quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Epa, peraí!!!


Por Juscelino Souza


Dos prefeituráveis que se apresentaram até o momento na rodada de entrevistas na TV Sudoeste, o candidato Hérzem Gusmão, do PSDB, foi o que menos tenso estava, mas nada que o-ajudasse a convencer o eleitorado sobre algumas das suas propostas. Acostumado aos microfones na rádio e já ambientado às câmeras, quando da sua aparição no noticiário da TVE da Uesb, Hérzem quis demonstrar segurança, se valendo dessas condições e este foi seu grande erro. Experiência com a mídia não credencia ninguém a sustentar projetos que não dependem apenas do prefeito, por exemplo.

Quando perguntado sobre o ponto principal da sua campanha, o representante da Coligação “A Favor de Conquista” começou falando sobre um projeto político para, segundo ele, estreitar as relações de Vitória da Conquista com todo o sudoeste da Bahia. Falou sobre o salto no Produto Interno Bruto (PIB), mas não apresentou números exatos. O candidato misturou dados de uma Pesquisa da Gazeta Mercantil – que apresenta Conquista como o 10º município mais dinâmico do País e “rebaixou” o nosso PIB. Só para ilustrar, senhor candidato, atualmente somos a sexta economia baiana. Ainda assim, gesticulando diante das câmeras, de forma cautelosa, meticulosa e medindo bem cada palavra, a “raposa velha” dos microfones conquistenses manteve um tom moderado e vendeu sua marca: o alegado amor a Conquista. Mas de tanto sair em defesa do município, acabou cometendo um pecado gravíssimo ao propor a redução territorial de Conquista. “Vamos reduzir o território, emancipando Bate-Pé, Inhobim e José Gonçalves”. Epa, peraí (em bom baianês). Não que a gente não queira, mas a emancipação de distritos não compete ao prefeito. Ele até pode incentivar, fazer campanha, etc. e tal, mas até emancipar um distrito numa “canetada” é outra história e não importa se Conquista tem 3.743 km2 de terras, ou não. Hérzem tenta justificar seu desejo emancipacionista dizendo que temos muito chão, muita terra sobrando. Temos que pensar em somar, multiplicar, jamais dividir. Para isso é necessário atrair políticas que contemplem a geração de emprego e renda na zona urbana e na zona rural, melhorias de estradas e incentivos ao agronegócio, um dos pilares da economia regional. Imaginem, por exemplo, Inhobim emancipado. Já nasceria com uma dívida interna de mais de R$80 milhões, herança das roças de café abandonadas ou mal administradas por alguns espertalhões travestidos de cafeicultores que limparam os cofres dos bancos estatais. Hérzem entende que, com a redução territorial, os recursos brotarão como capim brota da terra. Em seguida, volta atrás e fala na criação de microrregiões administrativas para levar a Prefeitura até os “recém-emancipados”. Traduzindo: Pior com Inhobim, Bate-Pé e José Gonçalves, muito pior ainda com eles. Como vão sobreviver sem recursos próprios? A resposta é simples: a população de lá migra para cá e Conquista vai experimentar um êxodo rural jamais visto em 168 anos (incompletos) de história. Jovens saindo, velhos ficando e a miséria a violência crescendo em progressão geométrica no entorno da região. Mais à frente Hérzem sustenta que a Prefeitura de Conquista esqueceu “literalmente” a zona rural. E foi? Ué, até pouco tempo, quando estava à frente da Resenha Geral o discurso era diferente. Estradas bem conservadas, postos de saúde, inaugurações de escolas e por aí vai. Este era o discurso no rádio e todos sabem bem disso. Justiça seja feita, quando sorteado o tema “Educação”, o prefeiturável retratou bem a realidade do ensino público. Crianças chegando ao que antes equivalia a 8ª série do ensino fundamental sem preparo e aí ocorre a evasão. Como mudar esse quadro? Bem, o candidato diz ter a fórmula extraída da experiência observada em São Paulo. Cabe ao eleitor avaliar.
• Jornalista e analista político do Blog do Anderson

2 comentários:

Anônimo disse...

De Paulo Pires,

Comunico-lhe minha satisfação pelo desempenho na entrevista de ontem (TV Sudoeste 19 horas). Na hora, como é de seu conhecimento, não pude assistir porque já estava em Sala de Aula. Mas hoje pela manhã tive o contentamento de verificar o seu desempenho. Fiquei orgulhoso.

Apesar de um tempo absurdamente curto, o eleitorado, creio eu, pôde constatar que está diante de um candidato à altura de uma cidade com a nossa.

Hábil nas palavras e objetivo nas idéias, nos cinco minutos e vinte e sete segundos, fêz uma apreciação política e geopolítica que certamente arrebanhará muitos admiradores. Quem assistiu ficou com a sensação (essa foi a percepção de muitos) que se houvesse mais tempo, o candidato teria muita munição verbal e político-administrativa para utilizar.

Desejo que o amigo continue sempre brilhante e vibrante em suas aparições.

Anônimo disse...

Caro Paulo Pires!!!
Infelizmente o tempo da Tv é curto mesmo, mas o tempo é igual a todos e o candidato Hérzem foi confuso na sua fala, o mesmo disse no início que é a favor da emancipação política dos distritos e em outro momento falou que iria dar uma atemção melhor os referido distritos, então seria melhor o candidato Hérzem utilizar melhor o tempo do seu horário político para se expressar melhor e não deixar dúvida alguma para nós eleitores.
Cordialmente
Cesar Damscena