa-se. A comerciante relata que antes de o caso ganhar repercussão servia cerca de 200 refeições por dia, contra 50 pratos no atual período.
Os donos de estabelecimentos similares ao longo da Mulungu, nome popular da Avenida Waldick Soriano, principal acesso da cidade e passagem obrigatória de turistas do Centro-oeste País, não param de lamentar prejuízos acumulados nos últimos dias. “A gente não sabe o *A situação se agravou quando análises constataram que a água de um poço na Vila de Juazeiro, que abastece cinco famílias, apresentou contaminação acima do limite permitido. Com isso, as pessoas, equivocadamente, passaram a acreditar que problema se estende ao resto do município.
que fazer, pois as festas de fim de ano estão chegando e muita gente vai passar direto, buscando refeição e pousada em outras cidades”, observa o empresário Gilvan Ribeiro.
“Nosso movimento caiu pela metade. Isso aqui quando era onze horas estava lotado, agora é isso aí que vocês estão vendo, um ou outro cliente na mesa”, aponta.
“Esse reflexo negativo está em toda a cidade. Um ou outro não reclama, mas a grita vai ser geral daqui a uns dias”, prevê.
FRONTEIRAS – Os efeitos da rejeição a produtos e serviços estendemse, anda, aos distritos dos municípios limítrofes de Lagoa Real e Livramento de Nossa Senhora. “A gente está levando pedrada igual passarinho”, diz o criador Waldemar Santos, radicado no distrito de São Timóteo, zona rural de Livramento.
“A gente cria o gado, engorda, mas na hora de vender não encontra comprador porque o povo está com medo até da carne”, conta. A produção de leite passa pela mesma situação. “O consumo cais mais de 80% em Lagoa Real e já tem muita gente jogando fora pois não acha quem aceite”, intervém José Ribas.
Enquanto a situação não se reverte, com mais esclarecimentos à população, o medo impera e, com ele, o elevado consumo de água mineral, cujo crescimento é de 40% em toda a região.
“É uma situação muito desconfortante e já estudamos a adoção de campanhas para reverter este episódio”, sintetizou o secretário municipal de Recursos Hídricos, Júlio César Teixeira Ladeia. A mesma opinião tem a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), entidade com 120 associados.
( J.S.)







Um comentário:
Cabe a empresa, admitir a falha e apresentar de imediato, as medidas necessárias e urgentes - para sanar o problema e tranquilizar a população da cidade e visitantes!.J Dean Pereira
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